Se creres verás a Glória de Deus

Quem crê verá Sua Glória, pois Deus não é autor da morte

Prof. Felipe Aquino Foto: ArquivoCN/cancaonova

Prof. Felipe Aquino
Foto: ArquivoCN/cancaonova

A Igreja nos ensina que a morte é um enigma para o ser humano. Devemos enfrentá-la como Deus quer, pela fé. “É diante da morte que o enigma da condição humana atinge o seu ponto mais alto” (GS, 18). “Se creres verás a glória de Deus” (João 11,40), Jesus disse a Marta diante de Lázaro morto.

1 – Deus não é o autor da morte

Diz o nosso Catecismo que: “Em certo sentido, a morte corporal é natural; mas para a fé ela é, na realidade, “salário do pecado” (Rom 6, 23; Gen 2,17). (n.1006).

A Escritura nos ensina isso claramente:

“Deus criou o homem para a imortalidade e o fez à imagem de sua própria natureza; foi por inveja do diabo que a morte entrou no mundo, e experimentam-na os que a ele pertencem.” (Sab 2,23-24).

“Deus não fez a morte, nem tem prazer com a destruição dos vivos. Ele criou todas as coisas para existirem.” (Sb 1,13)

“É sentida por demais pelo Senhor a morte de seus santos, seus amigos.” (Sl 115,15)

“Será que eu tenho prazer na morte do ímpio? – oráculo do Senhor Deus. Não desejo, antes, que mude de conduta e viva?” (Ez 18,23)

“Deus não fez a morte, nem tem prazer com a destruição dos vivos. Ele criou todas as coisas para existirem, e as criaturas do mundo são saudáveis: nelas não há nenhum veneno de morte, nem é a morte que reina sobre a terra: pois a justiça é imortal.” (Sb 1,13-15)

A morte entrou no mundo por causa do pecado: “Em consequência do pecado original, o homem deve sofrer “a morte corporal, à qual teria sido subtraído se não tivesse pecado” (GS 18, CIC 1018)

“A morte corporal, à qual o homem teria sido subtraído se não tivesse pecado”(GS, 18), é, assim, o “último inimigo” do homem a ser vencido (1Cor 15,26) (CIC 1008)

2 – Cristo nos libertou da morte eterna

Com o preço da sua vida imolada na cruz, Jesus satisfez a justiça divina com uma oblação e reparação de valor infinito, e nos libertou das garras da morte e do demônio. Jesus passou pela morte para destruí-la: “Visto que os filhos têm em comum a carne e o sangue, também Jesus participou da mesma condição, para assim destruir, com a sua morte, aquele que tinha o poder da morte, isto é, o diabo, e libertar os que, por medo da morte, estavam a vida toda sujeitos à escravidão” (Hb 2,14-25).

Cristo passou pela morte para transformá-la. “Jesus, o Filho de Deus, sofreu Ele também a morte, própria da condição humana. Todavia, apesar do seu pavor diante dela (Mc 14, 33-34), assumiu-a em um ato de submissão total e livre à vontade de seu Pai.  A obediência de Jesus transformou a maldição da morte em bênção” (Rom 5, 19-21) (CIC 1009).

O profeta Isaías, 700 anos já anunciava isso: “O Senhor Deus eliminará para sempre a morte e enxugará as lágrimas de todas as faces e acabará com a desonra de seu povo em toda a terra, o Senhor o disse.” (Is 26,8). “Como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos reviverão.” (1 Cor 15,22).  “A morte foi tragada pela vitória. Ó morte, onde está a tua vitória? Onde está o teu aguilhão?” (1 Cor 15,57).

3 – Completo na minha carne e a Paixão de Cristo (Col 1,24)

A Igreja nos ensina que ser cristão é participar da Paixão de Cristo pela salvação da humanidade. Cristo sofreu Sua Paixão e Morte, e como nós somos membros do Seu Corpo (1 Cor 12,27), Ele nos convida a completar, em nossa carne, Sua Paixão redentora do mundo; senão, ela fica incompleta. Mais do que um horror para nós, isso deve ser uma honra, como dizia Santa Teresa de Ávila.

“Para os que morrem na graça de Cristo, é uma participação na morte do Senhor, a fim de poder participar também de sua Ressurreição (Rom 6, 3-9)” (CIC 1006). Para participar da Ressurreição de Cristo é preciso participar de Sua Morte. Os santos falavam em “morrer antes de morrer”, ou seja, viver desapegado de todas as coisas desta vida. Essa vida é uma caminhada para Deus. Jesus disse que se o grão de trigo não cair na terra e morrer, não pode dar fruto.

A Igreja nos ensina: “A novidade essencial da morte cristã está nisto: pelo batismo, o cristão já está sacramentalmente “morto com Cristo” para viver uma vida nova; e, se morrermos na graça de Cristo, a morte física consuma esse “morrer com Cristo” e completa, assim, nossa incorporação a ele em seu ato redentor” (CIC 1010).

Vivemos em “paróquia”, porque essa palavra vem do grego e quer dizer “exílio”. Nossa pátria definitiva não é aqui, ninguém fica aqui para sempre. São Paulo disse aos filipenses: “Nós, porém, somos cidadãos dos céus. É de lá que ansiosamente esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará nosso mísero corpo, tornando-o semelhante ao seu corpo glorioso, em virtude do poder que tem de sujeitar a si toda criatura” (Fil 3,20-21).

“Na morte, Deus chama o homem a si. É por isso que o cristão pode sentir, em relação à morte, um desejo semelhante ao de São Paulo: “O meu desejo é partir e estar com Cristo” (Fl 1, 23) e transformar sua própria morte em um ato de obediência e de amor ao Pai, a exemplo de Cristo”. (Lc 23, 46) (CIC 1011)

Os santos entenderam isso e viveram nesta ótica. São Paulo dizia: “Para mim, viver é Cristo, e morrer é lucro” (Fl 1,21). Isto é “morrer antes de morrer”.

“Por toda parte e sempre levamos em nós mesmos os sofrimentos mortais de Jesus, para que também a vida de Jesus seja manifestada em nossa frágil natureza. De fato, nós, os vivos, somos continuamente entregues à morte, por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus seja manifestada em nossos corpos” (2Cor 4,10-11).

A maioria dos cristãos tem horror de pensar nessas coisas, mas é Deus nos falando. Então, não pode ser algo tenebroso, ao contrário, é a verdadeira felicidade nesta vida imperfeita; querer o contrário é viver uma vida cheia de angústia, tristeza e desolação diante de cada perda que o apego nos escraviza.

4 – Por que tememos nossa morte?

O que nos faz sofrer é o apego às criaturas e a nós mesmos. A vida não é nossa, é de Deus, Ele no-la deu; só Ele sabe quando ela ia começar e quando vai terminar. Então, não podemos ser apegados nem à própria vida, disse Jesus:

“Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me. Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas aquele que tiver sacrificado a sua vida por minha causa, recobrá-la-á” (Mt 16,24-25).

“Se alguém vem a mim, mas não me prefere mais que a seu pai, sua mãe, sua mulher, seus filhos, seus irmãos, suas irmãs e até a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. E quem não carrega a sua cruz e me segue, não pode ser meu discípulo” (Lc 14, 26-27).

Por isso, devemos amar muito nossos entes queridos, mas amar a Deus mais ainda. Aceitar a nossa morte, e a morte de nossos entes queridos, na fé, é um ato de amor e de submissão a Deus, mesmo que seja em lágrimas. Santo Afonso de Ligório dizia que a nossa última oferta a Deus nessa vida, o nosso último ato de aceitação de Sua santa vontade, é aceitar a nossa morte e a de nossos caros, como Deus a permite. Por isso o sábio Jó disse, na amargura do seu sofrimento e diante de todas as perdas: “Deus dá, Deus leva, bendito seja Deus!” (Jó 1,21).

5 – Precisamos viver bem para morrer bem

A Igreja nos ensina que cada um morre como vive. Diz o nosso Catecismo: “A morte é o fim da peregrinação terrestre do homem, do tempo de graça e de misericórdia que Deus lhe oferece para realizar sua vida terrestre segundo o projeto divino e para decidir seu destino último.

Quando tiver terminado “o único curso de nossa vida terrestre” (LG, 48), não voltaremos mais a outras vidas terrestres. “Os homens devem morrer uma só vez” (Hb 9,27). Não existe reencarnação depois da morte.”(n. 1013)

A Igreja nos encoraja à preparação da hora da nossa morte (“Livra-nos Senhor, de uma morte súbita e imprevista”: antiga ladainha de todos os santos), a pedir à Mãe de Deus que interceda por nós “na hora da nossa morte” (Ave-Maria) e a entregar-se a São José, padroeiro da boa morte.  

O cristão deve viver preparado para se encontrar com Deus. Em vez de se preocupar em saber quando Jesus voltará, deve se preparar para ir encontrar-se com o Senhor na morte. Quem vive na comunhão com Deus, morre com Ele.

6 – Não esquecer dos que já morreram

Sabemos que o Purgatório existe; há muitas passagens bíblicas que confirmam essa realidade que a Igreja considera dogma de fé desde os seus primórdios. Em virtude da “comunhão dos santos”, a Igreja recomenda os defuntos à misericórdia de Deus e oferece em favor deles sufrágios, particularmente o santo sacrifício eucarístico. No dia de Finados, cada sacerdote é autorizado a rezar três Missas pelas almas. Esta é a fé da Igreja. (cf. CIC 1030s)

As almas que se purificam no Purgatório para chegarem à santidade perfeita e entrarem em comunhão com Deus (cf. Hb 12,14) não podem fazer nada por elas mesmas, e recebem auxílio da Igreja militante e triunfante. É uma caridade rezar pelo sufrágio delas e lhes oferecer as orações, penitências e indulgências.

7 – Cresce o número de suicídios

Há um crescimento assustador do número de suicídios no mundo hoje, sobretudo entre jovens. A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que há um suicídio a cada 40 segundos no mundo. Já é a 3ª causa de mortes nos EUA e a 2ª na Europa. Diz que houve um aumento de 1900% para homens e 300% para mulheres. 90% dos casos estão entre pessoas com doenças psiquiátricas.*

Os pais precisam observar os comportamentos dos filhos nesses casos, e também em casos comuns quando o jovem tem fortes decepções: a perda de um familiar ou amigo, o fim de um namoro, a decepção nos estudos. O suporte familiar é a principal ajuda para evitar as mortes. Outro cuidado é com o que os jovens acessam na internet.

Um fator que leva os jovens ao suicídio  é não saber trabalhar as perdas. Muitos jovens que foram superprotegidos na infância, depois não sabem se defender dos problemas da vida e se desesperam. Os pais não podem evitar que seus filhos enfrentem a vida e os seus problemas desde a infância para se preparar para o combate da vida. Há uma tendência perigosa dos pais quererem dar aos filhos tudo o que não receberam de seus pais, e isso pode estragá-los, fragilizando-os.

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Os filhos devem ser educados pela conquista e pela fé. O amor e o carinho dos pais é fundamental, não humilhá-los etc., mas, sem superproteção. Com a conquista deve-se levá-los a viver a vida religiosa, obediência aos mandamentos de Deus e respeito ao sagrado, a começar da própria vida. A fé nos fortalece nos combates deste mundo.

Infelizmente cresce no mundo a prática ofensiva a Deus do “suicídio assistido”, legal em alguns países. É um incentivo à morte, ofensa grave a Deus.

O nosso Catecismo diz: “Cada um é responsável por sua vida diante de Deus, que lha deu e que dela é sempre o único e soberano Senhor. Devemos receber a vida com conhecimento e preservá-la para sua honra e a salvação de nossas almas. Somos os administradores e não os proprietários da vida que Deus nos confiou. Não podemos dispor dela. É gravemente contrário ao justo amor de si mesmo. Ofende igualmente o amor do próximo, porque rompe injustamente os vínculos de solidariedade com as sociedades familiar, nacional e humana, às quais nos ligam muitas obrigações.

O suicídio é contrário ao amor do Deus vivo. Se for cometido com a intenção de servir de exemplo, principalmente para os jovens, o suicídio adquire ainda a gravidade de um escândalo. A cooperação voluntária ao suicídio é contrário à lei moral. Distúrbios psíquicos graves, a angústia ou o medo grave da provação, do sofrimento ou da tortura podem diminuir a responsabilidade do suicida. Não se deve desesperar da salvação das pessoas que se mataram. Deus pode, por caminhos que só ele conhece, dar-lhes ocasião de um arrependimento salutar. A Igreja ora pelas pessoas que atentaram contra a própria vida” (2280-2283).

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Prof. Felipe Aquino


Doutor em engenharia mecânica, pregador e escritor

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