Casamento feliz dá trabalho

Ser feliz dá trabalho, viver na “onda” dos sentimentos, não!

 

Vocês sabem definir o que é percepção? Vou dar um exemplo para vocês. O som da minha voz chega até vocês por meio de vibrações, de ondas sonoras no ar, as quais chegam aos ouvidos e é enviada ao cérebro, fazendo com que vocês interpretem o que eu estou dizendo.

Perceber é entender os fatos, olhar as coisas à sua volta e interpretar o que está acontecendo.

Nós achamos que sabemos das coisas, mas sabemos muito pouco, percebemos muito pouco a realidade. Ansiedade, nervosismo, cansaço, tudo isso atrapalha, pois faz com que nossa percepção fique alterada.

Primeiro, precisamos entender o que é ser feliz. Deus quer que todo casal seja feliz, porque Ele não fez ninguém para viver na miséria. Mas o que você percebe por felicidade? Qual é o seu conceito de ser feliz?

Enfrentando os conflitos familiares

João Carlos e Maria Luíza. Fotos: Wesley Almeida/cancaonova.com

Felicidade é diferente de alegria

Felicidade é um estado. Quando você tem felicidade, significa que ela está em você. Já a alegria é uma circunstância de momento, não está em nós o tempo todo. As pessoas têm prazer e acham que isso é felicidade, mas, passado aquele momento, veem que não têm a felicidade. A alegria pode nos levar à felicidade, mas não é felicidade.

Por vezes, achamos que, num momento em que não estamos alegres não temos felicidade. É por isso que precisamos reconstruir o nosso conceito de ser feliz, pois felicidade é feita de tristeza também. Quantas tristezas vivemos no nosso relacionamento! No entanto, somos felizes.

Felicidade não é só ter prazer nem somente momentos de alegria ou tristeza.

A pessoa está carente, não está alegre; de repente, encontra, no Facebook, aquela ex-amiga ou ex-amigo e começam a recordar os momentos que viveram no passado. Aí começam a achar que não são felizes com o marido, com a esposa, porque se veem mais felizes com essas pessoas. Começam a se distanciar do cônjuge. Quando veem, estão nutrindo sentimentos por outra pessoa.

Felicidade e trabalho

Trabalho é o que Deus fez na nossa vida; felicidade é o que Ele está fazendo em nossa vida.
Se fôssemos olhar a nossa falta de sentimento, já teríamos descartado a pessoa, porque há dias em que não temos sentimento por ela, e isso é normal. A nossa vida é feita de todos os sentimentos, de alegrias, tristezas e decepções, por isso precisamos nos esforçar.

Maria Luíza: A minha família sempre foi desestruturada. Meu pai espancava minha mãe, e nós filhos presenciávamos isso. Saíamos correndo pelas casas desesperados nestes momentos. Eu fui vivendo a minha vida com aquilo. Meus pais se separaram quando eu tinha nove anos de idade.

Meu pai era fumante e alcoólatra, mas minha mãe nunca falou mal dele. Não falem mal um do outro, porque isso descaracteriza a figura do pai e da mãe. Minha mãe, uma mulher de Deus, não tinha noção disso, mas dizia: “Isso é a bebida, não é o seu pai. Seu pai é um homem bom”. Eles se separaram quando eu tinha nove anos de idade.

Um dia, num encontro, aos dezessete anos, eu ajoelhei e disse a Deus: “Se o Senhor é Deus, cura o meu pai, porque ele está jogado na rua. Eu quero chegar em casa e encontrá-lo lá”. Quando cheguei, eles separados já, meu pai bateu à porta de casa. Quando eu saí para atendê-lo, ele só disse: “Filha, você me perdoa?”. Eu disse: “Eu te perdoo, pai”. A partir daquele dia, ele nunca mais bebeu.

Deus me fez acreditar no casamento. Lutem até o fim!

Eu poderia ter sido prostituta, poderia ser revoltada, mas Deus consertou tudo e hoje eu sou feliz. Meus pais reataram o casamento? Não! Mas, hoje, meu pai tem um tumor e quem cuida dele é a minha mãe. Eles são amigos. Eu precisei estar 100 % feliz? Não! Deus foi fazendo os milagres antes.

João Carlos: Alguma coisa poderia ter ficado no coração da pessoa que vive isso, mas a Maria Luíza busca, constantemente, a cura interior. Como nós partilhamos nossa vida, como eu sei da história de vida dela, há momentos em que eu me calo quanto ela está nervosa.  Quando percebo que ela está mais calminha, eu a chamo: “Vamos conversar?”.

Influências: Macro e Micro

Temos uma influência macro, ou seja, somos influenciados o tempo todo. Influência “macro” é a sociedade que nos impõe teorias de que é impossível viver a dois, de que é preciso buscar prazer para amenizar os momentos de tristeza.

Papa João Paulo II já chamava nossa atenção para o fato de que existe uma conspiração, uma ideologia, um plano para destruir o ser humano a partir da família. Outra influência é a “micro”, as manias que trazemos de nossas famílias.

Percepções distorcidas

Perceba como temos influências macro e a micro! Nós entramos no casamento com tudo isso. Você pode ter trazido percepções que não são verdadeiras. O chamado “transtorno da bola de cristal”. Se o outro olha “meio de lado” você pensa: “Já sei! É comigo essa raiva aí”. Somos como uma antena que capta sinais o tempo todo.

O tempo inteiro podemos estar armados, sem abrirmos o coração para ouvir o que o outro tem a nos dizer. Precisamos de cura.

Se você, mulher, em sua história de vida, ouviu sua mãe dizer que homem não presta, corre o risco de desacreditar nele na primeira “pisada na bola” que ele der. A nossa interpretação é negativa diante do outro, por causa da nossa história de vida ferida e machucada.

Ninguém vai conseguir viver tendo percepções negativas o tempo todo. Por isso, precisamos da cura. Reveja sua história de vida. Como as atitudes do seu pai e da sua mãe repercutiram dentro de você?

Veja como casamento dá trabalho! Precisamos acabar com a visão de que casamento é um conjunto de momentos alegres. Essa ideologia assola o mundo, acaba com os casamentos. Casamento feliz dá trabalho, porque temos de nos esforçar para fazer o cônjuge ser o melhor que ele pode ser.

Dois passos a serem dados

O primeiro passo é diagnosticar: entenda o que está acontecendo com você.

O segundo passo é propor solução. Qual é o problema, é o macro e o que é micro? Ou é sua história de vida que está sufocando, acabando com o outro? Se for o macro, essa ideologia, busque estar perto de pessoas que pensam diferente, busque estar perto de pessoas da Igreja. Busque os documentos da Igreja, leia-os, converse com pessoas que podem ajudá-lo.

Se o problema for o micro, o relacionamento está complicado, porque você tem muitas questões existentes dentro de você. Busque ajuda, procure tratamento. Às vezes, vocês ficam brigando o tempo inteiro dentro de casa, e o ambiente fica conturbado. Admita que você precisa de ajuda, tenha uma terceira pessoa que seja mediadora entre vocês.

Creia que a sua família será salva, porque vocês são filhos amados de Deus. Entregue o que você tem de mais precioso para Deus e Ele agirá.

 

Transcrição e adaptação: Sandro Arquejada

Veja também:

.: Só o verdadeiro amor faz um casamento feliz
.: É preciso caminhar no amor de Deus


Maria Luiza e João Carlos


Casal de Missionários da Comunidade Canção Nova Segundo Elo

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