Fica em nossa casa, Senhor

O diálogo tem poder de reconstruir as famílias

Uma pregação a dois é sempre mais difícil devido o tempo e o outro completará o que o outro está falando. Vamos abrir a Palavra de Deus onde falaremos dos discípulos de Emaús. Um dos discípulos era Cleófas e o outro não sabemos o nome, por isso daremos o nosso próprio nome.

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Dunga e Néia. Foto: Arquivo Canção Nova

É uma alegria ver muitas pessoas buscando salvar as famílias. Como mãe, eu digo que nós assumimos a condição de protetora da nossa família. Vamos ler a Palavra de Deus. 

“E eis que no mesmo dia iam dois deles para uma aldeia, que distava de Jerusalém sessenta estádios, cujo nome era Emaús. E iam falando entre si de tudo aquilo que havia sucedido. E aconteceu que, indo eles falando entre si, e fazendo perguntas um ao outro, o mesmo Jesus se aproximou, e ia com eles. Mas os olhos deles estavam como que fechados, para que o não conhecessem. E ele lhes disse: Que palavras são essas que, caminhando, trocais entre vós, e por que estais tristes? E, respondendo um, cujo nome era Cléopas, disse-lhe: És tu só peregrino em Jerusalém, e não sabes as coisas que nela têm sucedido nestes dias? E ele lhes perguntou: Quais? E eles lhe disseram: As que dizem respeito a Jesus Nazareno, que foi homem profeta, poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo. E como os principais dos sacerdotes e os nossos príncipes o entregaram à condenação de morte, e o crucificaram. E nós esperávamos que fosse ele o que remisse Israel; mas agora, sobre tudo isso, é já hoje o terceiro dia desde que essas coisas aconteceram. É verdade que também algumas mulheres dentre nós nos maravilharam, as quais de madrugada foram ao sepulcro; E, não achando o seu corpo, voltaram, dizendo que também tinham visto uma visão de anjos, que dizem que ele vive.
E alguns dos que estavam conosco foram ao sepulcro, e acharam ser assim como as mulheres haviam dito; porém, a ele não o viram. E ele lhes disse: Ó néscios, e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram! Porventura não convinha que o Cristo padecesse estas coisas e entrasse na sua glória? E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras.
E chegaram à aldeia para onde iam, e ele fez como quem ia para mais longe.
E eles o constrangeram, dizendo: Fica conosco, porque já é tarde, e já declinou o dia. E entrou para ficar com eles. E aconteceu que, estando com eles à mesa, tomando o pão, o abençoou e partiu-o, e lho deu. Abriram-se-lhes então os olhos, e o conheceram, e ele desapareceu-lhes. E disseram um para o outro: Porventura não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava, e quando nos abria as Escrituras?
E na mesma hora, levantando-se, tornaram para Jerusalém, e acharam congregados os onze, e os que estavam com eles, Os quais diziam: Ressuscitou verdadeiramente o Senhor, e já apareceu a Simão. E eles lhes contaram o que lhes acontecera no caminho, e como deles fora conhecido no partir do pão.” (Lc 24, 13-35)

Duas coisas importantes: o caminho que eles estavam fazendo de volta para casa e o partir do pão.

No caminho de volta para casa surge o milagre da família

O caminho de volta para casa, triste, abatidos. Seja fisicamente falando, voltando para casa após um dia de trabalho, um dia de viagem, um dia de enterro, um dia de hospital, seja qual for o caminho de volta para casa. Imagina agora todos os tipos de “voltas” que você faz para ir de volta para casa. Eu passo, por exemplo, e pego a Néia no Santuário e voltamos para a nossa casa. Voltamos partilhando coisas boas, ruins, e vida. Normalmente, a gente tenta esgotar a conversa pelo caminho, vamos resolver antes de chegar em casa.

É uma conversa em que fazemos de tudo para resolver aquela situação. Nessa hora o coração pode se abater, ficar triste, mas é o momento em que voltamos o nosso olhar para dentro de casa. E é justamente nessa estrada de volta para casa, todos os dias, seja de carro, a pé, de ônibus, que o marido e a esposa fazem com que Jesus tenha, de novo, a oportunidade de voltar no meio deles.

Jesus entra no meio dos discípulos, do marido e da esposa, e começa a fazer parte da conversa de vocês. Às vezes, é uma conversa tensa, em que você não olha mais no olho, que vocês estão chateados, que Jesus participa com vocês. Ele entra na conversa e diz: “Casal, vocês estão espantados com o quê?” Era isso que ia acontecer, Jesus chama a nossa atenção.

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É preciso recuperar a capacidade de dialogar

A primeira coisa que precisamos recuperar em nossas famílias é o diálogo entre o homem e a mulher. É a capacidade de dialogar, porque é no diálogo que Deus entra e começa a esclarecer.

Quando estamos tristes, ressentidos, a gente vai deixando a inteligência de lado e vai tomando conta da gente as feridas, mágoas, traumas e o passado. A conversa fica ofensiva no qual um joga na cara do outro as coisas ruins. É necessário que o caminho de volta para casa seja recheado de diálogo.

Desde a nossa concepção, Deus havia nos escolhido e tinha uma história para nós. Mas, para que essa história acontecesse precisávamos fazer a nossa opção por Deus. Eu e o Dunga fizemos a opção que Jesus estivesse em nosso meio.

Quando o Dunga viaja e eu fico um tempo sozinha, fico rezando para que no retorno dele eu fale todas as coisas que eu preciso falar. É um filho, uma conta, um problema, e eu preciso ver qual situação é prioritária. Vamos fazer 29 anos de casados em fevereiro, mas precisamos saber o que nós queríamos desde o início. Eu queria uma família abençoada, que o amor reinasse e eu precisava, como mulher, dialogar com o Dunga e me colocar à disposição de Deus para aprender a cuidar do meu marido.

Muitas vezes, como mulher, eu não sei o que ele precisa, o que ele quer, e eu precisei aprender a cuidar do Dunga. A nossa vida sexual, nós conversamos, porque precisamos saber o que preenche um e outro, o que satisfaz um e outro. Isso tudo regado com o amor de Deus, pedindo a Nossa Senhora que ela nos ensine a viver no mundo de hoje. É você ensinando algo dentro da sua casa e o mundo ensinando outro.

Eu pedi ao Senhor para que a nossa casa fosse o melhor lugar para os nossos filhos, nossos amigos, e é isso que eu digo, é preciso dialogar. O diálogo, lá em casa, começa quando nós arrumamos a nossa cama e depois vamos para o nosso banho.

A cama que já sentiu tanto gozo, é o nosso altar, foi ali que fizemos nossos filhos, que nos entregamos totalmente um ao outro. Foi ali que ficamos nus um para o outro e um está dentro do outro, literalmente falando. E daí vamos esticando o lençol, colocando as almofadas, o cobre leito, a gente vai trocando ideia e conversando. Depois, vamos para o banho juntos e assim vamos dialogando.

O diálogo está sendo substituído pelo whatsapp, pelos recursos tecnológicos e daí você vai perdendo a graça de dialogar com seu cônjuge. É preciso retomar os assuntos em comum, nossos filhos, nossas histórias e tantos outros.

Quer retomar o diálogo?

Passe a arrumar a mesa da refeição seja café da manhã, almoço ou jantar. A mesa é o segundo lugar mais íntimo do casal, porque o primeiro é a cama. Faço um elogio para a minha esposa, há 29 anos que a mesa do café da manhã é arrumada todos os dias. E o que acontece na mesa? Partilha, é ali que vamos retomar os assuntos comuns da família.

Na minha casa, aos domingos, é normal sentarmos à mesa por volta de 12h00 e levantarmos da mesa 21h00 da noite. É normal, vamos conversando, partilhando alegrias e tristezas e Jesus está ali em nosso meio. A sua casa tem a possibilidade de reconstruir o seu lar a partir das refeições.

Os nossos filhos estão adultos, temos uma neta e estamos vendo que é necessário retomar ainda mais as partilhas. Pois diante de toda tecnologia, modernidade, quem governa a casa é o esposo e a esposa. Os amigos dos nossos filhos vêm nos visitar, tem dias que têm vinte pessoas em casa, porém eles sabem que nós temos regras e valores. Quem entra na minha casa sabe que nós somos família e que Deus habita ali.

As pessoas veem como nós tratamos os nossos filhos e como eles nos tratam. É importante o casal dialogar para passar para os filhos os verdadeiros valores. Os pais, por medo de chatearem os filhos e os perderem, vão deixando os valores. Conquiste os seus filhos, não tenha medo de deixar claro os valores!

Convide os amigos dos seus filhos para virem até sua casa. Você precisa conhecer os amigos dos seus filhos, porque o pecado cheira mal, maconha tem seu cheiro próprio e você precisa saber que cheiro os amigos dos seus filhos têm. A nossa casa é casa dos amigos dos nossos filhos. Há qualquer momento e dia eles são todos bem-vindos. Apesar da bagunça eles respeitam as regras.

Os amigos falam: “pô, seu pai é da hora. Seus pais são legais!” Eu sento na sala para ver que filme eles estão assistindo, vou perguntando sobre o filme, comentando, fazendo pergunta, até quando percebo que estou atrapalhando, então eu deixo no momento deles.

É importante gastar tempo com a sua família. Cuide da sua esposa, do seu esposo, dos seus filhos e dos netos. A casa deve ser um lugar onde todo mundo quer ir. Faça da sua casa um lugar agradável!

Transcrição e adaptação: Fernanda Soares

Adquira esta pregação pelo telefone: (12) 3186-2600


Dunga e Néia


Casal de missionários da Canção Nova

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