Ao iniciarmos o Tempo Comum, vivemos a dinâmica da morte e ressurreição de Jesus

Missa Padre Paulo Ricardo

Foto: Daniel MAfra

Meus queridos irmãos, retomamos a caminhada da Igreja no Tempo Comum!

O centro do ano litúrgico é a Páscoa, quando celebramos a Ressurreição de Jesus Cristo. Nesse tempo litúrgico, configuramo-nos a Cristo, por isso somos chamados a fazer abstinência de carne às sextas-feiras.

O sacrifício ordinário é a abstinência de carne às sextas-feiras, um sacrifício comum. Por que a carne? Porque ela é um alimento que fica por mais tempo no estômago para ser digerido. Se eu como peixe ou ovo, ou uma lata de sardinha, eles se digerem mais facilmente, e a fome volta. Por isso, a Igreja, sabendo que aquela vontade de comer volta logo, traz-nos isso como uma forma de penitência. Então, todas as sextas-feiras, somos chamados a fazer penitência.

Precisamos nos unir a Cristo crucificado: jejuar, abstermo-nos de carne quando nos manda a Santa Mãe Igreja: todas as sextas-feiras (menos nas festas litúrgicas), na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira da Paixão.

Nessas sextas-feiras, entramos em comunhão com a Paixão de Cristo. Com Ele, somos chamados a subir ao Calvário, descer ao sepulcro e, no domingo, viver com Ele a Ressurreição. Estou dizendo que temos, todas as semanas, a dinâmica de uma Páscoa semanal, que deve modelar a nossa vida. Agora, estamos entrando no Tempo Comum, cuja dinâmica é a Morte e a Ressurreição configuradas a Cristo.

Tudo isso para chegarmos agora ao sábado, que entra na história da seguinte maneira: quando aquela pedra rolou, também rolou sobre a Igreja. Ela desapareceu da face da terra e sobreviveu com uma única pessoa: A Virgem Maria. Quando chegou o domingo de manhã, ninguém acreditava na Ressurreição. Jesus já havia explicado e dito tudo aos discípulos sobre a Ressurreição, que não era uma parábola como muitos achavam. Ele anunciou que iria ressuscitar.

Missa com Padre Paulo Ricardo

Foto: Daniel Mafra

Durante a Paixão, 11 discípulos fugiram, permanecendo apenas João, Maria e as mulheres. Mas no sábado permaneceu apenas Maria. Como a fé deles poderia ter falhado? Com a morte de Jesus, a fé de muitos morreu, pois eles não acreditavam que o Senhor iria ressuscitar.

Quando João entrou no túmulo vazio, a Palavra nos diz: “Ele viu e acreditou. Mas houve uma pessoa que não foi ao túmulo, porque sabia que Jesus não estava lá. Porque procurais entre os mortos Aquele que está vivo?”.

Maria ficou no sábado aguardando a Ressurreição de Seu Filho, na fé. “Bem-aventurada aquela que acreditou”. Ela é bendita, porque teve uma fé inabalável. Não há nenhuma pessoa humana que tenha tido um ato de fé maior que a Virgem Maria. Ela foi a criatura humana mais perfeita, que seguiu seu Filho com toda fé.

A Igreja foi reduzida, no sábado, à pessoa de Maria. Por isso, todas as semanas, temos a nossa Páscoa semanal: na sexta-feira, a Paixão; no sábado, com Virgem Maria; e domingo a Ressurreição.

São Luiz Maria Monfort nos diz: “Pode uma Mãe parir a cabeça e não gerar o corpo?!”. Se ela é Mãe da cabeça, também o é da Igreja. No Sábado Santo, ela foi a semente de mostarda, a pequenina, da qual cresceu uma árvore frondosa, onde todos buscam repouso. Daquela pequena semente de mostarda, a que Maria foi reduzida no Sábado Santo, cresceu e surgiu a Igreja Santa pela fé de Maria.

Sábado dedicado a Virgem Maria

O Catecismo 675 nos ensina que, no fim dos tempos, a Igreja vai desaparecer e diminuir de tamanho, e então a Jerusalém Celeste vira do Céu. O script do fim dos tempos já está escrito, só não sabemos quando. Sei que, no fim dos tempos, haverá uma apostasia geral, haverá o anticristo, que virá como uma falsa solução messiânica, como solução para os problemas do mundo. Aparentemente, a Igreja irá desaparecer, mas ela não acabará, pois sobreviverá naqueles que são da Virgem Maria. Assim como o Sábado Santo sobreviveu na Virgem Maria, será a Igreja, no fim dos tempos, que sobreviverá nela. Por isso, segure firme nas mãos da Virgem Maria e aguente a onda, porque você precisa da fé que sobrevive em meio às provações.

A consagração a Nossa Senhora não é algo mágico. Se você não a viver com as virtudes da Virgem Maria, não vale de nada, não dá certo; e a primeira virtude dela é a fé.

Peça fé dentre as primeiras coisas quando você for rezar. Se caímos nos pecados da sexualidade, precisamos pedir mais fé.

Diga a Nossa Senhora: “Eu sou todo teu e tu és toda minha”. As virtudes de Maria são nossas quando nos consagramos a ela. Eu digo que sou dela, mas também ela é toda minha. Quando você for comungar, diga a Jesus: “Eu tenho aqui um suplemento, a fé de Sua Mãe. Jesus, o meu amor é bem pequeno quando recebo a comunhão, mas o amor de Maria é meu e, como ela vivia tudo para o Senhor, eu também quero viver, com todas as virtudes esplendorosas. Que essa Mulher seja aquela que O ama em mim”.

A Virgem Maria é belíssima, porque belas são suas virtudes e seu coração. Como é belo amar a Deus assim e ser todo d’Ele!

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