Mãe sentinela

Sentinela, vigiai e orai!

“A palavra do Senhor veio a mim nestes termos: “Filho do homem, fala a teus compatriotas e dize-lhes: Quando eu faço vir a espada contra um país, a população desse país escolhe um dos homens da região e o coloca como sentinela” (Ez 33, 1-2).

Mãe é sentinela de Deus, porque Deus nos escolheu para estarmos vigilantes dia e noite. “Mãe sentinela” nós traduzimos por mãe da fé.

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Pregação Ângela Abdo/Foto: Daniel Mafra CN

Mães, normalmente os vigias, os sentinelas, ficam em pé, mas nós ficamos de joelhos. Quando colocamos nossos joelhos no chão Deus vem em nosso socorro.
Temos que estar atentas aos sinais de ataque do inimigo.
Ninguém, nenhum filho começa a “cair na gandaia”, na farra, de uma hora para outra, mas eles começam dando sinais, primeiramente pela fé. A fé vai ficando de lado.
Temos que sentir, porque tem coisas que só o instinto materno pode sentir, tudo está bem por fora, mas nos corações não, o clima fica diferente. Sentimos o que não aparece.

Não adianta se desesperar, nem gritar

Precisamos também ter discernimento. Tenho visto pessoas pelo Brasil que rezam aos gritos. Você consegue imaginar um vigia desesperado? Não, né? Outra coisa que o vigia faz quando vê um perigo é ele tocar a trombeta, qual é a trombeta da mãe? A oração!

Acalme o seu coração, não se desespere, eu sei das dores, eu também sou mãe, eu sei das dificuldades.
Toda vez que eu estou tensa eu não consigo escutar a Deus e acabo fazendo bobagem. Silencie!

Sentimento de culpa

Temos visto muitas mães com sentimento de culpa. Se o filho nasce doente, “foi porque eu não fiz direito o pré natal”, mas Deus não condena, não culpa ninguém.

Precisamos ser misericordiosas. Quando meus filhos reclamam de alguma coisa eu digo, “Eu fiz o meu melhor. De agora em diante é com a terapeuta, e eu tenho outra receita melhor, vá ao Santíssimo”.

As mães muitas vezes seguram os filhos por sentimento de culpa, por não acharem que fizeram direito. E precisamos deixar eles irem, eles não são nossas propriedades. Temos que rezar, mas temos que deixar nossos filhos seguirem suas vidas.

Juntas e Misturadas

Poucas pessoas realmente acreditam que Deus pode tudo.
Ser sentinela sozinha é muito difícil, nós nos cansamos, descremos. Sozinho o vigia não pode dormir. Mas como estamos juntas, uma dá suporte a outra. Aprendemos a rezar juntas, e isso faz a diferença.
Somos de bairros e localidades, as vezes distantes umas das outras, mas estamos sempre em contato, por isso digo que somos juntas e misturadas. Apoiemos, rezemos umas pelas outras.

Ouça a Deus, pare de reclamar e abençoe!

“Se alguém escutar o toque da trombeta mas não lhe der atenção, e com isso for atingido pela espada, será responsável pela própria morte” (Ez 33, 4).
Será que nós estamos escutando a Deus? Nessa trincheira que o mundo está nos colocando hoje, estamos lutando ou estamos sendo reclamadoras?

Parem de reclamar mães, comecemos a louvar e abençoar.

Nossos filhos não são espelhos, modelos para mostrarmos para os outros.
Eu vivenciei isso, lá em casa quando eu era estudante tinhamos que tirar 10 em tudo, e eu levei isso para minha casa, e nisso foi o primeiro “tombo” que levamos quando minha filha não passou em primeiro lugar no vestibular.
Eles não são perfeitos.

A espera

A terceira questão que a Palavra traz é a questão da espera. O vigia passa anos e anos esperando o inimigo atacar, e não desiste.
Não podemos desistir!
Quando nossos filhos são pequenos e chegam sujos de barro nós os abraçamos e os limpamos. Quando eles ficam grandes nós ficamos moralistas. Quando eles chegam sujos do pecado não queremos os abraçar os acolher. Queremos que seja do nosso jeito.

O livro de Ezequiel mostra duas fases (eu fui estudar para falar a vocês aqui). Na primeira, Ezequiel só fala da destruição que vai acontecer.
Na segunda fase, eles – o povo de Deus – já estão no exílio, e Ezequiel fala da misericórdia. E estou aprendendo com isso!

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Ângela Abdo é coordenadora do grupo de mães que oram pelos filhos, Par. São Camilo de Léllis (ES) e do grupo de amigos da Canção Nova de Vitória/ES.

Eu estou vencendo a fase de falar coisas ruins e só estou proclamando a misericórdia.
A espera deve ser misericordiosa. Não adianta só ficar proclamando coisas ruins, como por exemplo: “Se você não estudar você vai virar carroceiro”.

Deus te chama ao serviço

O dom vem quando a gente se coloca a serviço.
Qual é o serviço que você gostaria de fazer no seu grupo e você não faz? Qual é a mãe que está sendo tocada a abrir um grupo, mas se acha incapaz? O Senhor toca mães no sentimento de incapacidade. Precisamos ser restaurados para trabalhar em Deus.

Faça sua parte, leve a misericórdia para sua casa

“Se, porém, o sentinela vê a espada se aproximando e não toca a trombeta, de modo que o povo não é advertido, e a espada vem e tira a vida de algum deles, pedirei contas desta vida ao sentinela, mesmo que a pessoa tenha morrido por própria culpa” (Ez 33, 6).

Deus é misericórdia, mas temos que fazer a nossa parte. A misericórdia não cai do céu. Como eu posso levar a misericórdia para minha casa? Mostrando Deus.
Falar “Eu te amo” para minha filha mais velha, que fez tudo certo, é fácil. Devo falar também a quem faz tudo errado. Devo continuar orando e esperando o tempo de Deus.
As vezes as pessoas pedem e acham que Deus é obrigado a fazer tudo na hora. Não!

Reze pelos seus antepassados

“Quanto a ti, filho do homem, dize à casa de Israel: É assim que dizeis: ‘Nossos crimes e pecados pesam sobre nós, e por causa deles estamos definhando. Como poderemos viver?” (Ez33, 10)
Devemos rezar pelos erros da nossa família, pedindo pela nossa hereditariedade. Quantos filhos são adúlteros por uma experiência que viram dentro de casa, quantos são agressivos porque foram agredidos em casa?

Vejo muitas mães rezando pelos filhos, mas vejo poucas pedindo por si mesmas. Vamos rezar pedindo pela nossa família, pela nossa hereditariedade?

Quebre seus ídolos

Quebremos os nossos ídolos. E o primeiro ídolo que precisamos quebrar são os nossos filhos.
Muitas mães idolatram seus filhos. Outras idolatram o trabalho, eu trabalhei muito e perdi muitas coisas, poderia ter levado mais eles na escola.
Ainda há a idolatria do julgamento, julgamos e não somos misericordiosas.

Profetize sobre os ossos ressequidos

“A mão do SENHOR estava sobre mim, e o SENHOR me levou em espírito para fora e me deixou no meio de uma planície repleta de ossos. Fez-me circular no meio dos ossos em todas as direções. Vi que havia muitíssimos ossos sobre a planície e estavam bem ressequidos. Ele me perguntou: “Filho do homem, estes ossos poderão reviver?” E eu respondi: “Senhor Deus, és tu que sabes!” (Ez 37, 1-3)
Os ossos ressequidos. Muitas mães me ligam e não acreditam que os ossos poderão reviver.
Deus nos diz: “Prefetiza sobre esses ossos e dize-lhes”. Fale você agora: “Assim diz o SENHOR Deus a estes ossos: Vou infundir-vos, eu mesmo, um espírito para que revivais”. Imagine-se num cemitério e profetize aos ossos.

E o versículo seis é uma promessa: “Eu vos darei nervos, farei crescer carne e estenderei por cima a pele. Porei em vós um espírito para que revivais”.

Dom Silvestre diz assim: “Eu rezo, mas Ele lá em cima é que distribui para quem Ele quer”. Quando eu sou acordada as três horas da manhã eu rezo, mas Ele lá em cima é que sopra.

E muitos dos nossos filhos bonitões, tem carne, tem vigor, mas falta o que? Sopro da vida. Peçamos o sopro da vida.

Maria, rosto da misericórdia

O antigo testamento é repleto de casos de infertilidade, mas o novo testamento é aberto com uma moça que não tinha nada em seu ventre, mas é fecundado pelo Espírito Santo.
Nossa Senhora é a mãe que ora pelos seus filhos, Nossa Senhora é o rosto da misericórdia.

Nosso movimento é mariano, por isso, assim como Maria inaugurou um novo tempo, eu digo aqui, que está se iniciando um novo tempo na vida de vocês.

Amém!

 

Transcrição e adaptação: Sandro Arquejada


Angela Abdo


Coordenadora do grupo de mães no estado do Espírito Santo

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