Complexo de inferioridade, uma ferida emocional que tem cura

Padre Adriano Zandoná/Arquivo CN

Padre Adriano Zandoná/Arquivo CN

Deus quer nos curar do complexo de inferioridade, que faz com nos vejamos lá embaixo e as outras pessoas lá em cima

Neste dia especial, no qual estamos refletindo sobre a cura que Deus reservou para casa um de nós, lembro-me que estava lendo uma palavra do Papa Francisco: “Todo ser humano deseja a felicidade, e essa felicidade que buscamos só pode acontecer com a nossa amizade com Jesus. Essa felicidade Deus quer nos dar já aqui nesta terra”. Eu posso lhe dizer que não há cura se não houver amizade com Jesus.

Eu escrevi o livro “Curados para ser feliz”. Nele, o pressuposto é “Deus é amor”. Quem ama permanece com Deus. Não existe uma realidade que nos cure mais profundamente que o amor.

Quando amamos a Deus, quando nos abrimos para amar aqueles que convivem conosco e a nós mesmos, a cura acontece na nossa vida. Há pessoas que têm muita facilidade para amar a Deus e ao próximo, mas não conseguem amar a si mesmas. Amor começa em casa e Deus quer que comecemos a felicidade aqui. O amor é essência de qualquer cura.

“Pois entre vós não há muitos sábios de sabedoria humana nem muitos poderosos nem muitos nobres. Na verdade, Deus escolheu o que o mundo considera como estúpido, para assim confundir os sábios; Deus escolheu o que o mundo considera como fraco, para assim confundir o que é forte. Deus escolheu o que para o mundo é sem importância e desprezado, o que não tem nenhuma serventia, para assim mostrar a inutilidade do que é considerado importante, para que ninguém possa gloriar-se diante dele” (1Cor 1,26-29).

Deus não está nos diminuindo com essa leitura, pois sabe que somos fracos, pequenos e limitados, mas Ele nos ama e está disposto a nos fazer felizes. Essa leitura é uma narração crua da nossa verdade, e Deus não nos escolheu, porque somos perfeitos. Não! Ele sabe quem nós somos.

O sentimento de inferioridade pode começar na infância

Nessa perspectiva, quero partilhar com vocês sobre uma ferida emocional: o complexo de inferioridade. Há uma diferença entre o sentimento e o complexo de inferioridade. Este último, chamado de baixa autoestima, é a baixa valia, quando você se sente incapaz diante das outras pessoas, sente-se menor quando se compara a elas.

O complexo de inferioridade atrapalha muito a nossa vida, porque nos diz que não somos capazes, que outros são melhores que nós. E tudo isso nasce da comparação! Mas cada ser humano é um dom irrepetível do amor de Deus. Então, porque, às vezes, nos comparamos aos outros? Esse sentimento limitante pode começar na infância por meio do afeto que recebemos dos nossos pais. Nossa autoimagem vai se formando entre os dois e três anos.

Você sabia que a maneira como nos comunicaram sobre nós na infância pode nos moldar?
Se a criança foi enxergada com desdém, se foi comparada com o irmãozinho, ela absorve tudo, porque não tem filtro. A criança que foi vista de maneira inferior vê-se de forma inferior aos outros. A criança que é criada de forma negativa vai criando um pensamento negativo de si mesma.

O mal do século não é a depressão, mas a autossabotagem. Há muitas pessoas que não acreditam em si, e vivem comunicando isso a si mesmas e aos outros.

Deus quer nos curar, Ele não desiste de nós

Diante de Deus, somos todos iguais, únicos, amados e irrepetíveis. Deus quer nos curar desse complexo que faz com nos vejamos lá embaixo e as outras pessoas lá em cima. Não precisamos nos comparar a ninguém, impressionar ninguém. Não podemos ouvir a voz da inferioridade que há em nós nem deixar que ela faça com que nos vejamos como pessoas indignas, sem valor, que não merecem ser amadas e respeitadas, porque grande é o nosso valor.

Jesus derramou cada gota de Seu Sangue para testar o nosso valor de Filhos de Deus. Temos de assumir que somos amados, que Jesus morreu por nós e queremos a felicidade que Ele quer nos dar. Temos de fazer os nossos sentimentos renderem cada vez mais. A felicidade plena só teremos no céu, mas sabemos que Deus quer nos fazer partilhar da felicidade, que é dom da amizade com Ele aqui nesta terra. A felicidade começa aqui e se consuma no céu. Se Deus não desiste de nós, também nós podemos desistir.

Que estímulos você tem dado a si mesmo, se só faz comentários negativos de si? Isso vai se tornando uma crença. É preciso que você transforme sua cabeça, para que as vitórias aconteçam na sua vida.

Quem tem esse sentimento de inferioridade sente-se incapaz, e a consequência disso é encolher-se ou impor-se. É provado que a maioria das pessoas que se impõem é porque se sentem inferiores, medrosas. A pessoa se sente tão pequena, que quer se impor, mostrar que é mais forte, e acaba agindo com autoritarismo. Ela se sente tão inferior, que acaba apontando os defeitos dos outros para se sentir melhor. Quem tem complexo de inferioridade não consegue se amar nem amar ninguém. Quem tem essa ferida, torna-se escravo da aprovação, fazendo tudo para impressionar os outros. Ela não se percebe.

Meus irmãos, mesmo se não nos amaram, Deus sempre nos amou e nos ama. Ele, com amor, sempre nos olhou! Mesmo que não tenhamos nos sentido amados, não tenhamos percebido esse amor, Deus nos amou! Esse é o princípio de toda cura interior.


Padre Adriano Zandoná


Sacerdote da Comunidade Canção Nova

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