O amor de Deus nos cura

Não é pela cura, mas é o amor de Deus que faz valer a vida

 

Matéria

Eliana Ribeiro – Créditos: Wesley Almeida/Canção Nova

Sinto lhe informar que a cura interior não é só um momento da nossa vida, mas é para toda a nossa vida. Enquanto caminharmos nesta vida terrena, nós vamos precisar de cura interior.

O pecado que nos feriu é essa inclinação para baixo. Sendo a morte o salário do pecado, todas as nossas escolhas erradas terão consequências, tudo o que semearmos nós colheremos.

E se não alcançarmos a cura?

Se não formos curados, seremos felizes? Se a cura que imaginamos ter neste vida não for alcançada, será possível ser feliz?

É possível sim, pois, caso contrário, estaríamos limitando a nossa caminhada com Deus, a nossa fé, a uma cura. O Senhor quer nos dar essa felicidade, mas é muito limitado da nossa parte acharmos que tudo se encerra nesta vida. Se não tivermos aquela cura que tanto queremos, vamos ser infelizes? Claro que não!

Eu experimentei a morte muito perto de mim,e sei que ela é a única certeza que temos nesta vida. Até podemos planejar, mas não sabemos o que acontecerá daqui a cinco minutos. Só uma coisa é certa: vamos morrer.

Achamos que a morte é o encerramento de tudo, mas, meus irmãos, nós cristãos temos de crer que a morte é só uma passagem para a felicidade plena. Hoje, ouvimos muito que basta ser feliz nesta terra. Não! Deus derrama a Sua cura sobre nós para conquistarmos a vida eterna, a felicidade perfeita.

Até para nossas crianças existe um desenho animado que diz que o céu é mal, que nos faz acreditarmos que o que construimos nesta terra é o bastante, como conquistas intelectuais, sociais, profissionais e financeiras.

Um divisor de águas em minha vida

Deus sempre tem o melhor para nós. Ele nos surpreende e vai sempre além das nossas expectativas. Eu estou lhe dizendo isso para que você não limite sua vida e seu ministério a uma cura, porque o Senhor quer nos elevar até o céu, pois lá sim teremos a felicidade plena.

Experimentar a morte nesta terra foi um marco para mim. Foi a morte do meu pai que inaugurou um tempo de graça na minha vida. Você pode se perguntar: “Uma morte?” Sim!

Eu estava há um ano na Comunidade Canção Nova e fui passar um fim de ano com meus pais. Na volta, um carro bateu de frente com o nosso.

Eu sentia muitas dores, quebrei o pé, a bacia, a clavícula, rompi os ligamentos da mão. Fiquei sabendo da morte do meu pai, mas não pude ir ao enterro dele. Sofri muito, não tanto pelas dores nem por ter de ficar três meses de cama, mas pela perda do meu pai, pela saudade.

Meu pai, que foi me buscar tantas vezes em que eu bebi e não conseguia chegar em casa. Meu pai, que não entraria comigo no meu casamento.

A dor física era muito grande, mas a dor na alma era muito pior. No entanto, eu nunca questionei Deus. “Eu não merecia estar aqui, não! Eu larguei minha faculdade, meu emprego, larguei tudo o que eu gostava, larguei minha família e é isso que eu recebo com um ano de Canção Nova?!”. Não! Eu não disse nada disso para o Senhor. Eu só dizia: “Eu aceito”.

Nesse tempo, eu fiquei com a minha tia, ficava num quarto em que tinha uma cruz; da janela, eu conseguia enxergar o convento da Penha. E eu dizia: “Eu ofereço”.

Destaque

Eliana Ribeiro prega na Canção Nova – Créditos: Wesley Almeida/Canção Nova

Meu foco, nesta época, não era ser curada, era ter forças. Mesmo em meio às dores, mesmo em meio à tragédia, é possível continuar em Deus, é possível encontrar razão para viver, é possível encontrar alegria.

“Senhor, eis-me aqui. Tudo bem, mas me dê forças”. Mesmo com tudo que passei, eu queria mais de Deus.

Passado todo o tempo de recuperação, quando eu voltei para a Comunidade Canção Nova, fui a casa do padre Jonas e ele me disse: “O professor Felipe Aquino ia pregar agora, mas não pôde vir. Será que você não quer testemunhar o que aconteceu com você e como está superando tudo?”.

Eu respondi: “Durante todo esse tempo, o que eu pedi a Deus foi: ‘Senhor, dá-me forças para eu testemunhar que é possível estar em Ti, mesmo em meio à tragédia. Era exatamente isso que eu esperava!”.

A cura é um meio para sermos mais de Deus

A cura que você recebeu na sua vida, tudo que você passou e sofreu até agora, foi só um meio para que estivesse cada vez mais próximo do Senhor. Em meio a tantas loucuras, tantas crueldades que vemos hoje, é só o amor de Deus que pode nos colocar de pé. É por isso que eu digo: a morte do meu pai foi para mim um divisor de águas.

Não pare, não limite a sua fé. Avance com enfermidades, com pecados, corra para os braços de Deus. Quando nós somos generosos para com o Senhor, Ele nos acolhe e é mais generoso conosco.

Por que Deus permite a maldade e o sofrimento no mundo? Isso é um mistério que não caberá na nossa cabeça. Mas Deus é fiel! Não se limite, não limite a sua fé, a sua mente, a enfermidade que você traz. Pelo contrário, pegue tudo isso e dê mais um pouco. Caiu no pecado? Então, levante-se! Vá buscar a confissão. Peça a Deus também o arrependimento.
Vá a Missa, receba a Eucaristia, que é vital, é o ápice da nossa vida.

 

Transcrição e adaptação: Sandro Arquejada  

Veja:

Reedição do livro “Curar-se para ser feliz”, de padre Adriano Zandoná

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