Hoje, eu devo ficar na sua casa

Moysés Azevedo. Foto: Arquivo cancaonova.com

Moysés Azevedo. Foto: Arquivo cancaonova.com

Deus nos convida a irmos à Sua casa e recebermos a Sua misericórdia

Jesus está presente no meio de nós, mas não só no meio, Ele está dentro de nós, agindo por meio de nós. Esse é o mistério pascal. O Senhor está presente no rito da Eucaristia.

Qual a frase do sacerdote durante o rito? “Eis o mistério da fé”. Qual é o mistério? A resposta é que, por meio da Eucaristia, Deus Poderoso entra no nosso tempo e nos une à Paixão de Cristo, à Morte e Ressurreição de Jesus. Por isso, no momento da Eucaristia, Ele está tão vivo quanto quando estava na Galileia, quando se encontrou com Zaqueu. Naquele dia, o Senhor encontrou Zaqueu e esteve na casa dele. Retomemos essa passagem, que se encontra em Lucas 19,1-10:

“Jesus entrou em Jericó e ia atravessando a cidade. Havia aí um homem muito rico chamado Zaqueu, chefe dos recebedores de impostos. Ele procurava ver quem era Jesus, mas não o conseguia por causa da multidão, porque era de baixa estatura. Ele correu adiante, subiu a um sicômoro para o ver, quando ele passasse por ali. Chegando Jesus àquele lugar e levantando os olhos, viu-o e disse-lhe: ‘Zaqueu, desce depressa, porque é preciso que eu fique hoje em tua casa’. Ele desceu a toda a pressa e recebeu-o alegremente. Vendo isto, todos murmuravam e diziam: ‘Ele vai hospedar-se em casa de um pecador…’ Zaqueu, entretanto, de pé diante do Senhor, disse-lhe: ‘Senhor, vou dar a metade dos meus bens aos pobres e, se tiver defraudado alguém, restituirei o quádruplo’. Disse-lhe Jesus: ‘Hoje, entrou a salvação nesta casa, porquanto também este é filho de Abraão. Pois o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido’.”

Ele nos chama pelo nome

“Zaqueu desce depressa, hoje preciso ficar em tua casa.” Muito interessante essa passagem do Evangelho que trata da ida de Jesus a Jericó. Mas quem é Zaqueu? Segundo a leitura, vemos que ele era chefe dos cobradores de impostos, um pecador da pior espécie para os judeus, tido como ladrão e corrupto, um homem de pequena estatura. Evidência disso vemos no fato de que, para ver Jesus, teve de subir numa árvore. Seu povo não via nele valor, não via nele nada de bom, chamando-o de ladrão; mas Jesus o chama pelo nome. Essa atitude de Cristo reflete a atitude de Deus para conosco. As pessoas, muitas vezes, sabem dos nossos erros, dos nossos pecados, mas Deus conhece todas as coisas e vê mesmo nosso erros obscuros.

Todos somos pecadores, essa é a natureza pecaminosa do homem. Papa Francisco, quando visitava um presídio, oportunidade na qual pôde ouvir um dos detentos, disse ter refletido: poderia ser eu, pois sem Deus eu sou capaz de cometer o pior dos pecados. Mas Cristo é capaz de ver além dos nossos pecados, além da nossa natureza. Nós, muitas vezes, somos acusadores, vemos apenas o erro, a fraqueza e a fragilidade, e nomeamos as pessoas pelos seus erros. Jesus, por outro lado, não faz assim conosco, Ele tem um olhar de amor, misericórdia e cuidado por nós, um olhar de salvação. Apesar de toda nossa debilidade, ele nos chama amorosa, terna e misericordiosamente para junto d’Ele, independente do nosso pecado, pois quer derramar Sua misericórdia sobre nossa vida.

Moysés Azevedo, fundador da Comunidade Shalom, prega na Canção Nova. Foto: Arquivo cancaonova.com

Moysés Azevedo, fundador da Comunidade Shalom, prega na Canção Nova. Foto: Arquivo cancaonova.com

Ele perdoa os nossos pecados

Estamos vivendo o Ano Jubilar da Misericórdia proclamado pelo Papa. O que é, no entanto, a misericórdia? É quando Deus, mesmo sem merecermos, acolhe-nos, perdoa-nos e se faz presente em nosso meio. Sabe aquele pecado, aquele que é a nossa fraqueza, que está sempre sendo jogado na nossa cara? Jesus o tomou sobre si na cruz do Calvário. Ele se fez homem para que pudéssemos recebê-Lo, assim como Zaqueu, em nossa casa, para que a misericórdia d’Ele pudesse repousar sobre nós, perdoando nossos pecados, apagando nossas culpas. Você compreende isso? Ele não só nos perdoa ao agir com misericórdia, como apaga nossos pecados. Por que isso é importante? Você já pensou no livro da sua vida? Sabe aquele em que está descrito todo o seu viver? As coisas boas que você fez, mas também aqueles erros terríveis, aquelas páginas que lhe causam vergonha? Pois bem, a misericórdia de Deus é capaz de arrancar essas páginas, porque ela é maior que qualquer pecado. Então, não importa o que está escrito, o Sangue de Jesus é capaz de apagar qualquer erro. A misericórdia de Deus não falta, nós é que nos cansamos de buscá-la.

Certo dia, levaram um paralítico para Jesus Cristo. Ele, olhando para aquele homem, disse: “Teus pecados estão perdoados”. Aquela afirmação atraiu as críticas dos fariseus, mas Jesus, conhecendo os pensamentos deles, disse-lhes: “Para que saibam que o filho do homem tem poder para perdoar pecados, levanta-te e anda”. Aí está descrito o maior poder que Deus concedeu à Igreja, não o de fazer curas e maravilhas, mas de perdoar os pecados.

Se você ainda não fez essa experiência, faça-a, busque o perdão de Deus, busque a misericórdia, exponha, diante d’Ele, todo mal e toda corrupção que existe em você. Não faça como muitos que vão se confessar e só falam dos pecados dos outros, confesse os seus erros, pois quem precisa de cura e perdão é você. Faça isso para que Jesus tenha liberdade para entrar em sua casa assim como entrou na casa de Zaqueu.

Ele nos faz uma nova criatura

Sempre que vou me confessar, volto-me para o irmão ao lado e digo: “Eu sou uma nova criatura!”. Sabe a razão? A misericórdia nos recria, faz-nos novos e limpos sempre que deixamos que o Senhor nos refaça. Deus sempre nos perdoa e transforma, basta que nos aproximemos d’Ele com coração sincero e arrependido.

Deus nos ama como uma mãe que está para dar à luz seu filho, que tem no ventre um ser se formando. Quando Ele se fez carne, abriu um espaço em Si mesmo para que n’Ele pudéssemos ser formados e transformados. Neste tempo, o Céu está aberto e Deus deseja que todos nós experimentemos da misericórdia d’Ele. Quando Jesus falou com Zaqueu, disse “desce de pressa”. É assim que Ele deseja que experimentemos Sua misericórdia, ou seja, sem tardar. O Pai nos convida a sairmos de nós mesmos, corrermos ao encontro d’Ele, para que possa nos curar e mudar nossa história. Isso é importante, pois é necessário que exista uma ação, uma escolha da nossa parte, para que possamos alcançar a misericórdia do Senhor.

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Para onde devemos correr?

Onde encontramos Jesus? Nós O encontramos na Palavra, pois o Senhor deseja comunicar Sua misericórdia para nós por meio dela. Quando, na Eucaristia, é servido o primeiro prato, que é a Palavra, não temos o mesmo cuidado que temos com a hóstia, de não deixar nenhum pedaço cair ao chão, com zelo e cuidado. O Pão da Palavra, muitas vezes, passa despercebido, com nossos pensamentos distantes, com nosso coração fechado para que a misericórdia possa agir em nós.

A Eucaristia nos insere numa verdadeira fissura nuclear, num lugar de transformação, atrai-nos e tira-nos de nós mesmos, transformando-nos por inteiro. Onde abunda o pecado superabunda a misericórdia de Deus. Não existe nada em nossa vida que possa obscurecer a graça de Deus para conosco. Durante a Eucaristia, Deus entra em nós e nos transforma, pois o Senhor não desiste de nós, Ele nos ama e vê em nós mais valor do que a sujeira dos nossos pecados.

Hoje é o dia da nossa conversão! E conversão não é força, não é nada de nós mesmos, mas a liberdade que damos a Deus, com humildade e reconhecimento de nossa pequenez e miséria, para que o Espírito Santo possa fazer em nós o que não podemos pelas nossas próprias forças. Ele pode fazer o que não podemos, removendo o ressentimento, para que não desejemos a misericórdia apenas para nós mesmos, mas que a estendamos aos outros.

O caminho da felicidade está em oferecer a misericórdia que nos perdoa, que nos transforma e nos faz instrumentos do perdão. Você quer ser feliz? Não viva para si mesmo, viva voltado para Deus e doe-se para os outros, sendo canal de misericórdia para outras pessoas.

Transcrição e Adaptação: Jonatas Passos


Moysés Azevedo


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