Ter os sentimentos de Cristo

Quais foram os sentimentos de Cristo?

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Dom Carmo João – Bispo de Taubaté / Foto: arquivo Canção Nova

Uma vez que estamos chegando ao final do mês de setembro, mês da Palavra de Deus, é preciso fazer uma introdução.

São Paulo nos chama a dar a todos as razões de nossa esperança, portanto, a Palavra de Deus é fundamental para o saber cristão.

Segundo a Constituição Dogmática Dei Verbum, a Igreja venera a Palavra de Deus com a mesma dignidade que venera a Eucaristia, porque por intermédio das duas o povo de Deus é alimentado. Todas as vezes em que nos aproximamos da Palavra, deveríamos dizer: “Fala, Senhor, que teu servo te escuta”. Saibamos também que, quando ouvimos a Palavra, é o Pai quem nos fala.

Quero dizer a você, vicentino, que uma Igreja que não olha para seus filhos doentes não é mais a Igreja de Jesus Cristo.

No Evangelho segundo São Lucas, Jesus diz que Ele é o portador da Boa Nova e vem trazê-la aos pobres,  necessitados e àqueles que são jogados pela sociedade (cf. Lucas 4,16).

Aqueles que refletem sobre a missão de olhar para aqueles que são esquecidos pela sociedade fazem um grande bem.

Na leitura de hoje é o próprio São Paulo que se dirige à comunidade dos Filipenses a qual passava por problemas de harmonia e unidade, pelos quais nós também passamos em nossas. Paulo, porém, os exorta a ser uma comunidade unida com os mesmos sentimentos de Jesus. E para isso precisamos conhecê-Lo profundamente como realmente Ele é.

Existem denominações que se valem da Bíblia para retirar dela o que bem entendem, e este não é o Cristo verdadeiro. Jesus perguntou aos discípulos quem Ele era. Hoje também Ele nos faz a mesma pergunta. Portanto, para sabermos quais são os sentimentos de Cristo Jesus, precisamos saber muito bem quem Ele é. Em primeiro lugar, quais seriam estes sentimentos? Amor. Deus é amor. Cristo veio por amor, Ele nos amou por primeiro. Devemos ter os sentimentos de Cristo, o que não quer dizer sentimentalismo. Paulo não pede que pensemos como Jesus, mas que sintamos como Ele, e isso implica convicções.

Existem católicos que sobrevivem com ‘achismos’, saiba que, na verdade, estes ainda não acharam nada.

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Um dos nossos grandes problemas é que não permitimos que Deus nos ame. Deste modo como vamos ter os sentimentos de Jesus? O Cristo permitiu que o Pai O amasse e Ele também amava o Pai.

Jesus se esvaziou, se desfez de Sua forma divina para assumir uma forma humana, fez-se igual a nós em tudo, exceto no pecado. Cristo se despojou da forma divina, parecendo apenas um homem. Muitos acreditavam que Ele era apenas o filho de Maria e José.

Não há verdadeiro amor a distância, o amor requer proximidade. E Cristo sabia muito bem disso, por isso veio ao nosso encontro. Porém, muitas vezes é como São João diz no Evangelho: que Ele veio ao encontro dos Seus, mas eles não O acolheram.

Por que veio Ele mesmo e não mandou os anjos, querubins ou serafins? Veio Ele mesmo porque sabia que havia algo de muito errado no meio de nós.

Como Cristo devemos ter verdadeiro amor em nossas comunidades e não cada um puxando para o seu lado. Quem vive assim vive como o demônio gosta.

Quem ama de verdade sofre pelo amado. Jesus aceitou a cruz, o pior dos castigos daquele tempo, embora Ele fosse livre, somente um romano não poderia ser crucificado, porém o Senhor se submeteu a isso para nos mostrar que o amor de Deus por nós é sério.

Outro sentimento que Cristo teve foi a obediência, que deveria ser o nosso, e que nesta sociedade do relativismo, do hedonismo, muitas vezes, nós a perdemos; Jesus quis fazer a vontade do Pai. Foi feito obediente e até a morte. Amou o Pai e assumiu os mandamentos, por isso nos salvou.

Esta segunda leitura deve ser estudada, meditada, muitas vezes por cada um de nós:

“Irmãos: Se existe consolação na vida em Cristo, se existe alento no mútuo amor, se existe comunhão no Espírito, se existe ternura e compaixão, tornai então completa a minha alegria: aspirai à mesma coisa, unidos no mesmo amor; vivei em harmonia, procurando a unidade.
Nada façais por competição ou vanglória, mas, com humildade, cada um julgue que o outro é mais importante, e não cuide somente do que é seu, mas também do que é do outro.” (Filipenses 2, 1 – 4)

Precisamos combater as briguinhas, o que nos desagrega, que sejamos uma Igreja unida pelo amor. Para isso é preciso voltar a Cristo, ao essencial, ao Evangelho, e isto é para todos nós. E se nossa caminhada não está indo bem é porque esquecemos a obediência à vontade de Deus.

O que Deus e a Igreja querem é que possamos ser discípulos, missionários de Jesus Cristo. O discipulado leva à missionariedade. A missionariedade comprova o discipulado.

Os que são de Cristo, independente do movimento do qual participam, jogam juntos, alguns no meio campo, outros na defesa, mas todos no mesmo time. Aprendamos a ser fiéis a Cristo tendo sempre os mesmos sentimentos d’Ele.

Transcrição e adaptação: Rogéria Nair


Dom Carmo João Rhoden


Bispo diocesano de Taubaté – SP

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