Três remédios para cura e libertação

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Padre Marlon Múcio – Foto: Daniel Mafra/cancaonova

Eu convido meu anjo da guarda a se entender com o seu anjo, para que a nossa comunicação seja profundamente curativa e libertadora no poder do Espírito Santo.

Ora, o que acabo de fazer não é algo da minha cabeça. Eu aprendi isso com o santo que a Igreja celebra hoje: São Francisco de Sales, Bispo e Doutor da Igreja. Homem de profunda vida interior, um dos patronos da imprensa e grande guia espiritual das almas, ele nunca começava uma pregação sem, antes, olhar para toda a assembleia, para, solenemente, convidar seu anjo a se entender com seu interlocutor, para que sua comunicação fosse toda no Senhor, pelo poder do Espírito, sob a intercessão de Maria.

Mas, neste momento, quero lhe apresentar três remédios para que os combatentes na oração permaneçam firmes e alcancem a graça e a libertação própria e dos seus: Eucaristia, Maria e Santidade. Não precisa beber com moderação, pois só vão lhe fazer bem! Quanto mais beber e quanto mais deres de beber desses remédios, mais irás ganhar. Mundo, tu tens remédio, é o teu Deus. Dizem que a família não tem remédio, mas eu digo que a minha família tem remédio e a sua também: é Nosso Senhor Jesus Cristo. Há combatentes que ficam “ah, porque eu não dou conta; ah, porque eu estou fraco; ah, porque eu tô isso, tô aquilo…”. Mas o grande remédio para os fracos e para que nós não nos enfraqueçamos, o maior de todos os remédios é a Eucaristia. É a máxima prece, a oração por excelência.

No livro “Combatentes na oração”, colocamos que toda Missa é de cura. Mesmo quando o padre não é participante da renovação, mesmo quando não se fala em cura, toda a Celebração Eucarística é de cura, por isso é chamado o Santíssimo Sacramento, o sacramento dos sacramentos. Um dos títulos com que o Catecismo da Igreja Católica dá à Eucaristia é “remédio da imortalidade”. O que essa mesa de cirurgia não fizer por você, nenhum outro lugar o fará. Tudo vem do altar.

Uma Palavra de Tomas de Kempis, autor do livro “A imitação de Cristo”, que formou muitos santos, diz: “A Eucaristia é a saúde da alma e do corpo, remédio de toda enfermidade espiritual, cura os vícios, reprime as paixões, vence ou enfraquece as tentações, comunica maior graça, confirma a virtude nascente, confirma a fé, fortalece a esperança, inflama e dilata a caridade”. A Eucaristia é como um tripé, um veículo de três rodas: Missa, comunhão e adoração. Sacrifício, banquete e presença. E, nesse veículo, eu levo minha família inteira, os vivos, os mortos, minha árvore genealógica, minha família espiritual, aqueles que se recomendam às minhas orações. Portanto, nunca vá à Missa sem colocar a família inteira dentro do carro da Eucaristia.

Amados irmãos, para ter a graça do banquete eterno vale tudo! Faça todo o esforço possível, vá se rastejando se preciso for, mas não abra mão do Deus que não abre mão de você.

O segundo remédio é Maria. Quem mais perto de Deus está do que ela? A devoção a Nossa Senhora é um remédio para que muitos males não caiam sobre nós. E se algum mal cair, Maria é também remédio para sermos curados desses males. Pois eu lhes digo, assim como o nome de Jesus coloca medo no inferno, o nome de Maria coloca medo no encardido. O nome dela, assim como o de Jesus, é uma prece. Só de ouvir esses nomes muitas curas acontecem, até o inimigo vai embora ao eles são proclamados. Penso com que lábios Maria dizia “Jesus” e com que lábios Jesus dizia “Maria”! A Eucaristia é o grande remédio e quem nos ajuda a chegarmos até ele é Nossa Senhora.

Fiéis participam da Santa Missa do acampamento de Cura e Libertação - Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Fiéis participam da Santa Missa do acampamento de Cura e Libertação – Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

São Francisco de Sales, cuja devoção por Nossa Senhora era muito grande, tinha um gênio muito forte, era um temperamento colérico quase puro. E ele era tão agitado, que rapidinho o sangue lhe subia pelas ventas e fazia com que ele não levasse desaforo para casa. Por escrever muito, em sua escrivaninha encontraram, após sua morte, marcas de arranhado embaixo da mesa. Para não brigar com ninguém, ele arranhava a escrivaninha toda, a fim de que seus nervos não ficassem à flor da pele. Mas uma devoção lhe era singular: a Mãe de Deus e nossa. Amava-a tanto que fundou a ordem da visitação. Nessa congregação viria estar, um dia, Santa Margarida de Alacoque, que recebeu os segredos do Sagrado Coração de Nosso Senhor.

Passado um tempo, apareceu São João Bosco, que fundou uma congregação chamada ‘Salesianos’ em homenagem a São Francisco de Sales. Outros séculos se passam e um padre salesiano que, na mesma esteira de devoção a Maria, queria gerar homens novos para o mundo novo: monsenhor Jonas Abib. O lema dele é o mesmo de São Francisco de Sales: “Feito tudo para todos”. Assim como Dom Bosco, monsenhor Jonas diz: “Na Canção Nova, foi ela (Maria) quem tudo fez”. As devoções e os devotos estão muito ligados.

O terceiro remédio para a cura e a libertação é a santidade. Depois de termos falado dos Santo dos Santos, depois de termos falado da Santíssima Virgem Maria, vamos falar do quanto a busca pela santidade cura, o quanto os santos curam. Sabe como São Francisco de Sales, tão raivoso, é conhecido na Igreja? Como o santo manso. Então, imagine o quanto ele teve de lutar, de se dobrar para entrar no céu!

Chesterton, escritor inglês, dizia o seguinte: “O santo é um medicamento, porque ele é também um antídoto. Por isso, muitas vezes, um santo é um mártir, pois, por ser um antídoto, ele é procurado para restaurar a sanidade do mundo”. Mas, muitas vezes, um santo é mal compreendido. “O santo não é o que as pessoas querem, mas é o que as pessoas precisam” (Chesterton). As pessoas não gostam de remédio, mas remédio com gosto ruim que é bom. O santo é o paradoxo da história.

Transcrição e adaptação: Aline Carbonari


Padre Márlon Múcio


Sacerdote da Comunidade Missão Sede Santos

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