A importância de ser verdadeiramente trigo

Padre José Augusto

Padre José Augusto
Foto: Jorge Ribeiro/cancaonova.com

O ensino por parábolas

A palavra “parábola” vem do grego, e significa comparação. Quando Jesus queria trazer algo para a multidão e para Seus apóstolos, mas sendo ainda muito cedo ou sendo ainda Seus ouvintes imaturos para aquilo que estava sendo exposto, o Senhor trazia esse ensinamento na forma de parábola, para que o ouvinte pudesse abstrair, com a experiência, o ensinamento trazido.

As parábolas eram sempre baseadas na realidade do povo. Talvez, nos dias de hoje, Ele usasse o celular, mas, naquela época, as coisas eram ligadas ao plantio. Na parábola do joio e do trigo, Ele usou a figura de duas sementes, as quais se originam de duas plantas diferentes: uma é praga, a outra é propriamente aquilo que foi plantado pelo agricultor.

Não devemos separar o joio do trigo

O agricultor da parábola queria, ao ver que o joio e o trigo cresciam juntos, cortar o joio, mas o Senhor o admoestou, para que não os cortasse, pois não desejava que, por acidente, o trigo também fosse cortado. Portanto, o agricultor deveria deixar que ambos crescessem juntos. Vamos ler esta passagem em Mateus 13,24-30:

“Jesus propôs-lhes outra parábola: “O Reino dos Céus é semelhante a um homem que tinha semeado boa semente em seu campo. Na hora, porém, em que os homens repousavam, veio o seu inimigo, semeou joio no meio do trigo e partiu. O trigo cresceu e deu fruto, mas apareceu também o joio. Os servidores do pai de família vieram e disseram-lhe: ‘Senhor, não semeaste bom trigo em teu campo? Donde vem, pois, o joio?’.Disse-lhes ele: ‘Foi um inimigo que fez isto!’. Replicaram-lhe: ‘Queres que vamos e o arranquemos?’. ‘Não’ – disse ele –; arrancando o joio, arriscais tirar também o trigo.Deixai-os crescer juntos até a colhei­ta. No tempo da colhei­ta, direi aos ceifadores: arrancai primeiro o joio e atai-o em feixes para o queimar. Recolhei depois o trigo no meu celeiro’.”

Os discípulos não compreenderam o significado da parábola

Os discípulos não compreenderam o ensinamento da passagem citada por Jesus [Mateus 13,24-30]; então, para eles, o Senhor explicou conforme está escrito nos versículos 36 a 43 do mesmo capítulo:

“Então despediu a multidão. Em seguida, entrou de novo na casa e seus discípulos agruparam-se ao redor dele para perguntar-lhe: “Explica-nos a parábola do joio no campo”. Jesus respondeu: “O que semeia a boa semente é o Filho do Homem. O campo é o mundo. A boa semente são os filhos do Reino. O joio são os filhos do Maligno. O inimigo, que o semeia, é o demônio. A colheita é o fim do mundo. Os ceifadores são os anjos. E assim como se recolhe o joio para jogá-lo no fogo, assim será no fim do mundo. O Filho do Homem enviará seus anjos, que retirarão de seu Reino todos os escândalos e todos os que fazem o mal e os lançarão na fornalha ardente, onde haverá choro e ranger de dentes. Então, no Reino de seu Pai, os justos resplandecerão como o sol. Aquele que tem ouvidos, ouça”.

O inferno existe

Existe, nessa explicação, dois pontos importantes, especialmente na realidade em que vivemos hoje. Primeiramente, a confirmação de que este mundo um dia acabará! Esta terra não é para sempre. Neste dia, Deus fará justiça, separando bons e maus. O segundo ponto é que existe um inferno, um lugar de choro e ranger de dentes, destino daqueles que praticam o mal.

Hoje, prega-se que não existe inferno, que Jesus não vai voltar, que podemos viver como quisermos, que não existe bem nem mal. Contudo, quem disse o contrário é Jesus. O Céu é uma realidade, mas o inferno também o é, e temos sempre de ter consciência disso, ou escolhemos a felicidade eterna ou choro e ranger de dentes pela eternidade.

“Se você acredita que o inferno não existe, eu lamento, pois você tem vivido como filho do diabo” – Padre José Augusto – Foto: Jorge Ribeiro/cancaonova.com

Se você acredita que o inferno não existe, eu lamento, pois você tem vivido como filho do diabo; e se você está vivendo assim, está traçando para si um caminho largo para o inferno.

Devemos querer ser trigo

Devemos nos questionar: temos sido trigo ou joio? Eu tremo ao pensar nessa questão, pois não sei se sou trigo. Só Deus sabe! Nosso olhar humano não consegue discernir quem é joio nem quem é trigo.

Sua consciência está pesada? Vocês está se esforçando para viver segundo os mandamentos? Cada um sabe, na sua consciência, se, em sua vida, tem sido de joio ou trigo. Você pode viver dentro da Igreja, aparentando ser trigo, mas, na sua vida particular, longe dos olhos dos outros, você é joio; e mesmo dentro das paredes da igreja, estar caminhando para o inferno.

O joio pode se tornar trigo

As boas obras, o bom exemplo do trigo pode ser referência para fazer o joio mudar, abrindo as portas do coração para o Espírito Santo trabalhar. Contudo, preciso dizer que as atitudes malignas do joio, a impunidade e a sensação de que o mal impera, podem fazer o trigo se corromper e se tornar joio. Precisamos nos policiar, e ainda que nos sintamos sós, persistir no caminho da santidade.

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Jesus virá para cada um de nós

O dia da volta de Jesus em breve chegará. Enquanto este dia não chegar, no qual Ele vai recolher os Seus, o Senhor está recolhendo-nos individualmente, joio e trigo, sinceros e mentirosos. Neste momento, alguém está iniciando a sua eternidade de felicidade ou de tormento.

É tempo de refletirmos: estamos vivendo uma vida de aparência, perdendo nosso tempo dissimulando uma santidade que não procuramos, sinceramente, viver ou investindo nossos esforços para irmos para o Céu? Se a hora da sua morte chegasse hoje, para onde você iria?

Transcrição e adaptação: Jonatas Passos

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