Serás inteiramente do Senhor, teu Deus

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Padre Roger Luís. Foto: Arquivo/cancaonova.com

Que alegria nos reunirmos aqui, nesta manhã, para meditarmos a palavra de Deus neste acampamento “Livrai-nos do mal”. Constantemente estamos fazendo esta súplica: livrai-nos do mal.

Convido você a pegar a carta aos Efésios Capítulo 1, versículos 3-14:

“Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto do céu nos abençoou com toda a bênção espiritual em Cristo, e nos escolheu Nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, diante de seus olhos. No seu amor nos predestinou para sermos adotados como filhos seus por Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua livre vontade, para fazer resplandecer a sua maravilhosa graça, que nos foi concedida por ele no Bem-amado. Nesse Filho, pelo Seu Sangue, temos a Redenção, a remissão dos pecados, segundo as riquezas da Sua graça que derramou profusamente sobre nós, em torrentes de sabedoria e de prudência. Ele nos manifestou o misterioso desígnio de sua vontade, que em Sua benevolência formara desde sempre, para realizá-lo na plenitude dos tempos – desígnio de reunir em Cristo todas as coisas, as que estão nos céus e as que estão na terra. Nele é que fomos escolhidos, predestinados segundo o desígnio Daquele que tudo realiza por um ato deliberado de Sua vontade, para servirmos à celebração de sua glória, nós que desde o começo voltamos nossas esperanças para Cristo. Nele também vós, depois de terdes ouvido a palavra da verdade, o Evangelho de vossa salvação no qual tendes crido, fostes selados com o Espírito Santo que fora prometido, que é o penhor da nossa herança, enquanto esperamos a completa redenção daqueles que Deus adquiriu para o louvor da sua glória.”

Paulo vai nos trazer à consciência, nessa carta aos Efésios, a primazia de Deus sobre a nossa vida e, principalmente, trazer a nossa consciência a condição de filhos que somos, herdeiros da benção, da graça de Deus, da santidade de Deus, herdeiros da integridade de Deus, que nos chamou a vivermos também na integridade, sabendo que existe um desígnio de Deus a nosso respeito para experimentarmos aquilo que a Palavra nos traz. Jesus Cristo é a benção, Ele é a nossa redenção, a nossa liberdade, o caminho que precisamos caminhar.

Diga comigo: “Senhor, nesta manhã estou assumindo que sou filho. Ao assumir que sou filho, tomo posse de toda sorte de bênçãos espirituais que o Senhor me abençoa do céu. Eu quero tomar posse da bênção e assumir toda essa graça sobre a minha vida, família, casa, nação. Agora, quero assumir a força desse Sangue Redentor que vem sobre mim, sobre minha família, casa, e quero experimentar profusamente a sabedoria e a inteligência que o Senhor nos concede”.

O Senhor está nos chamando, a partir dessa exortação, para que nos abramos a essa força que Jesus veio trazer. Ele veio reencabeçar a Igreja. Ele é a cabeça da Igreja. Veio trazer a ordem das coisas que, pelo pecado, estavam em desordem. E nós fomos feitos seus herdeiros.
Responda-me uma coisa: Em quem você tem colocado a sua esperança? Em quem você tem colocado a sua vida? Com tantas realidades que nos afastam dessa predestinação, toda sorte de bênção é bloqueada, porque vamos colocando a nossa esperança em algo que não está de acordo com a cabeça, que é Cristo. Precisamos assumir que somos filhos. Filhos do Pai, em Cristo, por Cristo e com Cristo. Somos filhos adotivos e recebemos uma herança: a salvação, a redenção, e, principalmente, a inteligência e a sabedoria (que Deus derramou para conhecermos o mistério da Sua vontade).

Eu sou filho e assumo, como filho, o meu Pai que está no céu. Vocês se lembram de ontem, quando eu trazia na homilia o chamado à obrigação que a Igreja tem de evangelizar, de sair em missão, de proclamar em todas as nações? O motivo desse chamado é o amor que Deus tem para com as pessoas. Ele não quer que o ser humano caminhe nas trevas, mas que experimente a luz que essa Palavra vem trazer. É no amor que a Igreja anuncia, evangeliza. E no tempo do Papa Francisco, nós entendemos que somos uma Igreja em saída, que vai até as periferias. Por amor, essa Igreja se sente chamada, impelida a ir em missão, sem nenhum atalho, sem nenhum medo. Somos chamados a denunciar o erro, respeitando as pessoas, entendendo que existe a liberdade religiosa, liberdade pessoal. Mas somos chamados, como católicos, a exortar, pois muitas vezes precisamos ser exortados para não desviarmos nem para direita e nem para esquerda. Somos filhos e muitas vezes, como filhos, somos corrigidos por Deus.

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Padre Roger pede aos peregrinos para repitar com ele: “Eu amo minha Igreja e vou obedecê-la. Eu amo a Doutrina da Igreja e vou obedecê-la.”. Foto: Arquivo/Cancanova.com

Volte ao Antigo Testamento e abra o livro do Dt 18, 9-13:

“Quando tiveres entrado na terra que o Senhor, teu Deus, te dá, não te porás a imitar as práticas abomináveis da gente daquele terra. Não se ache no meio de ti quem faça passar pelo fogo seu filho ou sua filha, nem quem se dê à adivinhação, à astrologia, aos agouros, ao feiticismo, à magia, ao espiritismo, à adivinhação ou à invocação dos mortos, porque o Senhor, teu Deus, abomina aqueles que se dão a essas práticas, e é por causa dessas abominações que o Senhor, teu Deus, expulsa diante de ti essas nações. Serás inteiramente do Senhor, teu Deus.”

Diga comigo: “Serei inteiramente do Senhor, meu Deus. Essa é a vontade de Deus para mim”. Quem aqui é pai, você já corrigiu seu filho? Você corrige seu filho para o mal ou para bem? Claro que é para o bem. Da mesma maneira o Pai, sabendo que o povo iria entrar em uma terra totalmente contaminada por práticas ocultas, quis instruir o seu povo.

É muito importante ver a instrução de Deus para aquele povo. Se fôssemos cristãos autênticos, se não nos sentíssemos atraídos por essas realidades ocultas, não precisaríamos das exortações. Mas, pelo contrário, vamos vendo as pessoas abandonando a verdade, aceitando qualquer doutrina, abrindo-se às praticas ocultas. Mas aí alguém pode dizer que isso é coisa do Antigo Testamento. Não, claro que não. Você pode ver que também estamos numa geração contaminada por práticas abominadas por Deus. Precisamos denunciar essas práticas. Não as pessoas – pois precisamos amá-las, compreendê-las. Mas as práticas: essas sim precisamos denunciá-las.

Deus quer deixar bem claro: vocês são meu povo exclusivo e Eu devo ser a vossa exclusividade. Vamos ver passo por passo, baseado no livro “Sim, Sim! Não, Não!” do Mons. Jonas Abib, quais são essas práticas, citadas no Deuteronômio, que devemos evitar para termos Deus como nossa exclusividade:

Primeira coisa: “Não porás a imitar as práticas abomináveis da gente daquela terra”
Aqui está algo muito importante no tempo atual: não fazemos o que todo mundo faz, o que todo mundo vive e não podemos acreditar no que todo mundo acredita. Acreditamos em Jesus Cristo, na redenção, no Céu. Nós recebemos a plenitude da revelação (que é Jesus Cristo). Não podemos imitar essas práticas. Deus aqui é um Pai que está corrigindo seus filhos. Não podemos acreditar naqueles que estão fora do nosso credo.

Segunda coisa: “Não se ache no meio de ti quem faça passar pelo fogo seu filho ou sua filha”. Na terra de Canaã existia a prática do sacrifício humano. Eles tinham algumas imagens de ídolos de tamanho humano, ou até maior, que continham um buraco com um forno, onde eles colocavam fogo e, então, colocavam as crianças para serem queimadas dentro daqueles ídolos. É por isso que Deus está exortando: não porás a imitar a prática dessa gente. Vocês lembram o que está escrito em Jo 10, 10? “O diabo veio para matar, roubar e destruir”. Da mesma forma hoje, se formos olhar, continuam os sacrifícios de crianças. Você sabia que 45 milhões de crianças são mortas, todos os anos, pela prática do aborto? Não são jogadas no fogo, mas são dizimadas, trituradas no ventres das suas mães. É o mesmo espírito de morte que vem rondando. A única coisa que vai mudando é a metodologia. Crianças são sacrificadas sem defesa. Estamos vendo, nessa cultura neo-pagã, essas realidades de sacrifício de crianças.

É preocupante ver que, no Brasil, existem mais cachorros do que crianças nos lares. Nada contra os animais, mas estamos vendo como a nova ordem mundial vai impondo esse novo paradigma de família. E aí olhamos a ideologia de gênero como uma desconstrução da família, do ser humano. E, muitas vezes, isso tem entrado no coração do povo de Deus, desse povo eleito, filhos, herdeiros.

Terceira coisa: “nem quem se dê à adivinhação”. Tanto fazer quanto consultar pessoas que lêem carta, fazem previsão do futuro, lêem mão. Da mesma maneira que lá, em Deuteronômio, Deus proíbe a adivinhação, agora em 2015 a proibição não mudou, Deus continua proibindo você cristão de procurar essas práticas de adivinhação. Você não precisa ir atrás de adivinhação. Isso é pra te amarrar, pra fazer você desconfiar de Deus, da providência de Deus.

Você não precisa adivinhar quem vai ser seu marido, sua esposa. Você precisa confiar que o Deus de toda a providência vai tomar conta da sua vida. Isso é fé. Acompanhe comigo o texto de At 16, 16-18.:

“Certo dia, quando íamos à oração, eis que nos veio ao encontro uma moça escrava que tinha o espírito de Pitão, a qual com as suas adivinhações dava muito lucro a seus senhores. 17Pondo-se a seguir a Paulo e a nós, gritava: Estes homens são servos do Deus Altíssimo, que vos anunciam o caminho da salvação. 18 Repetiu isto por muitos dias. Por fim, Paulo enfadou-se. Voltou-se para ela e disse ao espírito: Ordeno-te em nome de Jesus Cristo que saias dela. E na mesma hora ele saiu.”

Era o Espírito Santo que Paulo expulsou? Não, era o espírito maligno. Toda vez quem alguém vai consultar uma cartomante para ver previsão de futuro, está consultando, na figura daquela pessoa (não é aquela pessoa, pois ela merece todo amor, mas na figura dela) consultando o maligno.

Quarta coisa: “à astrologia”. Pois, como somos inteiramente do Senhor, como nossa confiança está em Deus, não há como acreditar em horóscopo. Minha vida é coordenada pelo Sol da Justiça, Jesus Cristo, e não pelos astros.

Não vou consultar o horóscopo para ver com qual roupa sair ou outra coisa; mas vou consultar a Bíblia para ver o que Deus quer falar comigo. Se você não ouve aquilo que Deus está falando contigo, pegue a liturgia diária – a primeira leitura, o salmo, o Evangelho – e veja o que Deus quer falar contigo, diariamente. Nós estamos num tempo em que a cultura do relativismo quer nos calar. Todo mundo pode falar tudo, mas a gente não pode falar, pois, quando falamos, estamos incitando a violência, com intolerância religiosa. Somos taxados como intolerantes, como incitadores da violência. Não estou incitando ninguém a violência aqui, mas eu preciso ensinar a doutrina sem medo. Preciso anunciar a verdade da Palavra, a verdade da Doutrina. Respeitamos, amamos, tratamos com muita caridade, mas não abrimos mão da verdade. Eu e você não precisamos recorrer às adivinhações. Precisamos dizer todos os dias: eu sei que Deus tem o melhor pra mim, eu sei que Deus vai caminhar comigo ao longo desse dia. Tome cuidado pois a sua vida é preciosa pra Deus. O Pai da mentira quer tirar você de Deus.

Existe um homem que eu amo muito, e que agora esta rezando por toda a Igreja, chamado Papa Emérito Bento XVI. Em uma homilia, no dia 16/09/10, ele diz o seguinte: “A evangelização da cultura é ainda mais importante na nossa época, em que uma «ditadura do relativismo» ameaça ofuscar a verdade imutável a respeito da natureza do homem, do seu destino e do seu bem derradeiro. Hoje existem indivíduos que procuram excluir o credo religioso da esfera pública, de torná-lo uma realidade particular ou até de apresentá-lo como uma ameaça para a igualdade e a liberdade. Pelo contrário, na verdade a religião constitui uma garantia de liberdade e respeito autênticos, que nos leva a considerar cada pessoa como um irmão ou uma irmã. Por este motivo, dirijo um apelo particularmente a vós fiéis leigos, a fim de que, em conformidade com a vossa vocação e a missão baptismal, não apenas possais ser um exemplo público de fé, mas saibais tornar-vos defensores na esfera pública da promoção da sabedoria e da visão do mundo que derivam da fé. A sociedade contemporânea tem necessidade de vozes claras, que proponham o nosso direito a viver não numa selva de liberdades autodestruidoras e arbitrárias, mas sim numa sociedade que trabalha em prol do verdadeiro bem-estar dos seus cidadãos, oferecendo-lhes orientação e salvaguarda diante das suas debilidades e fragilidades.”

E aqui eu agradeço ao Monsenhor Jonas por ter sido essa voz tão clara que precisamos, através do seu livro “Sim, Sim! Não, Não!”. Mas não podemos deixar de dizer a verdade. Precisamos amar as pessoas a ponto delas sentirem esse amor de Jesus, que vai levá-las ao conhecimento da verdade e a sair dessas práticas ocultas. Precisamos dar a elas a autenticidade do nosso testemunho.

A quinta coisa: “aos agouros, ao feiticismo, à magia, ao espiritismo, à adivinhação ou à invocação dos mortos”. O senhor proíbe toda e qualquer prática de magia – que é a tentativa presunçosa de manipular as forças ocultas para alcançar os nosso próprios objetivos.
Se não vivermos a nossa catolicidade, se não formos a missa, comungarmos, se não confessarmos, rezarmos, vivermos os sacramentos, deixaremos de acreditar em Deus e aí não buscaremos os projetos que Deus tem para nós, mas sim vamos em busca dos nossos próprios projetos. É isso que é a prática da magia. Quando queremos atingir os nossos objetivos através de forças ocultas e, por isso, não confiamos em Deus.

Se você quer respostas, não vá em locais de adivinhação, vá no sacrário, na capela, que lá você vai ter as respostas que você quer. A magia é a mesma tentação do Gênesis 3. A criatura quer tomar o lugar do Criador. O que Ele diz no jardim (“vossos olhos se abrirão, sereis como Deus”) é o que a magia faz. Se você foi atrás disso, eu te convido a confessar e colocar a sua vida nas mãos de Deus. Se até aqui você permitiu que essas coisas fizessem parte da sua vida, volte: Deus está te esperando pra te libertar. E aqui eu repito mais uma vez: Nós amamos, não temos direito de agredi-los. Nós precisamos amá-los e dizer a eles a verdade do Evangelho, com a nossa própria vida e com o nosso próprio testemunho.

Repita comigo: “Não quero nenhuma dessas mentiras de satanás, eu quero, Senhor, viver para Ti e ser inteiramente Teu.” O espiritismo não são anjos que estão à serviço de Deus, mas são anjos rebelados contra Deus. Não acredite em reencarnação, em livros inspirados pelos espíritos. O Livro inspirado pelo Espírito Santo é a Bíblia, meu filho, leia a Bíblia. Fique atento. Aos pais que aqui estão: seja pai cristão, seja mãe cristã. Ninguém tem mais autoridade do que você para ensinar o seu filho. Não seja omisso.

E agora, finalizo com aquilo que a Doutrina da Igreja tem a nos falar, logo quando o Catecismo da Igreja Católica (CIC) vai dizer sobre o 1º mandamento. E é por isso que você precisa se confessar quando buscou essas coisas: porque pecou contra o 1º mandamento, que é amar a Deus sobre todas as coisas.

Nos números 2115, 2116 e 2117 do CIC vemos o seguinte:

2115. Deus pode revelar o futuro aos seus profetas ou a outros santos. Mas a atitude certa do cristão consiste em pôr-se com confiança nas mãos da Providência, em tudo quanto se refere ao futuro, e em pôr de parte toda a curiosidade a tal propósito. A imprevidência, no entanto, pode constituir uma falta de responsabilidade.

2116. Todas as formas de adivinhação devem ser rejeitadas: recurso a Satanás ou aos demónios, evocação dos mortos ou outras práticas supostamente «reveladoras» do futuro (45). A consulta dos horóscopos, a astrologia, a quiromancia, a interpretação de presságios e de sortes, os fenômenos de vidência, o recurso aos “médiuns”, tudo isso encerra uma vontade de dominar o tempo, a história e, finalmente, os homens, ao mesmo tempo que é um desejo de conluio com os poderes ocultos. Todas essas práticas estão em contradição com a honra e o respeito, penetrados de temor amoroso, que devemos a Deus e só a Ele.

2117. Todas as práticas de magia ou de feitiçaria, pelas quais se pretende domesticar os poderes ocultos para os pôr ao seu serviço e obter um poder sobrenatural sobre o próximo – ainda que seja para lhe obter a saúde – são gravemente contrárias à virtude de religião. Tais práticas são ainda mais condenáveis quando acompanhadas da intenção de fazer mal a outrem ou quando recorrem à intervenção dos demônios. O uso de amuletos também é repreensível. O espiritismo implica muitas vezes práticas divinatórias ou mágicas; por isso, a Igreja adverte os fiéis para que se acautelem dele. O recurso às medicinas ditas tradicionais não legitima nem a invocação dos poderes malignos, nem a exploração da credulidade alheia.

Tudo isso vem confirmar aquilo que escutamos nessa pregação. Portanto, nem eu, nem o Monsenhor Jonas inventamos nada do que aqui está. Essas são palavras da Igreja, da nossa Doutrina. Agora, repita comigo: “Eu amo minha Igreja e vou obedecê-la. Eu amo a Doutrina da Igreja e vou obedecê-la.”

E para finalizar, cito o nosso Papa Francisco que, recentemente, disse: “Não faça negócios com o Diabo. Levemos a sério sua presença no mundo.” Precisamos ser inteiramente do Nosso Senhor, nosso Deus, assim como nos diz Dt 18,13.

Transcrição e adaptação: Guilherme Zapparoli

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