Harmonia conjugal e sexual

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Professor Felipe Aquino. Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com

Vivendo a harmonia conjugal e sexual no casamento

O casamento, e a família de modo especial, é uma escola de amor, porque a convivência diária obriga a acolher os outros com respeito, diálogo, compreensão, tolerância e paciência.

Harmonia conjugal

A harmonia conjugal é atingida quando o casal, na vivência do amor, “supera-se a si mesmo” e harmoniza as suas qualidades numa união sólida e profunda. Quando isto ocorre, cada um passa a ser enriquecido pelas qualidades do outro. Há, então, como que uma “transfusão de dons” entre ambos. Mas para isso é preciso que o casal chegue à unidade, superando as falsidades, infantilidades, mentiras e infidelidades. Que nada os divida: mentira, brigas, ódios…

É lamentável que entre muitos casais, com o passar do tempo, e com a rotina do dia-a-dia, a atenção com o outro, e, pior ainda, o respeito, vão acabando. Não tem lógica, por exemplo, que um ofenda o outro com palavras pesadas e que provocam ressentimentos; não tem cabimento que o marido fique falando mal da esposa para os outros, criticando-a para terceiros. Isto também é infidelidade. Esta não acontece somente no campo sexual.

Por outro lado, é preciso cuidar para que a atenção, o carinho, para com o outro não diminua. É importante manter acesa a chama do desejo de agradar o outro. São nos detalhes que muitas vezes isto se manifesta: Qual é a roupa que ela gosta que eu vista? Qual é o corte de cabelo que ele gosta? Qual é a moda que ele gosta? Qual é a comida que ele gosta? Quais são os móveis que ela gosta? Qual é o carro que ela prefere? Qual é o lazer que ele gosta? Enfim, a preocupação em alegrar o outro, sem cair no exagero, é claro, é o que mantém a comunhão de vidas.

Isto não quer dizer que o amor conjugal deva ser um “egoísmo a dois”. Como dizia Exupéry, “amar não é olhar um para o outro, mas é olhar ambos na mesma direção”. Isto é, o casal não pode parar em si mesmo, ele tem grandes tarefas pela frente: os filhos, a ajuda aos outros, a vida na Igreja, etc. Importa olhar na mesma direção e caminhar juntos.
Para que a harmonia aconteça na vida do casal, dia-a-dia, ele deverá rejeitar tudo que possa desuni-lo: brigas e palavras ofensivas, comparações com as vidas e atitudes dos outros casais, desentendimentos com a família do cônjuge, inveja e ciúme do outro, desentendimento no uso do dinheiro, reclamações, negativismo, apego exagerado aos pais, mau humor, embirração, enfim, tudo o que azeda o relacionamento.

Para que a harmonia aconteça é preciso conhecer o outro. Cada um de nós é um mistério insondável, único e irrepetível. Somos indivíduos. Cada um de nós é insubstituível, e isto mostra o quanto somos importantes para Deus. Quando nos casamos, recebemos o outro das mãos de Deus e da família, como um presente ímpar, singular, sem igual, e que deve portanto, ser cuidado com o máximo cuidado, para sempre.

É fundamental para a vida do casal que cada um conheça a história do outro: a sua vida, o seu passado, a realidade familiar de onde veio, etc., para poder compreendê-lo, ajudá-lo, amá-lo, perdoá-lo. Ninguém ama a quem não conhece.

Todo o nosso passado permanece vivo dentro de nós, e o levamos para o casamento. Para que o outro me compreenda, precisa conhecer o meu passado, a história da minha vida. E aí está a importância de revelar para o outro este “mistério” que somos nós, de maneira clara e autêntica, sem fingimentos e mentiras.

Um mistério só pode ser conhecido se for revelado. Portanto, cada um precisa “se revelar”, com toda a sinceridade e autenticidade, para que o outro o conheça. Embora essa prática seja iniciada no namoro, contudo, ela não deve cessar na vida do casal. Sempre é tempo de conhecer o outro cada vez mais, para descobrir as suas riquezas.

É aqui que entra a importância do diálogo na vida do casal. Algumas dificuldades o atrapalham e o casal deve estar atento para isso. Para alguns é a falta de hábito no diálogo; não estão acostumados a ele. De outro lado será preciso vencer tanto o mutismo, o não falar, como o falar demais, a ponto de anular o outro.

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Prof. Felipe Aquino. Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com

Prof. Felipe Aquino. Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com

Normalmente o homem espera da mulher que ela seja caprichosa, consigo e com a casa, que cuide da sua aparência e estimule-o nas suas atividades. A mulher, por seu lado, espera compreensão, segurança, atenção às suas qualidades, afeição, romance, elogio, carinho e também estímulo para as suas realizações. As diferenças pessoais não são obstáculos à harmonia conjugal; ao contrário, a comunhão do casal enraíza-se na complementaridade natural que existe entre o homem e a mulher e cresce na partilha das riquezas de cada um.

“Se você quer ser tratado como um rei, então trate a sua esposa como uma rainha.” Podemos dizer que um casal harmonioso é um casal maduro. O que é ser maduro? É ser plenamente homem ou mulher.

Vida sexual no casamento

O bom relacionamento sexual na vida do casal é de fundamental importância para a sua harmonia e depende da harmonia conjugal. A vida sexual tem duas dimensões: unitiva e procriativa. A dimensão unitiva significa que o sexo é um meio de unidade do casal. Mais do que nunca é no relacionamento sexual que eles se tornam “uma só carne”(Gen 2,24).
O ato sexual, para o casal, é a mais intensa manifestação do seu amor; é a celebração do amor no nível afetivo e sensitivo. Portanto, não pode haver sexo sem profundo amor. Ele só pode ser vivido no casamento, porque só no casamento existe um compromisso de vida para toda a vida, e a responsabilidade de assumir as suas consequências, especialmente os filhos. Se tirarmos o amor, o sexo se transforma em mera prostituição: sexo sem amor, sem compromisso.

Veja também:
:: Harmonia sexual entre o casal
:: A falta do desejo sexual entre o casal
:: A vida sexual no casamento

A Igreja sempre viu com olhos claros esta realidade. São Paulo, há vinte séculos já dava orientação segura aos fiéis de Corinto, sobre isto: “O marido cumpra o seu dever para com a sua esposa e da mesma forma também a esposa o cumpra para com o marido. A mulher não pode dispor de seu corpo: ele pertence a seu marido. E da mesma forma o marido não pode dispor do seu corpo: ele pertence à sua esposa. Não vos recuseis um ao outro, a não ser de comum acordo, por algum tempo, para vos aplicardes à oração; e depois retornais um para o outro, para que não vos tente Satanás por vossa incontinência” (1 Cor 7, 3-5).

Com essas orientações o Apóstolo mostra a legitimidade da vida sexual no casamento, e até pede que os casais não se abstenham dela por muito tempo. “Não vos recuseis um ao outro”, ele diz ; e pede que cada um “cumpra o seu dever” para com o outro.

É claro que a luz a guiar este relacionamento há de ser sempre o amor e nunca o egoísmo. Haverá épocas na vida do casal, que a relação sexual será impossível. Quando a esposa está grávida, já próximo de dar à luz, após o parto, quando passa por uma cirurgia, etc. Nessas ocasiões, e em muitas outras, por bom senso, mas também por caridade para com a esposa, o esposo há de respeitá-la.

A moral católica se rege pela “lei natural”, que Deus colocou no mundo e no coração do homem. Aquilo que não está de acordo com a natureza, não está de acordo com a moral. Será que, por exemplo, o sexo oral ou anal estão de acordo com a natureza? Certamente não.

O Catecismo da Igreja nos ensina o seguinte:
Os atos com os quais os cônjuges se unem íntima e castamente são honestos e dignos. Quando realizados de maneira verdadeiramente humana, testemunham e desenvolvem a mútua doação pela qual os esposos se enriquecem com o coração alegre e agradecido” (CIC, 2362; GS, 49).

Em discurso proferido em 29/10/1951, o Papa Pio XII disse palavras esclarecedoras sobre a vida sexual dos casais: “O próprio Criador… estabeleceu que nesta função (i.é, de geração) os esposos sentissem prazer e satisfação do corpo e do espírito. Portanto, os esposos não fazem nada de mal em procurar este prazer e em gozá-lo. Eles aceitam o que o Criador lhes destinou. Contudo, os esposos devem saber manter-se nos limites de uma moderação justa” (CIC, 2362).

Prof. Felipe Aquino. Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com

Prof. Felipe Aquino. Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com

Tenho ouvido esposas que se queixam dos maridos que as obrigam a fazer o que elas não querem e não aceitam no ato sexual. Neste caso, será uma violência obrigá-las a isto.

Aquilo que cada um aceita, as carícias em preparação do ato sexual, podem ser realizadas com liberdade pelo casal. É legítimo que o esposo prepare a esposa para atingirem ambos o orgasmo. O esposo deve se guiar exatamente pela orientação da esposa, que saberá mostrar-lhe naturalmente o que ela precisa para chegar ao orgasmo com ele.

Não é fácil muitas vezes o ajustamento sexual do casal; e às vezes leva anos. Também aí há de haver a paciência e a bondade de um para com o outro, para ajudá-lo a superar as suas dificuldades. Para conseguir chegar ao orgasmo, a mulher precisa ser verdadeiramente amada, respeitada, valorizada, protegida, etc., pelo seu esposo; mais do que entregar-lhe o corpo, ela tem que entregar-lhe o coração. O ato sexual para ela não começa na cama, mas no café da manhã, no beijo da despedida quando ele sai para o serviço, no telefonema que ele deu durante o dia, naquela rosa, etc.

Há marido que ofende a esposa o dia todo, e durante a noite quer ter uma doce relação com ela; ora, isto é impossível. Não se esqueça que o sexo é manifestação de amor. Como manifestar o amor, se ele não existe? Como unir bem os corpos se os corações não estão unidos?

Especialmente no nosso mundo de hoje, cheio de sexo explícito a infernizar a vida dos homens, a esposa não pode se negar ao ato sexual, sem razões. Por causa disso, muitos maridos acabaram nos braços de outras mulheres.

Infelizmente muitos maridos se permitem entrar no mundo das fantasias perigosas e proibidas, e depois não querem mais saber das suas esposas. Onde está o compromisso do matrimônio? Onde está o amor à família? Onde está a maturidade? Não se esqueça que quem brinca com fogo acaba se queimando; e que é a ocasião que muitas vezes faz o ladrão. Sabemos que “aquilo que os olhos não veem, o coração não sente”. “Vigiai e orai, porque o espírito é forte, mas a carne é fraca”. Para impedir o adultério, de fato, é preciso impedir antes o adultério de coração. “Todo aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher, já adulterou com ela em seu coração” (Mt 5,28).

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Prof. Felipe Aquino


Doutor em engenharia mecânica, pregador e escritor

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