Matrimônio, caminho de santidade

O matrimônio é o caminho natural da santificação

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Padre Paulo Ricardo. Foto: Arquivo Canção Nova

O matrimônio é um sacramento que foi instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo e é o caminho de santificação da humanidade. Se o demônio quiser, com suas artimanhas, levar a humanidade para o inferno, para a perdição, o caminho é investir contra o matrimônio. O matrimônio é a rodovia, é o acesso que 99% da humanidade tem para o céu.

Quero contar para vocês a história de um casal santo que será canonizado no próximo dia 18 de outubro, Luís Martin e Zélia Guérin, pais de Santa Teresinha. Eles são santos, não por causa de Santa Teresinha, ela que é santa por causa dos pais. Este casal deu o fruto de uma filha santa.

Zélia ficou angustiada, porque a filha dela chamada Helena faleceu aos cinco anos e sem se confessar. A mãe ficava pensando se esta filhinha tinha ido para o céu, por não ter se confessado. É bonito vermos este casal santo, sofrendo com a morte da pequena filha. Zélia disse, em uma de suas cartas, que sentiam a tristeza pela morte, mas havia a consolação de saberem que ela, a filhinha, estava no céu. A fé cristã não deixa de sofrer, mas está enraizada em Deus.

Luís era um jovem muito devoto, muito católico e ele, que não frequentou escola, estudou sozinho, gostava muito de ler e queria se dedicar à vida monástica como agostiniano. Apresentou-se ao seminário e foi rejeitado, porque não tinha estudado latin. Então, ele começou a estudar latin e com sérias dificuldades, doenças que o impediram de estudar, ele abandonou o latin e se tornou relojoeiro, decidindo-se por esta profissão e pelo celibato, serviria a Deus desta forma. Foi para Paris para aprender o ofício de relojoeiro, e mesmo diante de todas as ofertas daquele lugar, de ter passado por tentações, ele se manteve virgem.

O pai de Santa Teresinha, que queria ser celibatário, morou numa casa que era uma espécie de torre em Alençon, vivia como relojoeiro e monge ao mesmo tempo. Tinha 35 anos e nenhum plano de se casar.

Zélia, tinha dois irmãos, uma irmã mais velha que foi ser religiosa e também pensava em ser religiosa. Apresentou-se como candidata nas Filhas da Caridade de São Vicente de Paula, mas foi rejeitada pela madre, porque tinha o pulmão fraco e dores de cabeça.

Vejam os caminhos de Deus, um casal que será santo, foi rejeitado para a vida religiosa. Mas, depois viram a mão providencial de Deus, que não queria que fossem religiosos, mas que dessem nove filhos para Deus e povoassem o céu. É importante que você saiba disso, porque estamos numa sociedade com a mentalidade contrária à vida. Hoje, um casal tem um filho e quando vai ter o segundo já começam a ouvir: ‘Parou, né? Filho dá trabalho! Como você vai conseguir pagar escola particular, manter um padrão elevado, se tiver muitos filhos?’

Mas, você precisa entender que um casal cristão tem filhos numerosos, porque está gerando filhos para o céu. Para quem é materialista e acredita que só tem a felicidade aqui, neste mundo, a lógica de poucos filhos funciona. Mas, nós que acreditamos no céu, o que você vai dizer para Deus quando chegar no céu e Ele te apresentar as cadeiras vazias que eram dos seus filhos? Você que impediu seu filho de ver a glória de Deus no céu, porque queria um carro, um padrão de vida elevado! O que é melhor, nascer e viver uma vida modesta, uma vida simples, de quem tem a pobreza espiritual como diz o Evangelho e celebrar a glória de Deus ou nunca existir e nunca ver a glória de Deus?

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“Para quem é materialista e acredita que só tem a felicidade aqui, neste mundo, a lógica de poucos filhos funciona.”, disse padre Paulo. Foto: Arquivo Canção Nova

Somos felizes por ter filhos numerosos

 

Vocês, provavelmente, nunca ouviram um padre dizer: ‘Tenham muitos filhos!’, mas nós somos felizes por ter filhos numerosos, porque um casal católico quer povoar o céu. Estamos neste mundo preparando o nosso céu. Se você nunca ouviu isso, bem vindo à Igreja Católica, pois nós acreditamos no céu! Acreditamos que no céu há uma felicidade que ninguém pode imaginar. Quando chegarmos no céu ficaremos surpresos com a felicidade, com a alegria que lá existe. O céu é muito mais do que podemos imaginar.

O problema é que estamos numa sociedade materialista que não acredita no céu e, desesperada, procura a felicidade aqui na terra e não encontra. Luís e Zélia são exemplo de casal que acredita no céu.

Continuando a história do casal, ele queria ser celibatário, ela tinha 27 anos e tinha tentado a vida religiosa, mas não consegui. Zélia compreendeu que sua vocação era o matrimônio e começou, então, a pedir a Nossa Senhora que preparasse o homem com o qual ela teria numerosos filhos e levá-los para o céu.

A Igreja marcou como festa dos bem aventurados, Luís e Zélia, no dia 12 de julho, que é o dia do casamento deles. Uma parte muito bonita da história: Zélia, que tinha 27 anos, não tinha ideia de como nasciam os bebês. Para nós, pode parecer espantoso, porque nossa sociedade é devassa. Mas, as famílias cristãs cujos filhos eram protegidos na castidade, na pureza, não sabiam o que era o sexo. Quando Luís foi conversar com sua esposa, ela ficou chocada, e resolveram viver o celibato. Durante dez meses viviam casados, mas ambos virgens, sem consumar o matrimônio, oferecendo a Deus. Era o sonho deles, então queriam se manter na virgindade. Dez meses depois, o confessor do casal conseguiu convencê-los e disse para que cumprissem com o dever de povoar o céu, de entregar filhos que sejam a glória de Deus e assim decidiram ter filhos numerosos.

Tiveram nove filhos e não foi por acaso, eles queriam filhos numerosos, assim desejavam. Quando Zélia estava no quarto filho, dizia: ‘ Que Deus me conceda ter mais cinco ou seis filhos.’ Eles eram abertos à vida, acreditavam na vida. E como sustentavam os filhos? Cada um tinha sua própria pequena empresa. Ele tinha sua relojoaria, onde também vendia jóias, ela fabricava e vendia as famosas rendas de Alençon. Era um comércio razoavelmente lucrativo.

E como ter nove filhos e ser ter uma vida de santidade? A Eucaristia, o pão dos fortes, era a força para esta família.

Quando Zélia adoeceu, Luís assumiu as vendas da esposa e a família foi sendo sustentada. Os dois se amavam, quando Luís precisava se ausentar, quando viajava, ela escrevia: ‘Longe de você eu não consigo viver.’ Há provas, cartas, de que um amava o outro de todo coração. Um amor tão maravilhoso, porque se amavam em Cristo, porque viam um no outro o Cristo que eles deveriam amar, desejavam a companhia um do outro. E que golpe foi para a família, quando receberam o diagnóstico de que Zélia estava com câncer.

O médico sugeriu a cirurgia, mas ela, como mulher bem formada, disse que a cirurgia só adiantaria sua morte. A medicina naquela época não tinha realmente muito o que fazer para tratar o câncer. Foi um grande sofrimento para todos, especialmente para as filhas mais velhas. Imagine a dor do pai, Luis, ao saber daquilo, mas Zélia começou a entregar seus sofrimentos a Deus. Fizeram ainda uma peregrinação a Lourdes para pedirem a graça da cura, mas Deus tinha outro caminho para ela e morreu aos 45 anos de idade.

Teresinha tinha apenas 4 anos e já se via a santidade na menina. Zélia tinha o hábito de cantar para todos os seus bebês quando estavam ainda na barriga. Quando estava grávida de Teresinha e já com câncer de mama, cantava as cantigas de ninar, músicas religiosas, de Nossa Senhora e dizia: ‘Eu sinto que esta é diferente, quando eu canto ela também canta na minha barriga.’ Ela sentia que a criança reagia aos cantos.

Quando Teresinha nasceu foi entregue à ama de leite e Zélia foi rezar, pedindo a São José pela vida da menina. Um belo dia, a mãe que havia catequizado sua filhinha, conversava com Teresinha: ‘Um dia papai vai para o céu, mamãe e Teresinha também vão para o céu.’ E Teresinha perguntou: ‘O que é preciso para ir para o céu?’ A mãe disse: ‘Morrer’ E Teresinha, rezando, pedia então a Deus: ‘Que mamãe morra logo!’ Não que ela não amasse a mãe, mas se o céu era tão bom como falavam, ela queria que sua mãe lá estivesse.

No enterro de Zélia, que morreu no dia 28 de agosto de 1877, Teresinha escolheu Paulina, sua irmã, a segunda mais velha, como sua mãe. E começou o martírio do pai, Luís. Ele já tinha entregado quatro filhos para Deus, que tinham morrido. Entregou sua esposa, que também morreu, e aos poucos foi entregando sua filhas a Deus como religiosas. Primeiro foi Paulina, depois Maria e finalmente chegou a vez de Teresinha que tinha vivido uma experiência espiritual no natal em que completou 13 anos de idade. Ela decidiu, no natal, ser carmelita também. No dia 13 de maio, quando tinha de 14 para 15 anos, e dia de Pentecostes, Teresinha contou para o pai que sentia a vocação para ser carmelita como as outras irmãs que já tinham entrado.

Luís tinha a alegria de entregar tudo para Deus. Ele teve derrame cerebral, e um dia quando estava se recuperando, contou às filhas que foi à Igreja de Alençon e disse à Nossa Senhora que não podia morrer sem dar a Deus muito mais e pediu que o recebesse como holocausto de amor e sua doença agravou ainda mais causando um grande sofrimento. Ele teve derrames cerebrais e outro problema no cérebro, sendo internado em um sanatório como doente mental. As pessoas começaram a dizer que Luís Martin estava doente, tinha enlouquecido por causa de Teresinha. Leônia e Celina ainda estavam em casa, mas a sua rainha, a filha preferida do seu coração, a caçula da família era Teresinha e porque decidiu entrar no carmelo, a culpa era dela, então deveria sair do carmelo e o pai iria melhorar.

Luís morreu quatro anos antes de Teresinha e hoje temos uma família de santos que se santificaram no sacramento do matrimônio. Contei essa história para que enxerguemos que eles eram santos, porque foi o casamento que os santificou. O matrimônio é o caminho natural da santificação. O demônio toma conta do casamento vivido sem Jesus, mas Jesus elevou o matrimônio ao nível de sacramento. Com tal graça a mulher pode se aproximar do esposo como se aproxima do Santíssimo Sacramento. Quando você se aproxima da sua esposa, deve se aproximar como se estivesse se aproximando de Jesus.

Casal, aproximem-se um do outro com doação total, na entrega, e vocês vão ver que Jesus vai dar um vinho novo no seu casamento como nas bodas de Caná! Veja na sua família o Cristo que você vai servir e amar, então toda miséria desaparecerá.

Transcrição e adaptação: Míriam Bernardes

Adquira esta pregação pelo telefone: (12) 3186-2600

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