Somos uma geração fraca?

A ausência de Deus e a autossuficiência nos tornam uma geração fraca

Somos uma geração fraca?

Pe. Demétrio Gomes.
Foto: Paula Dizaró/cancaonova.com

Nós já vimos nas redes sociais os memes que comparam a “geração raiz” com a “geração nutella”, mas, brincadeiras a parte, essa comparação diz muito sobre o tempo que vivemos hoje. No fundo, se formos bem sinceros, nos identificamos um pouco com a geração nova, um tanto “moles’.

A imagem dessa brincadeira, pode nos ajudar a pensar se nós não somos uma geração fraca, débil, molenga. Se observarmos o parâmetro da nossa juventude, vamos encontrar que nunca se teve tantos jovens deprimidos, que perderam o sentido de suas vidas.

Há pouco tempo, uma universidade americana, publicou um estudo analisando jovens e mostrando que a taxa de jovens que sofreram um episódio de depressão teve um aumento de 37%. Será que isso é meramente um fenômeno biológico ou a cultura e o tempo favorecem para que isso aconteça?

Outro estudo nos mostra que, a busca pela nulidade do matrimônio, tem os números cada vez maiores. Pessoas jovens e de casamentos novos. Temos nos preocupado em agilizar e melhorar o processo de nulidade, mas, não nos preocupamos em preparar as pessoas para o casamento. Essa preparação vem desde cedo, na maturidade, no afeto, uma formação na infância e pela família.

Tudo isso nos leva a pensar que, essas realidades estão alastrando-se no meio da nossa juventude, e as causas desses acontecimentos são as mais diversas. Uma delas é a exclusão de Deus, onde Ele é excluído da sociedade e acontece o que diz o Concílio Vaticano II, “Onde Deus desaparece, a criatura se esvai”. A nossa referência deve ser sempre Deus, e quando Ele desaparece, não temos mais parâmetro de humanidade.

Podemos encontrar uma segunda causa, em um falso direito que inventamos, a felicidade. Em que, quando aparecem as primeiras dificuldades, nós abandonamos tudo e tornamos tudo descartável. Estamos tornando as pessoas descartáveis, mas, nenhuma criatura é descartável. Se aparecem as dificuldades a gente deve consertar, e não jogar fora; porque a felicidade não se alcança pelas nossas forças, é sobretudo, um dom.

O que nos torna realizado não é a autossatisfação, e sim, o movimento de sairmos de nós mesmos e se doar. O amor, que é a nossa vocação originária, implica essa saída de si mesmo. Quem só coloca-se no centro, não se faz feliz.

Mais uma causa, podemos ver na identificação de felicidade como bem-estar. Para muitos, a felicidade é a ausência de problemas, contudo, enquanto fizermos essa identificação, vamos continuar fugindo do que implica renúncia e causa dor. Essa rejeição do que causa a dor é típico das crianças, e assim, vamos formando uma geração de adultos infantis que são incapazes de suportar um sofrimento.

Felicidade não é bem-estar. Os santos sofreram imitando os passos de Cristo na Cruz, mas eram felizes, porque na dor encontravam o Senhor, o sentido da vida. Enquanto fugirmos da Cruz, inevitavelmente, encontraremos ela e sem Jesus, e isso, é desesperador.

Uma quarta causa seria uma supervalorização dos sentimentos, onde confundimos amor com o sentido; porém, para sermos pessoas maduros, precisamos saber que não são os sentimentos que devem nos guiar, mas a nossa inteligência movida pela fé.

Se há algo que não devemos fazer, e que muitos falam por aí, é a atitude na qual devemos confiar em nós mesmos, seguir o nosso coração, mas isso é segredo para o fracasso. São Felipe Neri fazia uma oração a Deus em que dizia que precisamos desconfiar de nós mesmos, pois, nossos sentimentos oscilam muito e precisamos ser mais profundos.

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Para tentar destruir esse espiral de uma geração fraca e mole, precisamos ir um pouco mais a fundo dessas causas, e se olharmos bem, podemos ver algo mais radical. Deus nos criou como fruto do seu amor e viver de amor entre nós. Somos um dom do amor para o amor, e esse amor envolve a inteligência, a vontade e o afeto.

Mas sabemos que, em um determinado momento, nossos primeiros pais negaram a Deus e todos nós fomos implicados por esse fato. Na Carta de São Paulo aos Romanos 5, João nos mostra a ligação entre o homem, que quebrou essa aliança e Aquele que veio para salvar a todos do pecado, os resgatando e recriando. Porém, as consequências do pecado permanece em nós, e ainda, sobra essa inclinação ao pecado, que continuará conosco a vida inteira.

Nós não precisamos ser teólogos para perceber que queremos fazer o bem, mas, nos deparamos com o mal, por conta dessa inclinação que temos. Precisamos reconhecer essa fraqueza. porque, esse é o primeiro passo para a salvação e para estar na graça. Pois, temos um Deus misericordioso e que tem um amor infinito.

É ao experimentar a nossa impotência humana, que tocamos a força de Cristo a nos erguer. Precisamos de humildade para reconhecer as nossas fraquezas e experimentar a onipotência de Deus.

Este é o segredo para romper com a fraqueza da nossa geração: a correspondência na graça de Deus, que veio nos resgatar. Só sairemos desse estado, se acolhermos a graça do Redentor. A salvação da nossa juventude está na graça de Cristo, e na presença d’Ele no centro da nossa vida, dos nossos sonhos.

Assista um trecho da pregação:

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.:Jovem, tenha a coragem de seguir!
.:Seja autêntico

Transcrição e adaptação: João Paulo dos Santos. 


Padre Demétrio Gomes da Silva


Sacerdote da Arquidiocese de Niterói – RJ

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