O sangue redentor quer misturar-se com as nossas dores

O sangue redentor brotou daquela Cruz sem fazer escândalos, para nos encher de amor

Pe. Fabrício Andrade. Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com

O silêncio que começou, ontem a noite, na celebração da Instituição dos Mistérios da Eucaristia e do Sacerdócio, continua até agora. Mas, não é silêncio porque não se tem o que falar, pelo contrário, é um silêncio que dá espaço para tudo aquilo que precisa ser dito. O silêncio nos incomoda porque estamos desacostumados a fechar a boca para abrir os ouvidos. O silêncio nos incomoda porque nos acostumamos com falsos salvadores que fundam seitas, agremiações; são pessoas que fazem muito barulho para provar que são salvadoras.

O nosso Salvador, o único mediador entre o Pai e o povo, provou ser nosso Salvador quando fez silêncio na Cruz. Quando, na Primeira Leitura (Is 52,13-53,12) de hoje, fala-se desse servo sofredor, usam palavras tão comuns para nós nos dias de hoje; fala-se desse servo sofredor como um homem de fama e sucesso.

Que contradição! Porque a fama e o sucesso de Jesus chegaram até o mais alto grau e o “trono” que Ele ocupou foi uma Cruz. Aqueles que prometeram que nunca iriam embora, que dariam a vida por Ele, na hora da Cruz, eles desapareceram.

O silêncio incomoda porque nele vamos reconhecer quem fica conosco no tempo da dor, e talvez, olharemos ao lado, no momento da nossa dor, e não encontraremos os nossos amigos. É na hora da dor e do sofrimento que veremos quem fica conosco.

Jesus não tinha aspecto e nem beleza que atraísse. Hoje, vivemos a ditadura da beleza, procura-se beleza em tudo. Entretanto, o nosso Salvador morreu feio; tamanha era a deformação d’Ele que as pessoas nem queriam olhar para Ele.

Enquanto todos gritavam “Crucifica-O”, enquanto todos cuspiam e batiam em Jesus, d’Ele jorrava sangue. O sangue de Jesus jorrou daquela Cruz sem fazer barulho, o sangue redentor brotou daquela Cruz sem fazer escândalos, para nos encher de amor.

Maria estava aos pés da Cruz e poderia ter feito um escândalo, mas, não dava tempo para isso, pois Ela estava vendo e escutando a redenção que acontecia. Não dava tempo d’Ela buscar alguém para descer Seu Filho da Cruz, porque Ela estava consciente de que, aquele sangue, era o ápice do projeto do Pai para o Filho que Ela recebeu.

A primeira pessoa a ter Jesus vivo foi Maria, e o mais bonito é que Ela não fugiu, não foi buscar ajuda de outras pessoas quando viu seu Filho ser morto. Jesus encontrou calor no corpo de uma Mãe que não buscou revolta, e sim, buscou ouvir o silêncio de Seu Filho. Maria estava treinada. E nós? Quanto tempo vamos demorar para ter o nosso treinamento?

Hoje, não é dia de termos dó de Jesus, porque por trás dessa Cruz tem amor. Por trás da estupidez das feridas e da injustiça existe amor.

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O Evangelho diz que, Jesus estava consciente de que tinha chegado a Sua hora. Jesus está no ápice da missão que o Pai confiou a Ele.

Aquele sangue que desceu da Cruz, transformou-se num rio que nos alcança. Esse sangue chama-se: Eucaristia; Igreja; sacramento do Batismo. Junto com o sangue estava aquela água que brotou do coração de Jesus, e dessa água veio o sacramento do Batismo.

O Catecismo da Igreja Católica deixa claro que, o sangue que brotou da Cruz de Cristo foi o único sangue redentor. Outros, também, morreram crucificados, mas só o sangue d’Ele foi redentor.

O convite, hoje, é para que nos aproximemos da Cruz para sentir o amor que brota dela; é um amor que nasceu de quem escolheu entregar a vida.  Jesus não ofereceu resistência e subiu naquela Cruz por amor.  

O primogênito de Deus não foi poupado por amor. O sangue redentor quer misturar-se com as nossas dores, para que tenhamos a coragem de testemunhar como Maria.

Lembremo-nos das cruzes que temos enfrentado, não menosprezemos o nosso sofrimento e deixemos a Virgem das Dores nos ensinar, porque Ela nos ensina a permanecermos fiéis, mesmo no tempo da dor.

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Veja um trecho da pregação:

Transcrição e adaptação: Karina Silva

 

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