O sentido da Paixão de Cristo e o mistério da cruz

O sentido da Paixão de Cristo e o mistério da cruz

Professor Felipe Aquino. Foto: Jorge Ribeiro

Nesta Sexta-feira da Paixão de Cristo, a Igreja nos pede que contemplemos o Mistério da cruz. Às 15h, vamos adorar o mistério do Cristo pregado na cruz para nossa salvação.

O que isso significa para nós? Quais lições tiramos desse grande mistério?

A única vez que Jesus aceitou que dissessem que Ele era o Rei dos Judeus foi quando pregaram, em Sua Cruz, a placa que dizia: “Jesus Nazareno, Rei dos Judeus”. Ou seja, só na cruz Ele aceitou ser declarado Rei, pois, pela cruz, Cristo iria libertar não só os judeus, mas toda a humanidade.

É da cruz que pendeu a Salvação do mundo. Por que, então, foi necessário um Deus ser crucificado feito homem para salvar a humanidade? Jesus chegou a pedir ao Pai que se Ele quisesse, que não O deixasse sofrer esse mal, contudo, a vontade de Deus foi deixar Cristo passar por tudo o que Ele passou.

Se Deus chegou a esse ponto, foi porque, por trás desse ato, havia algo extremamente importante, algo radicalmente importante, e esse algo era o pecado. O que temos de entender é que o pecado foi o motivo de tudo o que Jesus passou. Impressionante é perceber que o profeta Isaías, 700 anos antes, já havia descrito tudo com riqueza de detalhes.

Em Gênesis, quando Adão e Eva negaram Deus e disseram ‘sim’ ao demônio, a humanidade ficou cativa do pecado, e nós estávamos todos condenados à morte eterna. Isso porque o pecado ofende a majestade infinita de Deus. Então, para que voltássemos para Deus, alguém precisava pagar esse preço diante da justiça do Criador.

No Catecismo, lemos que mesmo que o homem mais santo morresse na cruz, não conseguiria pagar o preço do pecado, mas sim, um pagamento infinito, que nenhum homem poderia pagar. Então, Deus se faz homem. Essa é a maior história de amor e misericórdia de todos os tempos.

Na carta aos Hebreus 5,10, lemos sobre o Verbo, que pede ao Pai para se fazer carne para pagar esse preço de amor infinito. O amor só se paga com amor, e para sermos gratos a esse gesto de amor infinito, temos de juntar toda humanidade.

Deus sempre tira o bem das coisas ruins

Esse mistério da cruz é maravilhoso, pois Jesus desejava ardentemente a cruz, mesmo ela significando Sua morte. O amor de Deus, no entanto, é tão grande e o desejo de nos libertar é tão maravilhoso, que Ele aproveitou as maldades do mundo para criar a possibilidade de Cristo nos libertar.

Deus não obrigou ninguém a matar Jesus, mas aproveitou a maldade para criar a chance perfeita de salvar a humanidade, e essa é uma linda habilidade de Deus, que é tirar o bem de todas as coisas. Por isso, São Paulo diz: “Todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam”. Até o sofrimento, a dor e a morte concorrem para o bem dos que amam a Deus, pois Ele sabe tirar o bem do mal.

Um padre francês dizia que Deus transformou o sofrimento em matéria-prima de salvação. O pecado é o lixo do mundo, mas o Senhor transformou esse lixo do mundo em via para salvar a humanidade. Ele deu sentido ao sofrimento.

Hoje, nosso sofrimento tem sentido, e nós cristãos sabemos sofrer em paz, porque sabemos que completamos com nosso sofrimento o que falta à Paixão do Cristo, no nosso corpo que é a Igreja.

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Nós, como Igreja, somos membro do corpo de Cristo, e como Ele passou pela Paixão, nós também temos de passar. São Paulo fala que se morrermos com Cristo e sofrermos com Ele, ressuscitaremos com Ele.

Por isso nós cristãos não podemos desprezar o sofrimento, nós temos de juntá-lo ao sofrimento do Senhor, temos de colocar nosso sofrimento n’Ele e nos oferecer ao Pai junto com o Cristo crucificado.

Deus não nos tira o sofrimento, mas nos dá a força para suportá-lo e a via para transformar a dor em salvação, assim como Cristo o fez.

Transcrição e adaptação: João Paulo dos Santos.

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