Padre José Augusto

Céu, inferno e purgatório

Céu, Inferno e Purgatório: O que a Doutrina Católica ensina sobre os novíssimos

O céu é a felicidade plena. E estamos reunidos, neste acampamento, cujo tema principal é a Fé Católica, porque, como católicos que somos, nós precisamos dar razão à nossa fé. São Pedro fala isso de forma muito clara. Se não aprofundarmos nossa fé, os lobos revestidos de ovelhas vêm com uma lábia, com uma palavra muito bonita, e nos levam. É isso que tem acontecido com muitos católicos que, por não entenderem o sacrifício da Santa Missa, a intercessão dos santos ou o sacramento da confissão, abandonaram a Igreja em um momento vulnerável. Este acampamento tem por finalidade nos levar a essa fé sólida que ninguém pode tirar de cada um de nós, que vem de Jesus Cristo, passando pelos apóstolos, até os tempos de hoje.

Padre negro de paramentos brancos e estola dourada pregando no palco com telão ao fundo exibindo o texto 'Céu, Inferno e Purgatório' e ilustração de almas no inferno." Durante a palestra “Céu, Inferno e Purgatório”, o padre explicou com clareza a doutrina católica sobre o destino eterno da alma.

Padre José Augusto – Foto: Daniel Xavier / Canção Nova

O que você vai aprender nessa pregação?

1. Os Novíssimos
2. O Juízo Particular e a Morte
3. O Inferno e o Pecado Mortal
4. O Purgatório e a Purificação
5. O Céu e a Felicidade Plena

Fui convidado para falar sobre os Novíssimos. Embora o tema trate de Inferno, Purgatório e Céu, na verdade, dentro do ensinamento católico, falamos dos novíssimos. Claro que não dará tempo, em uma hora, para eu falar tudo, pois cada tema — Inferno, Céu, Juízo Final, Purgatório — daria para ser uma palestra completa. É um tema muito grande e muito profundo.

Para quem quiser aprofundar, seria bom ler a Sagrada Escritura e, óbvio, o Catecismo da Igreja – parágrafos 1020 até 1060. Sugiro também um livro de teologia espiritual: “O homem e a eternidade: a vida e a profundidade da alma”, de Garrigou-Lagrange. E, trazendo um padre da Igreja, leiam “Máximas eternas” de Santo Afonso Maria de Ligório. O título antigo era “Verdades eternas: preparação para a morte”, mas mudaram para aliviar mais.

O que são os novíssimos?

Os novíssimos estão relacionados a tudo aquilo que irá acontecer conosco depois, não nesta vida. Aquela máxima que as pessoas costumam falar: “Aqui se faz, aqui se paga” — gente, isso é mentira! Esse negócio de “aqui se faz, aqui se paga” é coisa de paganismo, de pessoas que não acreditam na eternidade, que não acreditam no Céu, que não acreditam em Deus. O pagamento virá depois, não agora.

Eu não me preocupo com o que as pessoas dizem de mim, mas no que Deus dirá de mim. Eu não me preocupo com o que as pessoas pensam, porque elas não são meus juízes; o meu juiz é Deus. O que importa é a minha consciência diante de Deus, não a minha consciência diante dos homens. Falar mal ou difamar o outro só acrescenta um pecado de julgamento.

Por que estou dizendo isso? São Paulo, na Segunda Carta aos Coríntios (Capítulo 5, Versículo 10), diz que todos nós iremos diante do tribunal de Deus para prestar conta dos nossos atos praticados neste corpo. Todos nós: padre, freira, fiel, papa, advogado, lavrador, dona de casa – todos iremos diante de Deus para prestar contas.

O livro do Eclesiástico (Capítulo 7, Versículo 40) diz: “Tudo o que fizerdes, pense no seu fim e não pecarás”. Eu tenho que pensar antes o que acontecerá comigo se eu fizer isso agora e Deus me chamar.

A morte e o juízo particular: A primeira coisa que precisamos entender, dentro desses Novíssimos, é que nós iremos morrer — isso é doutrina católica.

A morte: saída da alma do corpo

O que é a morte? É a saída da nossa alma do corpo. Em Gênesis (Capítulo 2, Versículo 7), Deus modelou o homem do barro. O homem era um boneco de barro; e quando Deus soprou, ele criou vida, tornou-se um ser vivente. Isso ocorreu por causa do sopro: a alma. O ser humano é um composto de corpo (material, físico) e alma (espiritual).

Quando a alma sai, a pessoa morre. A alma vai ao encontro do Justo Juiz. É bom falarmos do Justo Juiz porque vivemos um tempo de tantos juízes injustos. Não devemos temer os juízes deste mundo, mas sim o Justo Juiz. Lá, tudo é certinho, não tem nada errado. Jesus foi julgado e morto de forma injusta. Eu não temo esse tipo de julgamento, mas temo o Juiz de lá.

Quem mentiu será julgado como mentiroso; quem foi adúltero, como adúltero; ladrão como ladrão; corrupto como corrupto; ateu como ateu; católico como católico.

O juízo particular: a sentença vai conosco

Essa nossa saída do corpo, onde vamos nos encontrar com o Justo Juiz, chama-se Juízo Particular. A Carta aos Hebreus (Capítulo 9, Versículo 27) diz que, logo após a nossa morte, nós somos julgados diante de Deus. Morreu, é julgado.

Quando o padre reza no velório, saibam que aquela alma já foi julgada. Aquela cerimônia é feita para o bom católico, para quem viveu uma vida correta. Se a pessoa que morreu não quis saber de Deus em vida, a oração pode ou não dar fruto, só Deus sabe.

A minha sentença já vai comigo, porque depende de como eu morro. Nos últimos momentos da nossa vida, é ali que vai decidir para onde nós iremos. Uma pessoa pode ter levado uma vida errada, mas se arrepender antes de morrer e se salvar. Outra, pode ter andado a vida toda correta, mas, no último momento, nega Deus e morre condenada.

Como não sabemos a hora nem o dia que Deus vai nos chamar, vamos ser santos agora!

Arrependimento pós-morte?

É nesse juízo particular que será decidido se a nossa alma vai para o Céu, para o Inferno ou para o Purgatório.

Meus caríssimos irmãos, tem gente por aí pensando que, depois que morre, a pessoa poderá se arrepender. Não existe arrependimento pós-morte. O arrependimento é antes da morte! Depois da morte, a alma entra no conhecimento perfeito de tudo, e lá ela vai perceber que não soube aproveitar a vida.

Santo Afonso Maria de Ligório, no livro “Máximas Eternas”, conta a história de um homem rico que não queria saber de Deus. Quando ele estava morrendo, dizem (eu nunca vi) que o demônio vem pedir a alma dele, jogando na cabeça dele os pecados para ele ficar aterrorizado. Esse homem morreu se batendo, sem paz.

O meu irmão, que trabalha em hospital, diz que pessoas que não têm vida em Deus ficam em desassossego ao morrer; enquanto católicos de verdade morrem serenamente.

O livro do Apocalipse (Capítulo 20) diz que todos os mortos irão diante da face de Deus, e o livro da vida será aberto. A alma, que é espírito, tem o conhecimento de tudo e dirá: “Perdi o tempo que Deus me deu, eu perdi”.

Leia também:
:: Eucaristia, Pão da vida eterna
:: A Igreja Católica e seus dogmas

O inferno: condenado pelo pecado mortal

O Catecismo vai dizer que os condenados irão para um lugar que se chama Inferno. É engraçado que hoje as pessoas não gostam que se fale de inferno; só querem falar do céu. As pessoas querem ganhar o céu sem luta, mas não largam o pecado.

A única coisa que poderá nos levar à condenação eterna, ao Inferno, chama-se pecado mortal. Pecado mortal: adultério, faltar à missa no domingo por preguiça, difamar o outro, falso testemunho, falta de respeito com os pais (e dos pais com os filhos).

Um mandamento não praticado é o suficiente para viver para sempre com Satanás. O inferno é lugar de sofrimento. Jesus diz que lá haverá choro e ranger de dentes. O livro do Apocalipse (Capítulo 20) fala de um mar de fogo, uma lama de fogo, para aqueles que passaram a vida sem penitência, sem vida com Deus.

Estão dizendo por aí nos púlpitos que o inferno não é bem assim, que Jesus já salvou todo mundo. Não é! Jesus derramou o sangue, mas você não cria vergonha na cara e quer ir pro céu vivendo no pecado. Misericórdia sem mudança de vida não tem validade. A misericórdia divina tem que ter uma resposta nossa de conversão. Que fogo é esse? Eu não sei, não quero saber nem quero ir para lá.

O purgatório: purificação para os santos

Mas a Igreja fala de Purgatório. Os protestantes dizem que não tem purgatório, mas claro, quem vai para o purgatório está salvo.

Quem é que vai para o purgatório? Aquelas pessoas que morrem santamente, não em estado de pecado mortal, mas com pecado venial. São aqueles pecadinhos do dia a dia, aquelas coisinhas: um julgamentozinho, uma mentirinha pequena. Isso é o suficiente para ir para o purgatório se morrer.

A alma não pode entrar no céu direto porque ninguém entra no céu com nenhuma mancha. As manchas grandes (pecado mortal) levam ao inferno, mas aquelas manchinhas pequenas precisam ser limpas. O purgatório é lugar de purificação.

O purgatório é para os santos. Santa Teresa D’Ávila dizia: “Quem é o santo tão santo que não mereça um purgatório antes?”.

Tomemos muito cuidado com a história de que a pessoa morreu e já está dizendo que está no céu. Morreu? Vamos rezar: missa, oferecimento de sacrifícios, uma via-sacra por aquela alma. Quanto tempo a pessoa vai passar no purgatório, eu não sei, é Deus quem determina, mas ela está salva.

Quando você reza no Dia de Finados (2 de novembro) e coloca as intenções do falecido, é porque se deduz que aquela alma está no purgatório. Se estivesse no céu, não precisaria rezar mais. Rezar por alguém é deduzir que ela está no purgatório, e aquela oração não serve para quem está no inferno. Mas como não sabemos, rezamos por todos.

O céu: a felicidade plena e eterna

Quem é que vai para o Céu? O Catecismo da Igreja diz que aqueles que passaram pela purificação do purgatório entrarão no Céu e aí contemplarão a face de Deus.

Primeira Carta de São João (Capítulo 3): “Aí nós o veremos como ele é”. É para o Céu que nós precisamos ir. São Paulo, na Carta aos Coríntios, diz que foi arrebatado aos céus e ouviu coisas que nenhum linguajar humano consegue descrever. O Céu é o lugar da felicidade plena.

Capítulo 21 do livro do Apocalipse: lá não haverá mais choro. Não haverá sofrimento, nem COVID, nem câncer; lá é só alegria plena.

Santo Afonso Maria de Ligório, em “Máximas Eternas”, dá uma imagem do tempo do inferno:

• Conte todas as folhas de todas as árvores existentes no mundo.
• Conte todos os grãos de areia nas praias.
• Conte os pingos da chuva.
• No dia que você conseguir contar, a alma sairá de lá. Como você não consegue, o sofrimento é eterno, nunca vai acabar.

Agora, o Céu é o contrário: se você fosse contar, você nunca sairia de lá. A felicidade plena do Céu é isso: imagine um momento de felicidade que você teve e multiplique isso por trilhões e trilhões e trilhões, sem parar.

O chamado à vida santa

Você e eu, por causa do sangue de Jesus derramado na cruz, temos tudo para ir para o Céu. Só não iremos se não quisermos. E para entrar lá, é preciso vida santa.

Seja fiel à sua esposa até a morte, e a senhora seja fiel ao seu marido até a morte. Cumpra e, sendo fiel, ganharás o Céu, mas se não fordes, ganharás o Inferno. No Céu, seremos todos irmãos, não seremos mais esposo e esposa.

O Céu, meus irmãos, é maravilhoso! E como é linda a doutrina da Igreja! É lindo saber que estamos passando aqui de passagem, mas um dia todos nós nos encontraremos na eternidade, numa felicidade que nunca se acaba.

Rezem e rezem pela perseverança e pela fidelidade, porque enquanto nós estamos vivos, não temos garantia nenhuma de perseverança.

Que a Virgem Santíssima, “Doce Cristo da Terra”, não permita que eu viva nem morra em pecado mortal!

Transcrição e adaptação: Adailton Batista

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