A Eucaristia transforma a vida da pessoa, afirma Cardeal do Rio

Dom Eusébio Oscar Scheid, Cardeal do Rio de Janeiro e enviado especial do Papa ao 15º CEN falou sobre a pessoa e a transformação que a Eucaristia pode fazer na vida de cada ser humano.

Ao longo da explanação que durou 1 hora, na manhã desta sexta-feira, dia 19, ele expressou frases que ficarão na memória de todos os participantes do Simpósio Téológico do Congresso, no Centro de Convenções de Florianópolis.

\”Eucaristia e promoção humana\” foi o tema da palestra do evento que acontece com a participação de mais de 3.000 delegados e bispos de todas as dioceses do Brasil.

O Cardeal iniciou se referindo a São Tomás de Aquino com as expressões: \”A teologia se faz de joelhos\” e \”Quanto possas, ouse, faça, mas não chegará a louvar como deveria\”.

Confira principais trechos da fala de Dom Eusébio:

– Em tempos idos se falava de pessoa no âmbito da Trindade, da Cristologia. Hoje, só se fala no âmbito humano, mostrando uma inversão bem grande.

– Sem analogia – comparação – nem sequer podemos falar que o homem é imagem e semelhança de Deus.

– Temos que distinguir pessoa, de personalidade. A pessoa não é personalidade desde que nasce, mas somente depois que aflora, passo a passo, suas potencialidades.

– A dignidade da pessoa decorre de ela ser imagem e semelhança de Deus. Semelhança esta que é ativa, dinâmica e operante. Precisamos mostrar essa semelhança em tudo que tocamos e com quem nos defrontamos. Quem foi para o crime, por exemplo, embota essa semelhança, mas não a destrói.

– Não devemos valorizar demais uma parte do ser da pessoa em detrimento da outra, para não cairmos num espiritualismo, nem num materialismo.

– A primeira criatura concebida por Deus foi a natureza humana de Cristo e todas as criaturas foram modelas de acordo a ela.


– A pessoa humana é superior a todas as coisas e seus direitos são universais e invioláveis. Jamais se pode impor a alguém algo que contradiga sua natureza, como uma lei contra a vida. Legislar contra a pessoa é legislar no vazio da nulidade.

– Associar-se a Cristo e assimilá-Lo é o objetivo mais forte da pessoa.

– Somos imortais pela nossa dignidade. O que Cristo nos ofereceu com a sua ressurreição foi uma imortalidade feliz.

A pessoa é aquela que ama, que tem inteligência e consciência. Somos mais conscientes, à medida que nossa espiritualidade cresce.

– Somos um poço insondável de sentimentos e o que nos faz simpáticos é nossa beleza de sentimentos – não sentimentalismo.

– A nossa pessoa se aperfeiçoa na Eucaristia. A natureza humana de Cristo é referência de semelhança e quanto mais a pessoa se torna parecida com Ele, mais se torna perfeita.

– Somos peregrinos. Nessa peregrinação nos cansamos, chegamos a desanimar por vezes, como os discípulos de Emaús e como o profeta Elias, que dormiu de desânimo. Os discípulos de Emaús reconheceram Jesus \’ao partir do pão\’. Não chegamos de fato ao que Deus quer, se não for através da \’fração do Pão\’.

– Temos sede de infinito. Nada nos satisfaz. É uma dolorosa saudade da eternidade.

– Santo Agostinho nos fala que a Eucaristia não é compreensível a não ser dentro da comunhão.A unidade não é um sonho, mas uma exigência. Aí está nossa salvação ou ruína. Se você não viver a comunhão se torna réu do Corpo do Senhor.

– O silêncio de Cristo na Eucaristia nos interpela. Será que não é o silêncio da eternidade?

– Eu afirmo que Jesus ns diz: \’quando vos reunirdes, por favor, sintam um pouco de saudade de Mim!\’ Vem, Senhor, depressa!

O Simpósio Teológico do 15º CEN acontece até às 10h deste sábado, dia 20, com diversos bispos e teólogos leigos abordando temas relacionados à Eucaristia.

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