“Abri as portas do coração ao Redentor”

As pessoas esperam a semana toda pela sexta-feira, o ano todo pelo verão (férias) e a vida toda pela felicidade… Faça diferente: transforme os seus dias em sextas-feiras, aproveite as quatro estações do ano e não espere a vida passar para ser feliz!.

A felicidade só poderá estabelecer sua morada em nossa história se, antes, limparmos e prepararmos – por intermédio da cura afetiva e emocional – a casa do nosso coração, do nosso ser, para que ela entre e aí finque suas raízes.

A cura e a restauração emocional são realidades importantíssimas para que possamos experienciar uma real felicidade.

Travessia e passos necessários a ela: Creio que só caminha bem, para frente, aquele(a) que consegue bem resolver o que ficou para trás. E isso, de maneira singular, em seu interior. Este é um princípio básico, nada vai para frente se está amarrado a realidades que o puxam para trás, e ninguém poderá crescer para frente e, consequentemente, para o Alto, se viver constantemente refém de pessoas, de sentimentos, decepções e feridas que o aprisionam ao passado.

Quem não buscar curar seus afetos e emoções se sentirá constantemente incompleto e infeliz, ainda que alcance muitos de seus ideais, pois suas inúmeras feridas o tornarão míope para enxergar a vida e as suas verdadeiras belezas.

Necessário é entrar nessa travessia da cura afetiva e emocional, dando um passo de cada vez, pois cada capítulo revelará um passo, e prosseguir, com perseverança, até o fim desse caminho.

Abrir as gavetas da vida afetiva e emocional: Para que nos tornemos pessoas emocionalmente equilibradas, maduras, e consequentemente felizes, será necessário “abrirmos as gavetas” de nossos afetos e emoções para aí curar e restaurar aquilo que estiver doente e desordenado. Saliento que tal realidade só nos será possível a partir da experiência do amor, em especial, o amor de Deus agindo em nós.

Padre Adriano Zandoná lança novo livro: ‘Curar-se para ser feliz’
Foto: Natalino Ueda/Cancaonova.com

Transformação dos afetos: Os afetos endurecidos pelo inverno de dores e decepções poderão sempre ser transmutados em primaveras de superação e novidade, basta termos coragem para trabalhar neles e construir com eles um verdadeiro diálogo, escutando-os e aprendendo com eles.

Carências: As carências são o vazio que ficou no coração por não termos recebido o necessário amor afetivo no decurso da vida. São um vazio, uma falta de amor, uma verdadeira fome, uma fome de amor.

É preciso abrir as portas do coração para que Deus cure essas carências em nós e nos liberte do terrível domínio delas.

Rejeição: Bento VI disse que cada ser humano é o fruto de um pensamento de Deus, que cada um de nós é querido, é amado e é necessário. É preciso permitir-se curar de toda rejeição, abrindo-se à experiência do amor, para que esse sentimento nos restaure e preencha todas as nossas ausências.

Frustrações: A frustração faz parte de nossa humana história e, diga-se de passagem, que o problema não é tanto se frustrar ou não, mas sim a maneira como lidamos e dialogamos com as frustrações que se equacionam em nossa história. Existem frustrações que são momentâneas e que servem para nos aperfeiçoar e ensinar, como, por exemplo, a frustração de não passar em um concurso ou vestibular, de ficar desempregado, de não ser o campeão em um determinado esporte, de não atingir uma meta profissional, etc. Todavia, existem frustrações mais complexas, que não são momentâneas e que nos acompanharão ao longo da vida. A frustração, por exemplo, de ter perdido alguém que se amava, de não ter um pai ou mãe, de ter sido traído ou abandonado, de portar uma grave enfermidade, de não ter realizado um sonho ou ideal, de ter “se atrasado” no relógio da vida e perdido maravilhosas oportunidades, de perder algo que não pode mais voltar, entre outros. Com tais frustrações precisaremos aprender a conviver e dialogar.

Superar o sentimento de inferioridade: Uma pesquisa veiculada por uma importante revista brasileira em 9.04.2006 apresentou, de forma precisamente pragmática, a terrível dinâmica inerente ao cáustico processo de comparação. Leia com cuidado e atenção:

O processo de comparação com as outras pessoas mina a felicidade. A dificuldade é que até uma experiência boa pode perder valor, dependendo do contexto, em virtude de um processo de comparação. Estudos mostram que uma pessoa que ganha um aumento de R$ 500,00 para R$ 1.000,00 pode se sentir extremamente infeliz se descobrir que seus companheiros tiveram os salários aumentados para R$ 1.500,00. Segundo o economista inglês Richard Layard, da London School of Economics, mesmo diante do fato de seu salário ter dobrado, a pessoa em questão sentirá uma aguda infelicidade (tristeza) ocasionada pelo processo de comparar-se com os demais colegas. Enfim, o processo de comparação com os outros mina a felicidade humana.

Alguém que vive um complexo de inferioridade e, que por isso se torna refém da comparação, se matriculará na “escola da infelicidade” e poderá desenvolver algumas complexas atitudes más e autoritárias. Isso porque acabará impulsionado pelo desejo de ofuscar e diminuir os outros, tornando-os inferiores, para assim não mais sentir o enorme peso da inferioridade que habita e perturba seu coração.

Transformando as derrotas em sucesso: “A fé não é a luz que dissipa todas as nossas trevas, mas a lâmpada que guia os nossos passos na noite, e isso basta para o caminho. Ao ser humano que sofre Deus não dá um raciocínio que explique tudo, mas oferece a sua resposta sob a forma duma presença que o acompanha, duma história de bem que se une a cada história de sofrimento para nela abrir uma brecha de luz […]” (Lumen Fidei, 57).

Será sempre possível transformar os efeitos de nossa tristeza, construindo sucessos a partir de nossas desventuras e derrotas. Tudo dependerá da maneira como lidamos com a dor e da escolha que faremos diante do mistério do sofrer. Poderemos transformar nossas dores em luz, chorando e brilhando como as velas e aprendendo a amadurecer e produzir esperança a partir da dor, ou poderemos nos tornar pessoas egoístas e revoltadas, que reagem infantilmente ao sofrimento, acreditando que as dores do mundo doem apenas em nosso coração.

Dentre as pesadas cargas afetivo-emocionais que esmagam os seres humanos de hoje, o sentimento de culpa figura como realidade constantemente presente, e que tem desajustado a saúde emocional de muitíssimas pessoas.

A culpa faz o ser humano se sentir indigno e mau, obrigando-o a carregar um forte sentimento de remorso e de autocensura. Tal sentimento, muitas vezes, é o resultado de raiva acumulada, não expressa de forma saudável, a qual, em um determinado momento, acaba se voltando contra o próprio coração. Essa realidade corrói a alma lançando um grande peso sobre os ombros, visto que impede o coração de descobrir e saborear suas virtudes e belezas. Faz-se necessário, definitivamente, com ela romper!

Romper medos, curar complexos: O medo é uma realidade que, infelizmente, tem “apequenado” inúmeros corações em nosso tempo. Quantas não são as pessoas que se tornaram incapazes de conquistar vitórias e progressos em suas vidas, e isso em virtude de seus muitos receios e temores?

Sentir medo, obviamente, é realidade comum e natural na vida de qualquer ser humano. Contudo, existe uma espécie de medo que é profundamente nociva, visto que paralisa o coração e o torna, mesmo diante de suas inúmeras potencialidades, pequeno e “rasteiro” demais.

É preciso declarar guerra ao medo, não permitindo que ele nos subjugue e escravize!

“Pergunto-me: o que significa o inferno? Respondo: a incapacidade de amar ” (Fiodor Dostoievski).

A cura dos afetos e emoções: Para um autêntico processo de cura faz-se necessário, inicialmente, identificar as próprias feridas e ausências para, em um segundo momento, abrir-se inteiramente à experiência do amor. Abrir-se ao amor de Deus, que é infinito e incondicional e nos acolhe como somos e nos abarca em nossas afetivas necessidades e, por consequência disso, abrir-se à experiência do amor humano.

Para sermos curados em nossos afetos e emoções nos será necessário superar nossos receios e decepções, os quais nos “travam” no exercício do amor. Para libertar, o amor, precisa ser experienciado do jeito certo, precisamos vivê-lo sem medo, mas de maneira saudável, sem aprisionar e sem sermos aprisonados.

“A suprema felicidade da vida é ter a convicção de que somos amados” (Victor Hugo).

Romper com a dependência afetiva: Na base desta espécie de transtorno, a dependência afetiva, estão sempre presentes complexas e profundas formas de carência afetiva: uma verdadeira “desnutrição emocional”, que encontra sua origem na própria história de vida daquele(a) que sofre a dependência. Pais ausentes, negligentes, excessivamente rígidos, ou superprotetores, estão geralmente presentes na história de quem porta essa ambígua fragilidade.

Raízes da dependência: Todos nós, desde muito cedo, aprendemos que dependemos de nossos pais (ou daqueles assumiram essa função), para que tenhamos atendidas nossas necessidades básicas: materiais e afetivas. Com o passar do tempo e, se nutrirmos um correto desenvolvimento de nossa autoconfiança  e autoestima, essa dependência vai diminuindo até se diluir totalmente.

A maioria dos processos de dominação acontecem no seio da própria família. Ninguém poderá ser humanamente feliz e realizado se não for afetivamente livre. Sem conquistar a interior autonomia para construir a própria história, com escolhas próprias e conscientes, o coração se encontrará perenemente doente e, consequentemente, não conseguirá fazer as pazes com a vitória.

Testemunho de Carlos Marques de Medeiros (São Paulo-SP): Superação de uma história trágica e de muito desamor, ele viveu a travessia da cura afetiva e emocional e transformou suas derrotas em sucesso, a partir de um forte encontro com o amor de Deus, que transformou e ressignificou a sua história.

“Deus colocou em nosso coração uma ânsia tão infinita de felicidade, que só Ele a consegue satisfazer […]” (YOUCAT , 2013. n. 281)

Transcrição e adaptação: Elcka Torres

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