"Em meio a tribulação, podemos ficar mais próximos de Deus”

“Quando a tribulação chega, parece que tudo fica na dependência da superação ou não dessa dificuldade. Centramos a vida no problema. Apesar disso, se o tempo é de tribulação, devemos nos segurar nas mãos de Deus”. (Trecho do livro 'Fortes na Tribulação')

Em entrevista ao cancaonova.com, a missionária Aline Júlia conta como superou os momentos de tribulação na sua vida: “Minha história é marcada por perdas e situações de muitas dores”.

A gaúcha, da cidade de Canoas (RS), relata os momentos difíceis em que viveu ao lado da mãe, Marli Dall'Agnol, a qual teve câncer por duas vezes  e faleceu quando a missionária tinha apenas quatorze anos.

Aline Júlia
Foto: Maria Andrea / Fotos CN


“Minha mãe teve câncer de mama, pela primeira vez, quando eu tinha 7 anos. Após essa descoberta, ela se separou do meu pai. A partir daí, minha família ficou afastada: eu, minha irmã e minha mãe para um lado; meu pai para outro. Então, desde pequena, sofri com a doença da minha mãe e também com a separação dos meus pais. Depois de oito anos lutando contra o câncer, minha mãe conseguiu superar a doença e pôde viver uma vida em Deus. Nesse período, fui fecundada na fé, pois minha mãe começou a participar de um grupo de oração em minha cidade.”

Passados oito anos, o câncer retornou, mas, dessa vez, no pulmão. “Nesse tempo, eu estava com quatorze anos. Precisei amadurecer muito cedo por conta desses sofrimentos. Por diversas vezes, fui com ela às sessões de quimioterapia e ajudei a cuidar da minha mãe em seu leito. Ali, vi a pessoa que mais amava entre a vida e a morte. Mas como minha mãe nos havia preparado para uma vida em Deus, pude viver esse sofrimento canalizando-os para o Senhor. Na época, era difícil compreender, pois sentia meu coração dilacerado ao vê-la sofrendo e ouvindo dos médicos que o quadro era irreversível.”

Diante desses momentos, a missionária diz que também sofria com a ausência do pai. “Meu pai estava distante de nós, só conversávamos por telefone. Precisei dar continuidade aos meus estudos, ao meu trabalho e também cuidar da minha irmã, pois para ela nós filtrávamos o que acontecia com a minha mãe, pois ela tinha apenas nove anos.

Quando o câncer começou a avançar, os médicos deram apenas seis meses de vida para minha mãe. Nesse tempo, não economizei em demonstrar meu amor por ela: visitava, cuidava, ajudava a trocar a fralda. Por vezes, saia para chorar sozinha, pois não queria que minha mãe visse o meu sofrimento.

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Antes de entrar no quarto onde estava internada, eu rezava muito e, ao sair, percebia que era Deus quem me sustentava, pois, por minhas próprias forças, certamente não aguentaria. Mas consegui, naqueles momentos, ser consolo para ela.”

Seis meses depois, conforme a previsão médica, a mãe de Aline Júlia faleceu aos 43 anos. Em seguida, a jovem entrou em depressão: “Foi muito difícil ver minha mãe falecer. Eu tinha apenas 14 anos, sentia-me só em meio à escuridão, mesmo estando em Deus. Era como se uma parte de mim também tivesse morrido. Então, entrei em depressão.

Não tinha mais vontade de viver, de comer, nem mesmo ir à escola. Esse momento era como se uma vegetação estivesse parada em meio à ventania, como se tudo estivesse em preto e branco.”

Na depressão, ela conta que precisou fazer uso de remédios. "Eu não queria tomar os remédios, mas, naquele momento, percebi que era por meio deles que Deus cuidaria de mim. Por seis meses tomei antidepressivos. Mesmo com ajuda deles, eu nunca parei de rezar, pois Deus era o meu primeiro remédio!

A missionária durante seu trabalho no Posto Padre Pio
Foto: Maria Andrea / Fotos CN


Após esses meses de tratamento, vi que, de fato, estava dependente dos medicamentos. A pedido do médico, fui parando com o uso, pois percebíamos que meu corpo queria os antidepressivos. Nessas ocasiões, eu ia para a capela e, lá, eu sentia o meu corpo rígido. Então, falava para Jesus: "O Senhor é meu remédio, ajude-me!". A partir daí, com a ajuda d'Ele, consegui superar a depressão.

Hoje, Aline trabalha no posto médico padre Pio e deixa um recado para você: “Olhar para a minha história é ver que quem me segurou foi Deus, pois, olhando para trás, vejo que a minha humanidade não teria força. E eu lhe digo: durante a escuridão, mesmo que você não tenha mais forças, saiba que o coração de Jesus está aberto para recebê-lo e fortalecê-lo, pois, um dia, Ele viveu o nosso sofrimento na Cruz e, por isso, mostrou-nos que somos capazes, pois Ele venceu! Em meio a tribulação podemos ficar mais próximos de Deus”.

 

 

Participe entre os dias 21 a 23 de junho do Acampamento 'Fortes na Tribulação', que acontecerá na sede da Comunidade Canção Nova, em Cachoeira Paulista (SP).

Ouça na íntegra a entrevista:

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