"O 'Código da Vinci' e outros acintes", por Dom Gil

Estamos assistindo, nos últimos tempos, perigosos atos de agressão religiosa, que ameaçam a nossa paz. Em nome da liberdade de expressão, publica-se o chamado \”Código da Vinci\”, em que a figura religiosa mais cara ao coração do povo do ocidente, Jesus Cristo, é vilipendiado com informações falsas, sem nenhuma base científica.

Do ponto de vista científico, a obra não tem valor, pois mescla dados comprovadamente históricos com suposições e literatura apócrifa de nenhuma credibilidade. Este critério é um sério desserviço à pesquisa e ao estudo da história da humanidade, e sobretudo da religião cristã. A obra, contudo, é apresentada não como um manual de estudo, mas uma ficção. Porém o método utilizado pelo autor para escrevê-la é totalmente inconveniente, para não dizer irresponsável.

Atrás de grandes lucros com a venda de sua literatura e da produção cinematográfica, ousa desconsiderar a consciência de quem crê. Os incrédulos e os descrentes não têm o direito de abuso. As volumosas somas de dinheiro que se ganha com literatura polêmica não justificam o desrespeito, a agressão às consciências e nem a informação incorreta e distorcida de elementos da história humana. É diabólico colocar o dinheiro acima da dignidade das pessoas e da sacralidade de suas consciências.

Também no Brasil, talvez por modismo ou por literal deseducação, ou ainda por um falso conceito de liberdade, tem acontecido fatos que ferem os sentimentos religiosos da população.

Além de casos do passado recente, há poucos dias, foi divulgado na imprensa o desrespeitoso jeito de uma expositora, no Rio de Janeiro, de representar o Rosário de Nossa Senhora, em forma de órgãos sexuais. Mesmo não vendo nenhum aspecto artístico no tremendo mau gosto, não resta dúvida que isto representa uma forte agressão ao povo católico brasileiro.

Após justificados protestos, a obra foi legalmente censurada. Porém, por incrível que pareça, o Ministro da Cultura, com uma leitura muito particularizada da Constituição Brasileira, emitiu nota à imprensa, pela qual \”estranha a censura feita à obra de Márcia X, na exposição Erótica, no CCBB do Rio de Janeiro\”. Na verdade, o que não é de se estranhar é que, depois de o país assistir a todo o lamaçal da corrupção acontecida no atual governo federal, tenhamos de suportar uma afirmação desta natureza, por parte de uma pessoa que ocupa cargo tão elevado no governo.

Entre a liberdade de expressão e o acinte, entre a liberdade de imprensa e a difamação e a ofensa, entre a liberdade artística e a agressão há sempre um limite. Estamos já avançados na história dos direitos humanos, e entre estes o direito das pessoas, dos grupos humanos e da coletividade serem respeitados na sua crença religiosa é muitas vezes superior ao direito de uma pessoa que pretende fazer o que quer com os sentimentos religiosos da população.

Nota-se, no Brasil atual, um interesse de certos indivíduos de agredirem a fé católica com certas atitudes totalmente desrespeitosas a Maria, Mãe de Jesus e aos Santos, incitando a uma situação de intolerância religiosa, o que seria uma lástima neste país com sua história de boa convivência entre as raças, povos e crenças.

No mundo inteiro, os países prevêem legislação que pune a agressão por motivos religiosos. Falando de Europa, na Itália, na Alemanha, na Grécia, na Espanha, em Portugal, na Inglaterra, na França, na Dinamarca e assim por diante, em praticamente todos os países desenvolvidos, as punições a tais crimes são severas. No Brasil, contudo, estamos assistindo a estes fatos sem contarmos com o respaldo do governo. É de se perguntar se a ofensa viesse para a mãe ou esposa de um dos membros do governo, isto ficaria impune ou ao menos sem protestos. Contudo à Mãe de Cristo e ao povo católico se permitem atos de indignidade e agressão.

É mais que urgente investirmos no respeito e na mútua compreensão, no direito que as pessoas têm de praticar e ver respeitados a sua fé e os seus símbolos religiosos, pois tudo isto é o patrimônio mais precioso que as pessoas têm.

Dom Gil A. Moreira
Bispo de Jundiaí/SP

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