Processo de cura interior

Foto: Arquivos CN

Num processo de cura interior é muito importante que observemos alguns aspectos fundamentais. O primeiro deles é o exercício de uma verdadeira, autêntica e profunda vida espiritual. Através da vida de intimidade com o Senhor somos introduzidos num processo de cura, pois essa intimidade nos leva ao conhecimento de Deus e, conseqüentemente, ao autoconhecimento.

Nesse momento com o Senhor, o Espírito Santo está em ação e ilumina nossa inteligência, esclarecendo-a sobre fatos, sobre realidades profundas, sobre sentimentos, sobre verdades religiosas e sobre o plano de Deus para determinados momentos, mesmo que estes sejam muito dolorosos, ajudando-nos a tirar conclusões sábias.



O Espírito Santo também age na nossa vontade, inspirando-lhe decisões acertadas, firmes, perseverantes, corajosas e criativas. Ele concede à vontade motivações sobrenaturais claras, convincentes e gratificantes, as quais nos impulsionam a agir com muito vigor, a entender com amor as motivações das pessoas que nos provocaram algum constrangimento ou foram causa de traumas profundos.

O Espírito Santo também age na nossa imaginação, na nossa memória e na nossa afetividade, concedendo-nos imagens esclarecedoras, sejam elas acontecimentos do passado ou da vida cotidiana. Ele pode nos inspirar sentimentos como compaixão, alegria, piedade, vigor, gratidão, entre outros, os quais são capazes de transformar, de dar vida nova aos corações e de nos reconciliar com a nossa própria história.

A busca intensa de Deus e da Sua verdade é muito importante, porque temos imagens e impressões muito deformadas dos acontecimentos, das pessoas e de nós mesmos, e para não ficarmos limitados na superficialidade da cura interior, mas descermos ao mais profundo do nosso ser à luz do Senhor. Não basta deixarmos que Deus retire a casca grossa das nossas feridas, mas é preciso permitir que a Sua luz penetre nas raízes das nossas feridas mais profundas, sobre as quais muitos de nós não têm conhecimento e que são verdadeiros obstáculos para a vivência da salvação em nossas vidas. A salvação precisa atingir nossas vidas como um todo.

A obra de salvação de Deus em nossa vida passa pelo autoconhecimento. Este acontece à medida que o Espírito Santo nos revela a nossa verdade interior. Quanto mais nos aproximamos de Deus em espírito e verdade, tanto mais Ele nos revela a nossa realidade interior. É interessante observarmos isso, porque existem dois motivos que nos impedem de sermos curados e livres: a ignorância e o medo de olharmos para dentro de nós mesmos; geralmente preferimos culpar os outros. Quanto mais profunda for a ferida, maior será o amor de Deus para nos curar.

O Senhor possui o remédio eficaz para a nossa ferida mais profunda. Aliás, só Ele tem o remédio. Só Ele é o remédio. Ele tem amor suficiente para derramar sobre as nossas feridas -, que doem, que queimam como um fogo, que ardem e incomodam -, como um bálsamo que as acalma, que as alivia e que as cura. É muito importante que aceitemos a nossa vida, a nossa história, o nosso passado e presente.

É fundamental que aceitemos a dor e a ferida que temos em nossa vida. Devemos crer que essa dor se constituirá na manifestação da glória de Deus. É preciso trocarmos a amargura e o medo da dor pela esperança de que em Jesus venceremos e seremos transformados. Há um futuro para nós, por maior que seja a nossa dor, a nossa ferida. As nossas feridas se transformarão em pérolas, serão as nossas riquezas, não só para nós, mas também para os outros. Se deixarmos Deus trabalhar em nossa vida, se O deixarmos penetrar naquela ferida, em vez de ser amargura, ela vai se transformar em amor. Não nos assustemos com a dor inicial, pois para que Deus cure as feridas, é preciso abri-las, rasgá-las. Diz São João da Cruz: “A chaga produzida pelo Espírito Santo será profunda, porque é feita por Aquele que só sabe curar”.

A graça do Espírito Santo é luz e pode iluminar todas as áreas da nossa vida até que elas se tornem muito mais resplandecentes do que a luz do sol, do que os seus raios do meio-dia, isto é, atá alcançarem a plenitude do Espírito. Quando o Espírito Santo inunda a vida humana com Seus dons, o homem passa a se sentir extraordinariamente bem, com a alma cheia de um silêncio, de uma paz, de um calor e de uma alegria inexplicável.

Uma delícia extraordinária! Acontece exatamente o que São Paulo diz: “O que os olhos não viram, o que os ouvidos não ouviram e o coração do homem não percebeu, isso Deus preparou para aqueles que o amam” ( 1Cor 2,9). Todas essas graças que o homem passa a experimentar nesse momento aqui na terra, nada é em comparação com o Bem Supremo que o Senhor tem preparado para ele na eternidade. É apenas uma antecipação da glória que ele desfrutará no céu.

A graça do Espírito Santo renova as forças humanas, formam-lhe asas como as águias, as impulsiona a correr e não se fatigar, a caminhar e não se cansar (cf. Is 40,31). O Reino de Deus, que se entende pela graça do Espírito Santo, passa a habitar no mais profundo de nós, em nosso coração. E aí ele nos ilumina e aquece, alegra os nossos sentidos, enche o ar de perfumes suaves e sacia o nosso coração com seu amor, com alegria indizível. A nossa fé não é mais vacilante, frágil, nem de livros, nem de testemunho de outros, mas da manifestação do poderio do Espírito. Pequenos como somos, podemos, pela misericórdia de Deus, ser cheios da plenitude de Seu Espírito.

Precisamos nos decidir a entregar verdadeiramente o nosso coração a Deus e a passar a ser Seus amigos de verdade. É isso que o Senhor procura: um coração que O adore em espírito e em verdade, um coração cheio de amor por Ele e pelo próximo, um coração cheio de fé n'Ele e em Seu Filho único; em resposta envia do alto a graça do Espírito Santo. Ele mesmo diz em Provérbios: “Meu filho, dá-me o teu coração, e o resto eu te darei por acréscimo” (Pr 23,26). A saúde do nosso coração consiste no perfeito amor a Deus.

Nós não podemos nos desfazer do mal sozinhos, nem devemos deixar o tempo passar sem que recebamos a cura dos nossos males, porque não nos abrimos para a graça de Deus. Precisamos da ajuda da graça divina. Quanto mais nos tornamos amigos de Deus, tanto mais experimentamos o Seu amor por nós e mais O amamos. E é essa relação de amor, de confiança, de abandono em Suas mãos que vai nos configurando a Ele, dessa forma, vamos nos sentindo extraordinariamente bem.

Para que o homem conheça a sua enfermidade, em primeiro lugar, Deus o entrega a si próprio, para que ele compreenda que nada pode fazer por si, para compreender a sua impossibilidade e nunca julgar a graça divina como algo supérfluo. Chegando a esse ponto em sua vida, no qual conheceu sua pequenez e sua enfermidade, o Senhor, convenientemente, lhe concede a Sua graça, pela qual se ilumina um cego e se cura um doente.

É importante o processo de cura interior porque, na verdade, as nossas feridas – por serem fruto do nosso pecado e do pecado dos outros – estão ligadas diretamente à nossa vida com Deus. Pela ação da graça divina em nós somos iluminados para o conhecimento da verdade, somos esfriados para o desejo do mal, somos inflamados pelo amor às virtudes, somos comprometidos com a messe do Senhor; enfim, passamos a amar a Deus e aos irmãos com o perfeito amor.

Precisamos, portanto, ir além da teoria e praticarmos. Como? Nas orações pessoais ministre sobre você mesmo a cura interior, ore pela sua cura interior. Exponha a sua vida diante do Senhor. Dê espaço na sua oração pessoal para que a cura interior aconteça. Não tenha medo. Não resista. Você vai sentir mais bem-estar do que antes. Peça ao Senhor as manifestações dos Seus dons carismáticos.

Passos:

1. Coloque-se de maneira simples diante do Senhor;

2. Peça ao Espírito Santo que revele as feridas que Ele deseja curar;

3. Em nome de Jesus e diante de Jesus, ministre sobre si mesmo a aceitação deste fato do seu passado ou presente e num ato de fé creia que o Senhor reverterá isso em um grande bem para você e para os outros.

4. Apresente a Jesus a área ferida, traumatizada, marcada;

5. Ore em línguas ministrando a cura do Senhor, o quanto a inspiração o mover. Neste instante abra-se ao Espírito Santo, pois, o Senhor pode revelar palavras de ciência, de sabedoria e de profecia sobre essa situação.

6. Agradeça a Deus por esta área ferida, na certeza do grande bem (pérola) que está sendo gerado. Louve ao Senhor pelo bem que Ele lhe fez neste momento;

7. Não se esqueça de que a cura interior é um processo que ocorre das mais variadas formas e que esta oração pode, de acordo com a inspiração, ser feita em repetidas oportunidades. Entretanto, em cada uma delas, precisamos crer no poder de Jesus, que se manifesta concretamente em nós.


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