Surdos, clamai a Deus! Não abandoneis as obras de Tuas mãos

No dia 4 de maio, aconteceu na Canção Nova o Kairós para surdos. Foram momentos de louvor, oração, pregações e música. Durante o encontro todos os setores, desde a acolhida até a lanchonete, contaram com a ajuda de intérpretes que auxiliavam os surdos na comunicação.

Estavam presentes no encontro os padres Aloísio e Delci, que estão à frente do projeto “Mãos que evangelizam”. O encontro também contou com música, onde através de gestos os surdos acompanhavam e louvavam a Deus, superando suas limitações físicas.

Trazemos para você internauta, o depoimento sobre o acréscimo deste encontro na vida dos surdos e também daqueles que não tem deficiência auditiva. Acompanhe:

 

Kairós para surdos
Foto: cancaonova.com

Laércio Oliveira: “Eu adoro vê-los rezando e conversando. Ver como eles tem que ficar atentos uns aos outros. Um tem que ter uma atenção especial com o outro porque se você não fica atento, você não sabe o que ele está querendo dizer. Isso nos chama atenção porque precisamos estar mais atentos no que o outro é para mim e o que eu sou para o outro. Acho que é uma lição e um ‘puxão de orelha’ para nós. Ver que quando a pessoa tem um limite, elas crescem em outros aspectos. Nós que não temos limites físicos temos obrigação de crescer muito mais. A gente não precisa esperar a provação para crescer ou ser melhor. Quem quer ser santo, precisa ser santo agora, e não esperar a dificuldade chegar para então se decidir. Já faz nove anos que vivemos esta linda experiência. Quem olha o rincão se surpreende. Aonde você ouviu falar de um encontro para os surdos?! Todo acampamento que acontece na Canção Nova tem sempre um intérprete para que os surdos tenham a oportunidade de viver conosco a graça de Deus. E o sentimento que vem ao meu coração, é que será algo abrangente. E não é a quantidade, esse é o melhor, é a qualidade do que eles estão vivendo.”

Padre Aloísio: “Esse encontro acrescenta na experiência de fé. Cada vez que nos encontramos aqui, se renova a dinâmica da fé, da comunidade orante dos surdos e também a experiência de ser Igreja. Cada surdo faz a experiência de Jesus e leva esse Jesus vivo e vivido, como fazemos na Canção Nova, para as realidades em que estão inseridos. Acrescenta na vida íntima e pessoal de cada um porque é impossível fazer uma experiência com Jesus a partir dos sinais, e não passar por este processo de construção de homens e mulheres novas para um mundo novo. Vejo também que acrescenta na vida daqueles que não tem deficiência auditiva. Muitas pessoas quando entram em contato conosco nos dizem: ‘Eu posso ouvir, mas me considero surdo', ou 'eu posso ver e me considero cego'. Isso porque existe uma surdez muito mais profunda que é a surdez da alma. Enxergar os nossos irmãos surdos comunicando Deus é e fala para nós de uma profecia. A profecia de que nem mesmo o surdo quer ficar na condição de não experimentar e não ouvir a Deus. E Nós que ouvimos, não podemos ficar na condição de ouvir mas permanecermos surdos.”

Padre Delci: “Nós vemos que este encontro para os surdos acrescenta vida. Esse dinamismo de ser de Deus. Esse Kairós vem na dimensão de mostrar para o surdo a importância do chamado de ser discípulo e missionário. E assim cada um vai assumindo a sua responsabilidade. Eu vejo aqui a importância e o acréscimo que dá a vida deles e também a nossa enquanto missionários, evangelizadores, sacerdotes. Quantas coisas nós temos para vivenciar e experimentar. É a graça de Deus que se faz presente. Kairós é graça. É este tempo que Deus reúne os seus, e eu digo agora os surdos, e sinaliza para eles o caminho, a verdade, a vida e o amor. É isso que Deus tem feito e realizado. E é uma graça não só para os surdos, mas aqueles que não tem deficiência auditiva, entram em contato conosco e testemunham o quanto vê-los [os surdos], acrescenta na vida deles. Através dos meios que temos, as pessoas partilham que essa realidade muda à vida das pessoas. Elas falam das quantas coisas que podem fazer, quantas coisas podem realizar e muitas vezes param nos limites, nas murmurações. Vendo os surdos e suas superações, isso leva a essas pessoas a vida e a esperança de que podem ir além.”

 

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