Só os humildes podem adorar

Juninho Cassimiro. Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Juninho Cassimiro. Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

“Moisés apascentava o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Madiã. Um dia em que conduzira o rebanho para além do deserto, chegou até a montanha de Deus, Horeb. O anjo do Senhor apareceu-lhe numa chama (que saía) do meio a uma sarça. Moisés olhava: a sarça ardia, mas não se consumia. “Vou me aproximar, disse ele consigo, para contemplar esse extraordinário espetáculo, e saber porque a sarça não se consome.” Vendo o Senhor que ele se aproximou para ver, chamou-o do meio da sarça: “Moisés, Moisés!” “Eis-me aqui!” respondeu ele. E Deus: “Não te aproximes daqui. Tira as sandálias dos teus pés, porque o lugar em que te encontras é uma terra santa. Eu sou, ajuntou ele, o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó”. Moisés escondeu o rosto, e não ousava olhar para Deus” (Êxodo 3, 1 – 6).

Nesse momento nós vamos ser levados a compreender algo essencial, fundamental para a vida de um adorador: entender, ou tentar compreender a grandeza de Deus e a nossa pequenez. Sem a humildade, sem uma humilhação diante de Deus nós nunca compreenderemos o que é a adoração. Não existe a possibilidade de haver a atitude adoradora de coração verdadeira sem que esse coração seja humilde.

O orgulhoso não sabe adorar a Deus, o vaidoso não pode adorar a Deus, a adoração parte de um coração humilde.

Moisés, quando se deparou com a sarça, disse a si mesmo que iria se aproximar para contemplar esse extraordinário espetáculo e entender por que a sarça não se consumia. Moisés não esperava se deparar com Deus naquele monte. Ele só foi por que queria ver o que estava acontecendo, mas não tinha consciência de que era Deus, primeiro ele quis ver aquilo que era belo e lhe chamava a atenção.

Quando Deus chama Moisés pelo nome, e lhe diz, não te aproximes, como se estivesse dizendo: “não é bem assim”. Deus começou a colocar ordem, falando a Moisés que o lugar onde ele estava era um lugar Santo, pedindo que ele tirasse a sandália de seus pés.

Nós não estamos simplesmente celebrando um congresso, estamos diante de Deus e por isso não podemos chegar aqui de qualquer forma. Deus quer tirar de nós a autossuficiência. Quantos de nós temos o costume de avaliar as situações, como um inspetor de qualidade, chegamos com a intenção de ‘ver o que vai acontecer aqui’.

Aquele que é humilde se descalça, abre mão de tudo e reconhece, que não pode viver sem o Senhor. É necessário ficar descalço, se esvaziar de toda a capacidade humana, para compreender o que é ser um verdadeiro adorador.

Moisés quando reconheceu quem era Deus escondeu o rosto e não ousava olhar para o Senhor. Nós não estamos aqui simplesmente cantando, pregando, nós estamos diante de Deus e isso tem sido um dos grandes problemas em nossas vidas de adoradores. Passamos a fazer tanto, pregar tanto, cantar tanto, que vamos perdendo o respeito, e nos colocamos de qualquer forma na presença Deus, vivemos no automático. Perdemos a consciência de quem é Deus.

Peregrinos acompanham a pregação do Juninho Cassimiro na Canção Nova. Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Peregrinos acompanham a pregação do Juninho Cassimiro na Canção Nova. Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Você não vai no seu grupo de oração somente para cantar, você vai para estar com Deus. O respeito de Moisés nos ensina muito, estar diante de Deus precisa fazer tremer nossos corações. Moisés, naquele momento, teve um ato de humildade que se perpetuou por toda a sua vida, sem a humildade é impossível contemplar o Senhor.

Maria foi chamada por Deus exatamente por que era humilde, tenho certeza, que ela nos ensinará a viver assim. Maria podia muito bem se vangloriar pois foi aclamada por um anjo, depois por sua prima Isabel, mas ela não agiu assim.

Maria mostrou sua pobreza e reconheceu que não era nada sem Deus. O que nós podemos fazer sem Deus? E por que nos vangloriamos tanto? Por que em nosso meio existe sempre uma concorrência de saber quem é o melhor? Criamos eventos para descobrir quem é o melhor? Queremos o reconhecimento, queremos ser os melhores, mas somos pobres servos e se precisamos aprender com Maria a fugir das honras e dos elogios.

Será que não gostamos de quando as pessoas fazem de nós ídolos? Ficamos felizes quando as pessoas querem tirar fotos conosco e criam fã clube. Será que não estamos querendo trazer o que é profano para o que é sagrado?

Padre Roger e Padre Arlon nos ensinaram outro dia que nós músicos não precisamos de um fã clube, nós precisamos de intercessores. Ter fãs não combina com músicos adoradores. Somos honrados, mas somos chamados a serem humilhados. Queremos as coisas grandes, mas Deus quer nos ensinar a viver com as coisas pequenas.

Talvez estamos querendo fazer carreira dentro do ministério, mas e depois das honras? Maria fugia das honras, isso está muito claro nos evangelhos. Maria não estava perto de Jesus quando ele entrou em Jerusalém e todos o acolheram com festa, pois ela fugia das honras, mas quando Jesus foi condenado a morte, considerado um bandido, Maria aparece e se mostra como mãe do ‘bandido’, do ‘crucificado’.

Em nossas vidas precisamos saber que Ele é o Senhor, e que nós não podemos nada.

Transcrição e adaptação: Paulo Pereira


Juninho Cassimiro


Coordenador Nacional do Ministério de Música e Artes

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