O Amor de Deus é inesgotável

Padre Adriano Zandoná / crédito da foto: Wesley Almeida

Padre Adriano Zandoná / crédito da foto: Wesley Almeida

Estaremos refletindo neste fim de semana sobre o amor de Deus, que é inesgotável, incondicional e que brota sempre de dentro pra fora. Nesta semana, a Igreja celebrou o dia de Santo Agostinho, um dos seus santos mais conhecidos. Em um dos seus poemas diz: “Tarde te amei, tarde te amei Ó beleza tão antiga e tão nova. Eis que estavas dentro e eu fora, e eu fora. Seguravam-me longe de ti as coisas. Que não existiriam senão em ti”.

Neste poema, ele relata a experiência do amor de Deus que teve em seu interior. Amados, Santo Agostinho teve uma história parecida com a nossa, podemos achar que os santos não tiveram a mesma vida ou experiência que nós temos, como uma família ou nas realidades ordinárias da nossa vida, como pagar uma conta, dificuldades e outras coisas. Santo não é uma pessoa que não erra, isso seria um anjo e não um ser humano, mas santo é aquele que por buscar uma grande intimidade com Deus, vai se deixando ser como Ele.

Nós somos chamados a fazer uma experiência com o amor de forma concreta. Na encíclica Deus Caritas Est, do Papa Bento XVI, nos diz que o amor está sendo tão banalizado no nosso mundo atual, que as pessoas não tem mais vivido o amor ágape, ou seja o amor verdadeiro [embora ainda existam o Eros e Filia, falaremos do amor ágape], que é o amor sem egoísmo. São João fala muito bem dele em uma de suas cartas: “Deus é amor” I Jo 4, 1. É um versículo simples, mas é uma realidade que simplifica a nossa vida. Deus chega ao nosso coração pelo caminho da simplicidade.

O problema é que estamos num tempo em que nós não fazemos a experiência com as palavras que ouvimos, por exemplo, num vida de casal, quando o marido fala que ama, fala da boca para fora. Amados, nós amamos aquilo que priorizamos, se você diz amar seu filho, mas não tem tempo para estar com ele, na verdade, isto não é amor.

"''Deus chega ao nosso coração pelo caminho da simplicidade'' padre Adriano Zandoná / crédito da foto: Wesley Almeida

“”Deus chega ao nosso coração pelo caminho da simplicidade” padre Adriano Zandoná / crédito da foto: Wesley Almeida

Para quem sabe identificar a linguagem corporal das pessoas, conhece e sabe muito bem quando uma pessoa não esta falando a verdade. Pode ser que você tem ouvido falar que Deus é amor, mas você tem enxergado isto na linguagem corporal ou na vida das pessoas?

Se você compreende somente com a razão que Deus é amor, mas que não se deixar fazer uma experiência no coração, não entenderá isto. Se você fez uma experiência com o Senhor de certo saberá viver de forma simples e nos torna pessoas melhores. Se você tem brigado por pequenas coisas e isto tem lhe estressado muito, busca a experiência com o amor de Deus que é capaz de descomplicar e não fazer que nos preocupemos com pequenas coisas.

O trecho da encíclica “Deus Caritas Est”, em seu capítulo 1 nos diz: “‘Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele’ (1 Jo 4, 16). Estas palavras da I Carta de João exprimem, com singular clareza, o centro da fé cristã: a imagem cristã de Deus e também a consequente imagem do homem e do seu caminho. Além disso, no mesmo versículo, João oferece-nos, por assim dizer, uma fórmula sintética da existência cristã: ‘Nós conhecemos e cremos no amor que Deus nos tem’. […] Nós cremos no amor de Deus — deste modo pode o cristão exprimir a opção fundamental da sua vida. Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo.” Ele está nos dizendo que o início da vida cristã não está firmado numa decisão ética, mas no encontro com uma pessoa que é Jesus, ou seja, o Amor do Pai que se deu a conhecer através de Jesus.

A Bíblia nos diz que Deus é amor, contudo um dos grandes perigos que vivemos nos dias atuais e que é a raiz do ateísmo é a falsificação da imagem de Deus, ou seja, falar de Deus sem ter a experiência com Ele é fazer uma imagem distorcida Dele.
A imagem de Deus que talvez trazemos foi herdada de pessoas que são do nosso convívio, como pais, avós, freiras, catequistas e padres. Talvez a compreensão de Deus das pessoas que trabalham com você está sendo construída através dos seus gestos e atitudes, por isso é importante olharmos para a nossa história e analisar a imagem que foi criada em nós de Deus.

"Somos chamados a fazer uma experiencia com o amor de forma concreta," padre Adriano Zandoná / crédito da foto: Wesley Almeida

“Somos chamados a fazer uma experiência com o amor de forma concreta,” padre Adriano Zandoná / crédito da foto: Wesley Almeida

Você sabia que de uma experiência errada no passado com seu pai, pode prejudicar a imagem atual que você tem de Deus? É comum transferirmos a imagem de uma pai agressivo para um Deus também agressivo.

Às vezes, o que estraga a imagem de Deus são as coisas que ouvimos. Quantas experiências estão feridas dentro de você fruto de uma imagem distorcida de Deus. O Senhor quer te restaurar porque o amor ágape é fruto do perdão. Para isso é preciso que você conte com o Espírito Santo para que lhe cure da imagem de Deus em você. Se você viveu uma experiência profunda de dor, dê a oportunidade de Deus entrar na sua história.

A encíclica “Gaudium Et Spes”, nos diz que a raiz do amor essa nas projeções que fazemos, ou seja, se você é pobre, por vezes a imagem que você terá de Deus é de um Deus rico; ou se você sofre injustiça, pensar num Deus justo.

Os jovens de hoje estão tendo uma imagem distorcida de Deus, furto daquilo que hoje é comum se ver na internet ou até mesmo nas escolas. Se você conhece Deus, ótimo. Mas se não, faça a sua experiência com Ele! Se no passado as pessoas que eram referência de Deus para você lhe decepcionaram, lhes dê o direito de fazer uma nova experiência. Amados, Deus é muito maior do que os erros que cometemos.

Transcrição e adaptação: Luana Oliveira


Padre Adriano Zandoná


Sacerdote da Comunidade Canção Nova

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