Conquistando a liberdade interior

Padre Adriano Zandoná\Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Padre Adriano Zandoná\Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

“Se permanecerdes em minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos, e conhecereis a verdade, e a verdade vos tornará livres”. (João 8,31-32)

“(…) onde está o Espírito do Senhor ali há liberdade”. (2 Cor 3,17b)

Liberdade interior é aprender a ser livre à partir de dentro; isso mesmo que os problemas e as dificuldades nos limitem (doenças, sofrimentos, obrigações). Liberdade interior é saber lidar com as dificuldades e perdas, que são mesmo reais e acontecem, sem deixar que elas nos aprisionem…

Quem aprendeu a ser livre dentro de si, não poderá ser limitado e aprisionado por nada que venha de fora…
Será que eu tenho encontrado ( e construído) esta liberdade interior ou, pelo contrário, estou sendo vítima das circunstâncias externas, ficando constantemente amargurado e me queixando das privações e limites exteriores?
Para conquistar essa liberdade interior, precisaremos aprender a trabalhar e curar as raízes de nossa história.

Citação do livro Conquistando a Liberdade Interior (Capítulo 1):
Ganhar asas, concretizar grandes sonhos, colecionar vitórias e realizações são o desejo de toda e qualquer pessoa. Todavia, ninguém será capaz de superar obstáculos e construir “voos” bem-sucedidos (vitórias) sem antes aprender a conquistar a liberdade dentro de si, curando as raízes de sua história e as aprofundando em terrenos que sejam e fecundos férteis.

Uma árvore que não possui uma profunda e saudável raiz pode ser derrubada por qualquer vento. Da mesma forma, o ser humano que não souber curar suas raízes para encontrar a verdadeira liberdade em seu interior, estará sempre vulnerável perante as imprevisíveis ventanias que de tempos em tempos visitam o jardim de nossos afetos e experiências.

As experiências presentes nas raízes de nosso ser (em nossos afetos, relacionamentos e percepções) realizam o ofício de influenciar diretamente nosso comportamento e nossa forma de existir (nossas raízes). Se houverem feridas e ausência de nutrientes na raiz, a toda a árvore de nossa história acabará ficando doente e frágil e não conseguirá se desenvolver nem se realizar em plenitude.

Precisaremos compreender como estão nossas raízes, para permitir que Deus nos cure e restaure a partir delas:

Citação do livro Conquistando a Liberdade Interior (Capítulo 1):
Toda raiz necessita de cuidados. Ela é a base que sustenta a planta e, por isso, precisa ser cuidada e bem estimulada. Da mesma forma, toda pessoa necessita de um cuidado atento para com seu interior, pois somente assim todo o seu ser poderá funcionar bem e encontrar uma verdadeira felicidade.
Na busca da liberdade interior precisaremos aprender a cuidar um pouco mais de nós mesmos e daquilo que nos afetou, aprofundando nossas raízes de forma certa.

Muitas, sem dúvida, serão as feridas, recalques e imperfeições que encontraremos em nosso interior, que tentarão nos roubar a liberdade de sermos o que realmente somos (de exercer nossa identidade genuína). Tais realidades precisarão ser devidamente superadas, para que nossas raízes recuperem a saúde e se fortaleçam no “solo” de nossa história.

Reflitamos com honestidade: como hoje se encontram nossas raízes mais profundas? Quais são as realidades que habitam nosso interior? Nele há feridas ou dores não superadas? Podemos dizer que somos verdadeiramente livres – de dentro para fora, ou, existem ainda machucaduras e condicionamentos que nos prendem a fatos passados e nos impedem de ser o que realmente somos? Podemos afirmar que somos felizes e realizados(as)? Será que precisamos de liberdade interior para viver bem, expressando nossos reais sentimentos e realizando nossa verdadeira identidade?

Existem inúmeras enfermidades capazes de destruir a vitalidade de uma árvore, porém, a maioria delas começa precisamente nas raízes (de dentro pra fora).

Santo Agostinho afirmou: “Preocupas-te se a árvore de tua vida tem galhos apodrecidos? Não percas tempo: cuida bem da raiz e não terás de se preocupar com os galhos”.

Liberdade interior é resolver-se de dentro pra fora, sem ficar buscando nos outros as respostas que só eu posso oferecer à vida… Eu preciso me resolver, escolher, decidir, construir a minha vida!

Citação do livro Conquistando a Liberdade Interior (Capítulo 1):
Se as coisas não estão resolvidas dentro de nós não há qualquer realidade exterior que possa nos apaziguar e trazer contentamento… Essa é uma incontestada e sóbria sentença. Quem não tem liberdade interior, ainda que tenha tudo, será um eterno fugitivo de si e de suas feridas, e não encontrará uma autêntica realização.

Podemos ter tudo: títulos, reconhecimento, dinheiro, beleza, conquistas, mas se não tivermos saúde e liberdade em nosso interior, nada nos realizará plenamente e estaremos sempre buscando algo que possa nos preencher.

Liberdade interior é um exigente trabalho artesanal, que exige persistência e sensibilidade…

Citação do livro Conquistando a Liberdade Interior (Capítulo 1):
Liberdade interior é um trabalho artesanal, no qual o artista que trabalha a alma precisará compreender o acervo de experiências que compõe a sua trajetória, direcionando cada realidade para a beleza/dureza da verdade que a pode libertar.
Sem liberdade interior ninguém consegue ser aquilo que verdadeiramente é nem consegue desenvolver todos os seus talentos.

Infelizmente, percebemos que um verdadeiro cuidado com a interioridade não está muito “na moda” atualmente:

Citação do livro Conquistando a Liberdade Interior (Capítulo 1):
Muitíssimos são os corações que procuram investir apenas naquilo que é exterior – na aparência, no corpo, na imagem etc. – valorizando apenas o caule e os galhos e desprezando o que sustenta todo o resto: a raiz.
Em muitas vezes, o interior de tais pessoas acaba ficando cada vez mais descultivado e ausente de vida, provocando um processo de constante insatisfação em que os baixos querem ser altos e os altos mais baixos. Quem é loiro quer ser moreno e, quem é moreno quer ser loiro. Quem tem cabelo comprido quer ter cabelo curto, e quem tem cabelo curto quer ter cabelo comprido etc. Uma espiral infinita porque quando se despreza o cuidado com o que está dentro, a consequência será uma busca insaciável por compensações que venham de fora e que não serão capazes de preencher a verdadeira sede da alma.

Enfermidades que adoecem as raízes de nosso ser (as raízes de nossa história):

Medos, feridas emocionais, ressentimentos, autoimagem negativa, baixa autoestima; realidades que abafam nossa verdadeira identidade e não nos deixam acontecer com inteireza, concretizando todos os nossos talentos e dons.
Não existe liberdade interior sem o resgate da própria identidade.

Padre Adriano Zandoná\Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Padre Adriano Zandoná\Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Será preciso resgatar, em Deus, nossa genuína identidade, deixando nossa essência e verdade virem à e tona e “respirar…”
Precisaremos retirar os rótulos, marcas e feridas que sufocam nossa real identidade.

Citação do livro Conquistando a Liberdade Interior (Capítulo 9):
Ninguém pode alcançar a liberdade interior, fonte de êxito e realização em várias dimensões de nossa vida, sem antes libertar-se dos rótulos e julgamentos que tanto nos prejudicam e nos aprisionam à negatividade.
Dentre as muitas possíveis formas de prejudicar alguém, os julgamentos e rótulos figuram entre as mais cruéis, visto que eles são uma forma desleal de aprisionar a pessoa a uma definição que, muitas vezes, não corresponde a sua essência e verdade. Essa é uma das principais causas da ausência de liberdade interior – em nós e nos outros – sendo uma sórdida forma de sepultar a essência e as possibilidades de alguém, encarcerando tal pessoa em uma triste prisão interior.

A constante busca da aprovação também é uma forma sorrateira de nos aprisionarmos aos rótulos, sufocando nossa genuína identidade e abafando nossos verdadeiros dons: diante da escravidão da aprovação – que furta nossa liberdade interior – precisaremos saber nos posicionar.

Citação do livro Conquistando a Liberdade Interior (Capítulo 9):
Mesmo quando “aprovamos” alguém, estamos apenas fazendo um julgamento sobre tal pessoa (como um “teste” no qual ela passou e recebeu a aprovação), assim como fazemos quando a criticamos e rejeitamos. O julgamento positivo, é claro, magoa menos do que a crítica, contudo, não deixa de ser um julgamento e também somos prejudicados por ele de maneiras muito sutis. O pior é que existem inúmeros corações que vivem sofrendo por este tipo de julgamento, submetendo-se a tudo em busca de aprovação (na família, no trabalho, no grupo de amigos) na ilusão de que assim serão verdadeiramente amados.

Ser aprovado nem sempre será sinônimo de ser amado, pois quando somos aprovados apenas passamos pelo “teste” que nos foi imposto, correspondendo à expectativa de alguém que julga saber o que devemos ser e fazer. Viver em uma constante busca de aprovação – que é uma forma de julgamento – é não ter um lugar de descanso, um pessoal “santuário”.
Assim como todos os julgamentos, a aprovação instiga um empenho constante (para corresponder a uma expectativa). Ela nos deixa incertos quanto a quem somos e qual o nosso real lugar e valor. Isso vale tanto para a aprovação que damos a nós mesmo quanto para a que oferecemos aos outros.
Não se pode confiar na aprovação, pois, se vivermos obcecados por ela poderemos nos tornar vítimas de uma sucinta escravidão, que sufocará nossa verdadeira identidade, nos roubará a liberdade interior e nos tornará infelizes.

A aprovação pode ser retirada a qualquer momento, independente de como tenha sido o nosso desempenho passado.
Algumas pessoas passam um tempo enorme pensando na impressão causada por suas palavras e seu comportamento, analisando se sua conduta agrada aqueles com quem elas convivem. Tais seres humanos vivem sempre representando para conquistar a aprovação e, sem disso se dar conta, acabam se tornando escravos dos julgamentos e rótulos que os outros e a sociedade lhes impõe. Essa é uma forma muito eficaz de contemplar o “confisco” da própria liberdade e contentamento interior.

Cuidado para não se tornar fantoche das opiniões e expectativas alheias:

Citação do livro Conquistando a Liberdade Interior (Capítulo 9):
Há aqueles (as) que acabaram abrindo um verdadeiro “espaço” entre os seus pensamentos e as suas palavras, para nele poder analisar se o que será dito agradará ou não aos outros. Tais corações não tem liberdade interior, não se sentem livres para ser o que são e expressar o que realmente pensam, agindo sempre como fantoches nas mãos das opiniões alheias.
Muita energia é gasta em vão nesse processo no qual adulteramos a nossa essência e nossos valores por querer viver para agradar, tornando-nos verdadeiros reféns da aprovação, do desgaste e da insatisfação que esse processo gera.

Citação do livro Conquistando a Liberdade Interior (Capítulo 1):
Quem não aprendeu a conquistar essa “tal liberdade” facilmente se torna refém das opiniões alheias, encenando inúmeros papéis em uma insaciável busca de seu próprio coração. Essa é uma desvelada trama de ilusão e incoerência, que aprisiona e gera uma contínua frustração.

Vivemos tempos de profunda crise de identidade (principalmente entre os mais jovens):

Citação do livro Conquistando a Liberdade Interior (Capítulo 9):
Vivemos, de fato, em um tempo no qual muitas pessoas “existem” sob os fardos de uma profunda crise identitária: Há aqueles que querem inventar uma identidade que não é a sua, querem criar um “gênero” ou uma opção de vida que não lhes pertence e que não foi realmente pensado pelo Criador. Pessoas que se alienam e escolhem um vício ou ferida como uma forma de vida, e assumem uma constante inverdade acerca de sua real identidade…

Tenhamos a disposição e a coragem para assumir nossa genuína identidade, deixando emergir o que integralmente somos e potencializando o nosso melhor. Existe uma força de superação dentro de cada um de nós (a presença de Deus) e, independentemente de como tenha sido nossa a história, poderemos reconstruí-la – ainda que a partir dos escombros – e carregá-la com liberdade e um novo significado.

Adquira esta palestra pelo telefone: (12) 3186 – 2600 

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Padre Adriano Zandoná


Sacerdote da Comunidade Canção Nova

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