Ordenação Diaconal

Homilia do arcebispo de Palmas (TO), Dom Alberto Taveira na ordenação diaconal do missionário Clóvis Andrade, realizada na sede da Canção Nova em Cachoeira Paulista (SP), neste domingo, dia 29 de julho. 

Nós não estamos fazendo aqui algo que pertença a Comunidade Canção Nova, ou ao Bispo, ou a família, nem algo que pertence a ele. Nós estamos aqui tocando em algo que depende e pertence a Deus. Você está testemunhando o acontecer da graça de Deus.

OUÇA HOMILIA NA ÍNTEGRA

Não bastaria para alguém ser ordenado padre, diácono, bispo, simplesmente a manifestação de uma comunidade, por mais importante que seja o que faz alguém ser ordenado não é a aprovação de um conselho. O que faz alguém ser ordenado é uma graça que vem pela imposição das mãos e pela oração de consagração, é um acontecimento da graça de Deus.

O bispo é este instrumento justamente porque ele trás esta graça pela sucessão apostólica, para comunicar a ordem, para introduzir numa ordem, o diácono ou os que são ordenados padre ou bispo, através do gesto antiqüíssimo da imposição das mãos e a oração de consagração. Aqui a Igreja se expressa, aqui a Igreja se realiza.

Na Igreja não se improvisam ministros, na Igreja não é alguém que diz: Eu quero! Na Igreja é alguém que se sente chamado, tocado profundamente pela graça de Deus, e o Senhor responde e faz descer sobre aquela pessoa a graça da ordenação. É terreno sagrado, é acontecimento sagrado.

Aliás, a liturgia de hoje nos dá a possibilidade de entender este trato, deixe-me chamar assim: este trâfego, trânsito de graça entre o céu e a terra. Nosso Deus não está lá longe, distante, desatento, distraído ao que acontece aqui na terra.

A Sagrada Escritura nos mostra em páginas magníficas como o da primeira leitura de hoje, que nos fala de Abraão que vai até negociar com Deus, “pechinchando”, pedindo, insistindo, diminuindo a conta, diminuindo o preço. É impressionante como a Sagrada Escritura, nos apresenta desta forma a intimidade que alguém pode estabelecer com Deus.



Insisto, o céu e a terra não estão desligados, Deus tem a ver conosco, nós temos a ver com Deus, nós estamos magnificamente dependurados na graça, essa é a nossa vida, assim nós cristãos acreditamos.

E no evangelho nada menos que o próprio Senhor nos ensina a oração mais perfeita e mais bonita que existe que é o Pai Nosso. Na qual pedimos tudo aquilo que é necessário. O reino, que magnífica paixão, que o nome de Deus seja santificado, que possamos proclamar este nome, que Ele seja cravado em nossa alma, e em nossa história; para que a nossa vida toda ela seja essa proclamação do nome de Deus, o nome Santíssimo de Deus. Pedimos que a vontade d’Ele faça essa erupção do próprio céu na vida aqui na terra, a vontade de Deus que se espalha.

É interessante, quanto mais buscamos a vontade de Deus e pedimos esta graça no Pai Nosso, mais felizes nós somos nesta terra. Porque a vontade de Deus, não é para fazer-nos infelizes, a vontade de Deus é para que nós nos realizemos plenamente como homens e mulheres chamados a esta magnífica comunhão com Deus.

Para reforçar mais ainda, o Senhor enriquece de imagens, algo que um filho pede ao pai, e o pai vai dar o melhor, tudo o que existe de melhor para o seu filho, não vai dar nada que prejudique o filho. A liturgia proclama maravilhosamente esta bondade, o amor de Deus por nós, Deus que cuida de todos nós, Deus que faz acontecer a sua graça em nosso meio. Devo sim ter respeito pelas pessoas que tem convicções diferentes, mas para nós, na Igreja católica, para nós como cristãos, é afirmação certa e clara: Deus tem a ver conosco.
E esta relação é uma relação de amor, e eu posso pedir certo de receber, posso buscar, certo de achar, posso bater nesta porta, na certeza de que esta porta me será aberta, tal convicção esteja enraizada profundamente em nosso coração.

Eu dizia com muita alegria ao Padre Jonas, como os que desejam ser sacerdotes são profundamente marcados pelo exercício do sacerdócio dele. Os padres da Canção Nova sabem disso, Clovis sabe disso, nós todos em nossa vocação, precisamos encontrar referenciais bem concretos. Não somos em primeiro lugar homens de livros, não em primeiro homens de estudo, mas somos primeiro discípulos do Senhor, e aprendemos esta estrada do discipulado quando encontramos pessoas apaixonadas por Deus e que são sinais para a nossa vida.

O que acontece com o Clovis? Ele encontrou a tesouro, encontrou a pérola preciosa que buscava em sua vida, e por causa desta pérola que está no céu, mas está presente ente nós. E por causa desta pérola ele deixa todos os afetos, coloca em segundo lugar tudo aquilo que ele poderia encontrar nesta vida. Por isso eu ponho em relevo nessa ordenação, em primeiro lugar, a radicalidade que se expressa numa vocação e num compromisso que ele assumirá agora mesmo diante da Igreja.

Chamado ao celibato por causa do reino dos céus, vocês sabem que muitas pessoas questionam esta vocação, que muitos levantam perguntas. E a Igreja com uma força e sabedoria impressionantes, continua a escolher para o ministério sacerdotal, pessoas que tenham duas vocações: A vocação do sacerdócio e também a vocação radicalissíma, mas fecunda, vocação do celibato, da entrega da integridade da sua capacidade de amar. Um homem célebre, que o diga os sacerdotes que estão aqui, que o diga meu querido padre Jonas. Eu de forma alguma posso sentir-me, e proclamo isso com toda a força da minha alma, eu de forma alguma posso sentir-me estério. Deus fez com que o ministério dos sacerdotes fosse fecundíssimo.



E um padre que se sentir quem sabe, diminuído, e humilhado diante das outras vocações especialmente da magnífica vocação da paternidade e da vida esponsal no matrimônio, esse padre não seria digno da grandeza da vocação que recebeu, porque ele recebeu um chamado de desposar o Senhor, um chamado de ser igual ao seu Senhor no estado de vida, um chamado a participar desta fecundidade espiritual e profunda da Igreja.

É porque este foi o jeito do céu se abrir para ele, para que a terra nele tenha essa porta, este laço profundo, porque ele será sinal aqui na terra pelo seu estado de vida do Senhor Jesus.


Transcrição e áudio: Célia Grego
Fotos: Renan Félix




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29/07/2007 a 29/07/2007 Ordenação Diaconal
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