Santuário do Pai das Misericórdias recebe mosaico

Irmã Patrícia é a responsável pela criação da arte do mosaico do santuário

Por Alessandra Borges
Da redação

O Santuário do Pai das Misericórdias está sendo ornamentado com um mosaico sobre a parábola do filho pródigo, retratando o acolhimento de Deus Pai, que ama a todos os filhos sem distinção e sem olhar para os erros cometidos.

A arte sacra vai revestir a parede ao fundo do presbitério. O projeto de criação da arte foi idealizado pela Irmã Patrícia Silva, consagrada das Pequenas Missionárias de Maria Imaculada, da cidade de São José dos Campos (SP).

Em entrevista ao Portal Canção Nova, a missionária conta como recebeu o convite para confeccionar o painel do mosaico, que vai compor a beleza arquitetônica do santuário.

cancaonova.com: Como foi receber o convite para realizar o desenho do mosaico que será colocado no Santuário do Pai das Misericórdias?

Irmã Patrícia: Em meados de junho/julho de 2013, Maria Eduarda, arquiteta e missionária da Comunidade Canção Nova, membro da equipe que atua no projeto do santuário, entrou em contato comigo por telefone. Meu nome teria sido sugerido pelo padre Anderson Marçal, reitor do Seminário da Canção Nova. Nós nos conhecemos em um curso de Arte Sacra e Liturgia que fizemos juntos em Roma. Recebi a proposta de elaborar um projeto que seria avaliado pelo Conselho da Comunidade Canção Nova.

Irma Patricia - Mosaico

Irmã Patrícia visitou o Santuário do Pai das Misericórdias para acompanhar parte da fixação do mosaico na parede ao fundo do presbitério. Crédito da foto: Arquivo pessoal da entrevistada

cancanova.com:  O mosaico representa a imagem da parábola do filho pródigo. Como foi o processo de criação e composição da arte para que transmitisse aos fiéis a mensagem de acolhimento com que o Pai recebe a todos?

Irmã Patrícia: A princípio me pediram que eu esboçasse um desenho que fosse uma releitura da famosa obra de Rembrandt, que retrata o retorno do filho pródigo e exibe a cena do encontro com seu pai sob os olhares estupefatos dos servos e indignados do filho mais velho; uma arte verdadeiramente muito expressiva e de uma beleza singular. Ao estudar a composição da tela de Rembrandt e o projeto litúrgico e de arte sacra, elaborados pela Comunidade Canção Nova, fui delineando outras ideias, inspiradas pela própria comunidade.

Passei sete dias na sede da Canção Nova em Cachoeira Paulista (SP) e observei o dia a dia dos missionários, dos visitantes, da rotina, a fisionomia das pessoas, algumas atitudes. Enfim, fui anotando as sugestões do Espírito Santo. De fato, não me sentia inspirada a copiar uma obra já famosa, mas a criar algo mais personalizado para esta comunidade. Coloquei-me em oração e a primeira sugestão que considerei ter vindo de Deus foi sobre a troca de olhares. O pai e o filho precisavam se entreolhar, pois o olhar, na minha opinião, expressa muito bem a realidade de alguém se sentir perdoado e de se sentir amado. Rembrandt, de religião calvinista, passou por diversas e duras perdas de pessoas queridas em um período de sete anos, levando-o a retratar um pouco de sua dor nessa última obra. A cena estática e a cegueira do pai favorecem esta leitura. Considerando, pois, que o Santuário do Pai das Misericórdias deve ser casa da acolhida e sinal de esperança para muitos, bem como o lugar do encontro com Deus, com Sua misericórdia e com Seu perdão, dei primordial atenção em representar um pai, que faz festa pelo retorno do filho, com movimentos de misericórdia expressos, sobretudo, no encontro de olhares e no sorriso discreto, afetuoso e terno. O fundo, que acompanha esta bela cena, expressa fortemente o carisma Canção Nova: o Espírito Santo, a tenda (acampamentos), o caminho, Maria…

cancaonova.com:  Irmã Patrícia, como é fazer parte da história deste grande templo de oração e recolhimento?

Irmã Patrícia: Sinceramente, eu me sinto privilegiada. Quando via pela internet o alicerce do santuário e acompanhava o andamento da construção, jamais poderia imaginar que, um dia, eu faria parte desta obra graças ao meu dom artístico. Eu sei que a Canção Nova tem profunda devoção à Providência de Deus, e rezou para que Deus enviasse um (a) artista para realizar essa obra. É muito bom saber que o olhar do Pai providente se voltou para este pequenino grão de areia que sou eu. Com humildade, digo que sou fruto de muitos joelhos que se dobraram nesta intenção.

cancaonova.com: Comente o seu envolvimento com a arte sacra.

Irmã Patrícia: Este foi o meu primeiro trabalho de confecção de um mosaico. Dedico-me particularmente às pinturas sacras, além de oferecer orientações para readequação de espaços litúrgicos. A arte sacra é um caminho relativamente novo em minha vida, comecei a trilhá-lo há apenas seis anos. Tenho pinturas de minha autoria em algumas igrejas no Estado de São Paulo.

Meu primeiro contato com a arte sacra aconteceu em 2007 ao estudar os antigos ícones de origem bizantina. Desde então, ela tomou uma dimensão bastante ousada dentro de mim; descobri-a como um meio muito privilegiado do encontro com Deus, com os irmãos e comigo mesma, além de ser um serviço prestado à Igreja. Digo que a arte sacra tem o poder de nos tornar, como dizia São Paulo: «Adiutor gaudii vestrii» – «Colaborador da alegria» (Cf. 2 Cor 1,24). Ao ir às comunidades, principalmente às mais carentes, nas quais tive o privilégio de deixar minha colaboração, comecei a perceber a necessidade de aprender cada vez mais sobre o assunto. A arte sacra não é apenas fazer um projeto, comprar a tinta e metê-la na parede! Não. Vai além disso, a arte sacra tem que falar algo, e para falar, temos que rezar. É um ciclo sagrado! Hoje, com a graça de Deus, estou me aprimorando neste dom e desejo imensamente continuar a usá-lo para o bem da Igreja.

cancaonova.com:  A arte sacra que contemplamos nas igrejas nos faz conhecer um pouco da Palavra de Deus. Qual a importância desse trabalho de evangelização dos artistas plásticos?

Irmã Patrícia: A arte sacra não pode ser confundida com um trabalho artístico qualquer. Quando um artista escolhe adentrar a Via pulchritudinis (Via da Beleza) ele se desafia a partir da experiência do encontro com esta mesma beleza, que suscita estupor e que pode abrir a estrada da busca de Deus e dispor o coração e a mente ao encontro com Cristo. Se um artista plástico conseguir unir talento e fé ele contribuirá muito com a arte sacra e fará de sua arte uma ponte entre Deus e o homem. É uma vocação.

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