Finados: é preciso meditar sobre a morte

Finados: é preciso meditar sobre a morte

Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer. Foto: Arquivo/cancaonova.com

Meus queridos irmãos e irmãs, eu gostaria de perguntar a todos vocês: Quem conhece alguém que já faleceu? A maioria conhece. A morte nos impressiona, ela nos comove.

Hoje, celebrei uma Missa no cemitério e havia várias pessoas sendo veladas. Assim como lidamos com a morte, devemos nos confrontar com o seu mistério. Ela passa e a vida continua, não poderíamos ficar eternamente chorando.

O Dia de Finados é para refletirmos sobre a morte, que entra no nosso dia também pelas coisas que consumimos. O que dizer, então, diante desse mistério que é a morte?

Ao longo de toda a história e de todas as culturas, tentaram dar uma resposta para a morte. É claro que as nossas palavras humanas são limitadas, mas a Igreja testemunha uma palavra de fé a respeito dela, pois nos mostra como a encarar. Na primeira leitura de hoje (Jó 19,1.23-27), vemos que Jó foi provado de muitas maneiras para permanecer firme na fé. Ele perdeu tudo, e até a sua família começou a questioná-lo: “Você perdeu tudo! Para que serve sua fé?”. Disse Jó: “Eu sei que meu Redentor vive”. Essa deve ser a nossa certeza. Jesus é capaz de fazer surgir novamente a vida onde somente há o pó da morte e os ossos ressequidos como na leitura de Ezequiel 37.

No Evangelho, em João 11, Marta disse: “Mestre, é melhor não abrir, porque já cheira mal”. Jesus disse: “Eu sou a vida. Se creres verás a Glória de Deus”. Esta deve ser a nossa certeza: “Deus vive”. Só viverá quem estiver unido a Deus, é isso que diz no João: “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida.” (João 6, 47-48). Essa é a nossa certeza: “Cristo é o Redentor!”

Fiéis participam da Santa Missa com Cardeal Dom Odilo. Fotos: Paulo Pereira/cancaonova.com

Fiéis participam da Santa Missa com Cardeal Dom Odilo. Foto: Paulo Pereira/cancaonova.com

Nenhum de nós viverá eternamente neste mundo, por isso devemos pensar como estamos nos preparando para este dia. Jesus nos advertiu seriamente em relação a isso: “De que adianta ganhar a vida aqui e depois perdê-la?”. Como diz no livro sapiencial: “Viva bem os seus dias”. Precisamos evitar o mal. Quem de nós pode saber quanto tempo ainda nos reta? São Paulo vai dizer: “Não ponha o sol sobre o vosso ressentimento”. Não caminhemos de costas para Deus se um dia quisermos encontrá-Lo face a face.

Finados também nos recorda que devemos ajudar as outras pessoas, principalmente aquelas que estão se aproximando da morte. Devemos chamar os ministros para preparar estas pessoas, convidar um sacerdote para confessar estes que se aproximam da morte, a fim de que recebam a unção dos enfermos. Precisamos ser instrumentos para as pessoas se salvarem. Somos questionados como católicos: “Por que vocês rezam pelos falecidos?”. Se rezarmos para os vivos, por que não rezaremos pelos falecidos? A Igreja ensina que devemos rezar pelos falecidos.

Tenha a certeza de que rezar pelos irmãos falecidos não só é lícito, mas necessário. Nós católicos não fazemos cultos aos mortos. A Bíblia diz claramente que não se deve fazer culto aos mortos.

Peçamos a Deus que tenhamos a graça de viver bem, com sabedoria e constância, para que um dia sejamos acolhidos também pelo Pai. Peçamos a Deus uma morte feliz, uma morte em Deus, nos braços d’Ele.

Transcrição e adaptação: Jakeline Megda D’Onofrio.


Cardeal Odilo Pedro Scherer


Arcebispo Metropolitano de São Paulo

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