A alegria do primeiro amor

Padre Lúcio Tardivo - Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Padre Lúcio Tardivo – Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Maria é o modelo de quem ora e intercede por nós, constantemente lança seu olhar sobre nós e leva as nossas orações a Deus.

Hoje queremos prosseguir na trilha da cura, neste caminho que nos leva a Jesus. Deus é a nossa força. Na Encíclica Esplendor da Verdade o Papa João Paulo II afirma que o ser humano anseia pela verdade e a todo instante a buscamos. Também Santo Agostinho afirma que nossa alma só encontra descanso quando encontra-se com Deus.

Geralmente na virada do ano fazemos muitos projetos, muitos propósitos, e ao longo do ano percebemos que alguns destes propósitos conseguimos alcançar, graças a Deus! Outros nem tanto, e alguns projetos nem conseguimos começar. Por isso, as vezes, caímos na infelicidade de pensar que Deus está longe de nós, mas não é verdade, Ele é um Deus próximo.

Por amor, Deus nos chama a uma Igreja de comunhão e participação, não uma Igreja intimista. Existem pessoas que pensam que podem praticar sua religião em casa, mas não é a esta Igreja que Deus nos chama. Não somos chamados a inventar a nossa própria religião com nossas próprias regras, a nossa religião foi dada por Deus.

Quando nos relacionamos, estamos no meio das pessoas e é normal que se tenha discussões e desavenças. Porém, nessas situações podemos nos rever, podemos mudar porque o contato com outro nos faz crescer.

A vocação é um imperativo para nós, vivê-la é estar diante de Deus dando uma resposta a Ele. A vocação não é um desejo pessoal, é um chamado de Deus, e a vivência é uma resposta a Deus. Muitos casamentos dão errado porque as pessoas não souberam discernir, pode ser que elas não tenham sido chamadas ao matrimônio, porém viram esse estado de vida como única saída para suas vidas.

Precisamos buscar de Deus: Quem eu sou? Para que eu vim ao mundo? E essas indagações são fúteis se não caminharmos para Deus, para o Seu amor. Só percebemos que nossa vida tem sentido se estivermos firmes no amor.

A palavra amor é muito discutida em seu sentido, ao ponto de ficar banalizada. Mas para nós cristãos, não! Precisamos refletir que amor está nos movendo? É o amor “eros” ou o amor “ágape”? Como seres humanos, os dois amores nos movem, porém é preciso encontrar o ponto de equilíbrio e deixar que Deus nos encontre em Seu amor que é unicamente ágape.

"Não tenha medo de abraçar as dificuldades", exorta Pe. Lúcio - Foto: Daniel Mafra

“Não tenha medo de abraçar as dificuldades”, exorta Pe. Lúcio – Foto: Daniel Mafra

“Os apóstolos voltaram para junto de Jesus e contaram-lhe tudo o que haviam feito e ensinado. Ele disse-lhes: Vinde à parte, para algum lugar deserto, e descansai um pouco. Porque eram muitos os que iam e vinham e nem tinham tempo para comer. Partiram na barca para um lugar solitário, à parte. Mas viram-nos partir. Por isso, muitos deles perceberam para onde iam, e de todas as cidades acorreram a pé para o lugar aonde se dirigiam, e chegaram primeiro que eles. Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-se dela, porque era como ovelhas que não têm pastor. E começou a ensinar-lhes muitas coisas.” (Marcos 6, 30-34)

Jesus não apenas teve pena das pessoas, mas teve compaixão, o que significa se colocar no lugar do outro sentindo com ele. Jesus nos mostra que é preciso ter compaixão em nossas relações. Ele sofre conosco, e nos leva a certeza de que Ele faz companhia a nós. É preciso que aprendamos a ser de acordo com aquilo que Jesus fez por nós.

A nossa meta é ser como Jesus, um Pastor que não olhava as ovelhas de longe, Ele estava com as ovelhas.  A vida só vale a pena quando fazemos o bem aos outros. Em determinado momento da vida começamos a pensar, para quê adquirimos tantos bens? E descobrimos que eles só tem sentido ajudamos o próximo.

Temos necessidade de nossa mãe, de nosso pai, e Deus é sábio, por isso deixou em nós a necessidade também da presença d’Ele. E isso precisa ser cultivado em nós desde o berço. Aos poucos vamos aprendendo a amar e ser para o outro aquilo que ele necessita.

Vamos crescendo a medida que as situações acontecem em nossas vidas, e Deus nos dá a oportunidade para darmos uma resposta diferente. São nas pequenas coisas que aprendemos a amar e ser o que Jesus foi. As pessoas precisam sentir o nosso afeto, nunca se falou tanto em depressão como nos dias de hoje, talvez a solução seja amarmos uns aos outros.

No gesto que fazemos conseguimos expressar uns aos outros que nos amamos. Todos nós que somos batizados, inseridos no corpo de Cristo somos chamados a amar de verdade e não com palavras somente, mas com atitudes.

Amar é diferente de gostar. Gostamos de alguns, mas amar, Deus nos pede que seja a todos! Amar significa respeitar, alegrar com o sucesso do outro, não sentir inveja. Somos mais que convidados, mas impelidos a amar, senão estaremos vivendo uma máscara, uma mentira.

É inconcebível que não tenhamos a disposição de amar, que não tenhamos afeto. A comunidade de Bethânia tem a missão de mostrar o rosto de Cristo ao outro. Se você partilha desse ideal conosco precisa viver isso conosco, quem ama o padre Léo, também ama Bethânia.

Temos que pensar a vida de modo positivo, se estou me gastando por Deus é preciso entender que Ele vai me dar força para continuar e  não me abandonará. Não desista porque Deus está com você! Lute com todas as suas forças, não desista dos desafios que a vida te impõe. A vida é feita, também de coisas boas. Permita Deus te abraçar, não tenha medo de abraçar as dificuldades.

Precisamos ter discernimento! Pensamos que Deus está nos mostrando uma coisa, e talvez Ele esteja nos mostrando outra totalmente diferente, é preciso chegar ao cerne para descobrir o que Deus quer nos falar. Deus tem algo a nos dizer para isso é preciso ter a coragem de ouvir o que Deus tem para nós.

É preciso abraçar a cruz todos os dias sem olhar para trás,  olhando para frente para o que Deus tem para nós! Sua cruz tem o peso que você aguenta carregar. Muitas vezes pensamos que nossa cruz é mais pesada que a dos outros, mas ela na verdade é a medida para cada um de nós. Se não dou conta de carregar a minha cruz, Deus vai mandar um Cirineu para ajudar-me a carregá-la.

No concreto de nossas vidas, as vezes, temos dificuldades em nossos relacionamentos, mas acima de tudo precisamos aprender amar o outro. Não são apenas as missas que vão nos levar para o céu, mas também o quanto nos doamos e amamos os nossos irmãos.

Você, a partir de hoje, pode ser uma pessoa renovada porque Deus está dentro de você!

Transcrição e adaptação: Rogéria Nair


Padre Lúcio Tardivo


Sacerdote da Comunidade Bethânia

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