A alegria da santidade

Padre Demétrio
Foto: Maria Andrea/cancaonova.com
Jovens, estamos vivendo uma grande alegria na véspera da Solenidade do Batismo do Senhor. Hoje, a figura que a liturgia nos mostra remete-nos a São João Batista, o qual batiza os homens que vinham a ele. Era uma batismo de conversão, de abandonar a vida velha para entrar na vida nova.

Jesus foi batizado por João e, por vezes, parece imitar o mesmo gesto dele; no entanto, não podemos comparar um com o outro, pois é Jesus o Cordeiro que tira o pecado do mundo. O verdadeiro batismo é o do Senhor, é Ele quem nos traz a vida nova. Ali se cumpre a palavra que o Senhor diz a Nicodemos: "É preciso nascer para o céu".

Pelo batismo tornamo-nos sacrários vivos. É a alegria do Senhor fazer morada nos corações. É o noivo que se enche de alegria ao entrar no coração da noiva. Na Sagrada Escritura, vemos o Senhor sendo o noivo que deseja despojar com sua noiva que é a Igreja. No livro de Gênesis, vemos que, se por Adão o pecado entrou no mundo, o Novo Adão, Jesus Cristo, veio tornar possível a nossa salvação.

O povo que o Senhor amou e chamou para Si, desde todo sempre, estava corrompido, mas Ele se mantém fiel. O amor de Deus persegue o homem, mesmo nas vezes em que somos infiéis, pois Ele não se contradiz.

Em Gênesis, capítulo 2, Eva é retirada da costela de Adão: “Então, o Senhor Deus mandou ao homem um profundo sono; e enquanto ele dormia, tomou-lhe uma costela e fechou com carne o seu lugar”. A partir daí, os dois tornam-se um só corpo.

Jesus, o Novo Adão, também caiu no sono profundo: a morte na cruz. Outrora, era o lado de Adão que fora aberto; agora o lado de Cristo é transpassado na cruz.

Agora, o Senhor encontra uma ajuda que lhe é necessária; o Novo Adão encontra, na Igreja, a sua noiva.

“Toda paixão que Jesus derramou foi por nós”, diz São Paulo. "O Cristianismo nasce de um encontro com a pessoa", diz o Papa Bento XVI. O Senhor ama a cada um de nós, somos únicos diante d'Ele. É como se, na Terra, só existisse eu e Ele. Deus é ciumento.

A alegria, que realiza a alma de João Batista, é ouvir a voz do Esposo. A alegria é própria do Cristão; o chamado "viver na alegria" aparece, inúmeras vezes, na Sagrada Escritura. Tristeza, no Cristianismo, é incompatível. O Senhor nos convoca a participar da Sua alegria.

Todos os homens buscam a felicidade. Todas as obras que ele realiza têm como objetivo a alegria, mas nem todos sabem onde está a verdadeira alegria. Quando João é questionado sobre onde estaria a sua alegria, ele diz que já a encontrou na voz do Noivo. A alegria está em deixar com que a voz de Cristo ressoe em nossas vidas. Ouvir é muito mais que escutar, ouvir permite que sejamos transformados pela palavra dita.

O mundo foi criado por Deus, mas foi ferido pelo pecado. A nossa filiação divina permite que nós busquemos essa verdadeira alegria. Somos filhos de Deus e ninguém pode tirar isso de nós. A alegria do mundo acaba numa noite de balada, mas a alegria do Senhor é eterna. Existe, portanto, uma diferença no modo de buscar tais alegrias. Aqui na Terra, ser alegre é sinônimo de sentir-se bem, mas nós cristãos não podemos buscá-la; precisamos buscar a fonte da alegria, que é ouvir a voz do esposo. Busquemos a alegria que tem raízes de cruz, a qual não tem explicação humana. Aqui se entende a alegria dos santos.

"Quer ser feliz? Seja santo!"
Foto: Maria Andrea/cancaonova.com


A tristeza é a grande aliada do demônio! Mas ela também pode ser a nossa, quando nos mostra a santidade. Quanto mais perto de Cristo, mais felizes seremos; quanto mais longe, mais tristes seremos. Quando tiramos o olhar d'Aquele que é o nosso foco, somos invadidos pela tristeza. Não estamos isentos da tristeza, mas não podemos nos deixar ser conduzidos por ela.

Façamos a experiência do filho pródigo, que encontra abrigo no colo do pai que age de misericórdia. O mundo procura alegria em si mesmo, mas o homem de Deus se alegra na escuta da voz do Senhor.

Somos criados para amar, mas isso só acontece se colocarmos ordem no nosso amor. Nós não nascemos apenas para amar, mas amar de forma correta. Busquemos, portanto, Deus em primeiro lugar, principalmente na nossa vida de oração, ou seja, separemos, em nosso dia a dia, o lugar para estar com o Senhor.

Quando abandonamos nossa vontade e fazemos a vontade de Deus, encontramos a verdadeira alegria. Nem sempre os planos do Senhor coincidem com os nossos, mas sejamos dóceis à vontade d'Ele. Se o Senhor permite os sofrimentos é porque, por meio deles, quer algo ainda maior. Essa é a verdadeira sabedoria para alcançarmos a perfeita alegria.


Padre Demétrio Gomes da Silva


Sacerdote da Arquidiocese de Niterói – RJ

Facebook
Twitter

Evite nomes e testemunhos muito explícitos, pois o seu comentário pode ser visto por pessoas conhecidas.

↑ topo