A plenitude da lei é o amor

Padre Roberto
Foto: Robson Siqueira

São semelhantes aos demônios aqueles que crêem, mas não amam. Diz Santo Agostinho que hoje vivemos uma realidade muita seca, até internamente na Igreja, entre nós, padres, entres os consagrados, há certo medo de se jogar aos pés de Jesus. Medo que, muitas vezes, nos impedem de viver a vontade de Deus.

Fui a Roma entregar as regras de vida da comunidade, ao entregar os estatutos o cardeal disse: “Não tem muita coisa para ler, não”, era como se o coração dele dissesse: “Não importam as regras! Quero o amor de Jesus brilhando na face da terra”. Ele dizia: “Padre, o que basta é o amor”, essas palavras dele me marcaram muito.

Sei que o que vai me dar o céu não é a regra de vida, mas é o amor. Há uma multidão de pessoas esperando que lhes apresentemos o amor de Deus. Quantas atitudes existem em nome de Jesus, mas no fundo não são atitudes de acordo com o Evangelho.

Se você escutar a voz do Espírito Santo e a voz de Deus, vai ver que Deus nos convida a amar. Como hoje nos faltam – a nós cristãos – atitudes de amor que mexam com a estrutura de nossas vidas e de nossa comunidade. Eu não vejo sentido nelas [vidas e comunidades] se não houver amor para salvar o sofrido, o pequeno; eu vivo esta experiência e o meu coração é consolado com isso por causa de Jesus.

Você, na comunidade, na família, deve ser a pessoa que atrai os demais por amor, pois hoje o povo tem sede do amor. As estruturas têm matado o amor, as nossas posições o matam também.

Hoje, na pregação da tarde, falei da morte do Zacarias, ao falar sobre isso me doeu o coração porque ele me amava gratuitamente, um amor de entrega que marca o coração. Hoje o mundo vive um amor que se troca: se ama pelo valor e não pelo que se é. Outro pecado do Cristianismo é fazer a distinção de pessoas e a falta de acolhimento. Saber acolher alguém, dar um sorriso, dá um abraço é um dom santo.

Cuidado! Porque, às vezes, você olha os pecados na sua sexualidade, mas falta o amor, falta o acolhimento, isso ninguém confessa. Não podemos negar o amor, não nos pode faltar o amor!

Esses tempos tão duros em que estamos vivendo – só podemos viver na misericórdia. Ame por causa de Jesus! Socorra àqueles que sofrem em nome de Jesus!

vida fraterna é o amor que transcende as paredes!
Foto: Robson Siqueira

xMuitas vezes, vamos numa secretaria de uma paróquia ou na comunidade em busca de amor, mas encontramos regras e mais regras… Mas não somos chamados a viver só da lei, mas sim do amor!

O amor de Jesus fazia e faz o inferno tremer. Hoje escutando Davi, e Saul querendo matar por ciúmes… Mas quantas vezes nós também “matamos” alguém por ciúmes. Precisamos estar dispostos a sofrer por amor. Quando eu choro por causa do Zacarias, porque o amo, creio na vida eterna, mas sinto saudade.

Não perca tempo diante das situações em que você tem de ter misericórdia. Há muitas pessoas para as quais você pode devolver a vida. Saia do cotidiano, do ordinário, vá para o extraordinário, saia ao encontro daqueles que necessitam.

A santidade é o amor que perdoa e que salva. Sei que enfrentar as “estruturas” é difícil; às vezes eu tenho dificuldade de fazer isso na minha Fraternidade [Toca de Assis].

A vida fraterna é o amor que transcende as paredes! O amor que vai buscar o irmão e a irmã que estão perdidos. As pessoas precisam saber que você tem o amor de Jesus.

Transcrição: Elcka Torres


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Padre Roberto Lettieri


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