A prática da Divina Misericórdia

Ricardo Sá – Por que nós vivemos uma devoção? Em primeiro lugar, existe o risco de pensarmos que viver uma devoção, como a devoção à Divina Misericórdia ou de São Miguel Arcanjo é só para as pessoas que são santas. Nada disso. Devoção, nós vivemos por uma extrema necessidade, por causa dos nossos pecados e franquezas, por não sabermos rezar. Então, por exemplo, pedimos ajuda a São José, pois não conseguimos nos aproximar de Nossa Senhora. É por causa de uma impossibilidade de nos achegarmos a Deus que somos devotos, pois a devoção é como um atalho. Vivemos também uma devoção porque temos dificuldade de rezar, de sermos fiéis ao que Nosso Senhor pede ao nosso coração. Assim, recorremos a esses santos que nos mostram outras direções, outros atalhos.

Quem diz que não sabe rezar, o que pedir nem como pedir, precisa de um amigo santo que o ajude a encontrar a graça desejada. É importante saber que aqueles que são próximos dos santos têm uma fragilidade, um pecado e, por isso, não conseguem se aproximar de Jesus, sozinhos.

A devoção é, muitas vezes, você se levantar, ter ação, atitude. Quem fica parado nos seus problemas, na dor da perda de alguém ou no luto, pára de viver.v “Sabemos que a tribulação produz a paciência, a paciência prova a fidelidade e a fidelidade, comprovada, produz a esperança. E a esperança não engana. Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rom 5,3).

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Como concretizamos nossa confiança no Senhor? Recorremos a Santa Faustina, porque ela é a "secretária" de Nosso Senhor.

No número 1084 do Diário de Santa Faustina, ela relata uma de suas experiências: "Antes de cada grande graça, a minha alma é submetida à prova da paciência, porque a sinto, mas ainda não a possuo".

O mesmo Diário, no número 1150, diz assim: "Hoje, tive um grande desgosto por causa de certa pessoa leiga. Essa pessoa, com base numa coisa verdadeira, disse muitas coisas inventadas. E como todas essas coisas foram tidas por verdadeiras e espalhadas pela casa toda, quando vieram aos meus ouvidos, senti uma dor no coração. Como se pode abusar da bondade dos outros? Mas resolvi não dizer alguma palavra em minha defesa e demonstrar uma bondade ainda maior para com essa pessoa, mas, para suportá-lo com tranqüilidade, percebi que tinha poucas forças, por isso se prolongava por semanas. Quando via a tempestade a levantar-se e o vento a jogar areia diretamente nos meus olhos, fui diante do Santíssimo Sacramento e disse ao Senhor: 'Jesus, peço-vos a força da vossa graça atual porque sinto que não vou conseguir suportar essa luta. Protegei-me com o vosso peito'. Então, ouvi essas palavras: 'Não temas, Eu estou contigo'. Quando me afastei do altar, uma estranha força e paz inundaram a minha alma e a tempestade que se desencadeou batia contra a minha alma como contra um rochedo e a espuma da tempestade caiu sobre aqueles que a provocaram. 'Ó, como é bom, Senhor, que paga a cada um segundo as suas obras, que toda alma peça para si a graça especial, visto que, às vezes, a graça habitual não é suficiente'".

Isso prova que para concretizar o nosso "Jesus, eu confio em Vós", é preciso recorrer cada vez mais ao Nosso Senhor Jesus Cristo. Em primeiro lugar, encontrando n'Ele a graça sobrenatural para enfrentar os problemas tão duros da nossa vida. Reze do seu quarto, do seu leito, no meio de sua dor, pois o mais importante é a oração, é buscar o Senhor e ter a certeza de que, do peito d’Ele sai a graça de que você precisa.

Abra sempre um sorriso e acolha os que estão perto de você, dê um abraço a quem não o merece, aproxime-se de quem você nunca se aproximaria, porque você confia em Jesus Misericordioso. Sorria para quem lhe faz cara feita, ajude quem nunca o ajudou, ame quem nunca o amou, escolha essa pessoa e faça um gesto de amor muito grande para ela. Se ela não entender sua atitude, mas lhe perguntar o motivo de seu gesto, diga-lhe apenas: "Eu confio em Jesus".

Eliana Sá – Esta semana, talvez você esteja num lugar onde eu nem possa imaginar, num lugar de prostituição, entre lágrimas, sentindo a dor da sua história tão sofrida que fez com que você vendesse o seu corpo. Quero lhe dizer que a nossa batalha é tão grande ou maior do que a sua, pois, com exceção da família de Nazaré, tenho me deparado com famílias tão semelhantes à minha. Quero lhe dizer que você está recebendo alguns socorros que Jesus lhe enviou nesta vida: Seja um amigo ou um parente, sei que Jesus sempre nos envia socorro. Ele nunca nos deixa sozinhos. A nossa luta é imensa e nós vamos lutar até a morte.

Um dos aspectos mais lindos da devoção à Divina Misericórdia é o tempo. Há uma tentação que nos faz pensar que somos eternos e que vamos durar para sempre, mas uma vez que você diz: "Jesus, eu confio em Vós", está transbordando a misericórdia de Nosso Senhor para o seu filho, para seu marido. Faça isso enquanto há tempo. Tenha misericórdia do seu tio, da sua avó, enquanto há tempo. Tenha misericórdia com você, abra um sorriso enquanto há tempo.

Ricardo Sá – A minha grande inquietação, em todas as devoções, são os conceitos lindos que aprendemos, mas não o vivemos. Existe um tempo. Nosso Senhor está nos dizendo que Ele está nos dando um tempo. Você já viu com quantas coisas você está perdendo o seu tempo?

Nós precisamos dizer, agora, que amamos aquela pessoa que precisamos perdoar. Você precisa dar perdão àqueles que já não estão mais nesta vida. A misericórdia de Jesus precisa traduzir-se na sua vida. Isso dará sentido à sua vida, à sua existência, ao coração que bate em você.

Jesus é amor, é misericórdia, é perdão. Confie no perdão, na paciência, no sorriso, na generosidade e no acolhimento d'Ele, porque uma brisa chega ao mar revolto que há dentro de cada um de nós.

Transcrição: Michelle Mimoso
Áudio: Renan Félix
Fotos: Natalino Ueda


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