A riqueza do anúncio

Somos filhos do céu, não pertencemos a mais nada e a mais ninguém. Ainda que o mundo tente apresentar outros motivos, não podemos perder essa verdade. A Igreja confirma através da beatificação de seus santos essa verdade. O chamado de Deus a cada um de nós é o de pregar a beleza do anúncio de Sua presença por meio do testemunho vivido. O convite para nós é redescobrir a beleza de sermos irmãos de Jesus Cristo. O Batismo nos deu a graça de sermos apóstolos, discípulos e anunciadores do Senhor. Isso se caracteriza quando temos que falar em nome de Deus, quando temos o compromisso de falar sobre Jesus Cristo; reconhecendo que o que falamos é a causa da alegria da nossa vida.

Nos Evangelhos, percebemos que todas as vezes em que Jesus convenceu alguém, Ele o fez na simplicidade e na humildade. Ele sempre quis devolver a cada pessoa, que encontrava, a alegria de viver. Cristo lhes devolvia a esperanca! Podemos imaginar a alegria do Senhor quando percebia a esperança brotar no coração do leproso, do cego e de muitas outras pessoas que viveram a experiência desse encontro com Ele. Esse encontro que Deus deseja que o tenhamos também. O apóstolo Paulo experimentou esta graça e não permaneceu sendo a mesma pessoa.

O nosso anúncio é o de manifestar um "traço" de Deus na vida daquele a quem encontramos. Somos muitos para continuar fazendo o bem. É em nosso cotidiano que traduzimos a beleza do Criador no nosso coração. É dentro das coisas simples do nosso cotidiano que levamos o encantamento de se viver a beleza de contemplar a presença de Deus em nós e no outro.

Não estamos sozinhos neste mundo. Podemos contar com a presença de Jesus. A partir disso nos tornamos mais animados, pois trazemos a certeza da presença do Senhor em nosso cotidiano, mesmo entre as dificuldades da nossa vida. Isso não quer dizer que – por termos Deus no coração – não teremos mais dificuldades. Seria muita pequenez de nossa parte se estivéssemos com Ele somente pelos milagres. Mas ao reconhecermos a presença de Deus em nossa vida, certamente, Ele nos fará muito mais que milagres.

Certa vez, uma senhora estava trabalhando no paisagismo de um prédio. Sentou-se e só reclamava das coisas, e um homem, maltrapilho, aparentando ser muito velho sentou-se perto dela, e cumprimentou-a com um alegre "bom dia!". O que aquele pobre homem tinha para oferecer àquela mulher, que estava reclamando da vida, era apenas um diálogo… Ele puxava um carrinho cheio de latas e papéis e dizia que passava o dia catando lixo para vender e, no final da tarde, ia até uma escola para comer. A mulher lhe perguntou como ele podia puxar um carrinho tão pesado durante todo o dia. Então aquele velho disse que Jesus o ajudava.
Mesmo nas dificuldades, que aquele homem vivia, ele não se deixava vencer por elas e se tornava menos feliz por causa delas. Aquele diálogo fez aquela paisagista refletir. A moral da história é que mesmo que não possamos mudar o mundo, podemos mudar a maneira de alguém encarar a vida, através do nosso modo de viver.

A evangelização torna-se muito mais eficaz quando se fala por meio daquilo que se foi experimentado e quando nos abrimos a essa experiência não permanecemos sendo os mesmos. Deus nos dá a oportunidade de reencontrar a alegria de ser pertença d'Ele.

No dia em que Deus criou o mundo, Ele quis trazer para terra um pedaço do céu. Tudo foi providenciado para que o céu acontecesse agora, e pouco a pouco, o Senhor coloca dentro de cada um de nós a vontade de fazer o céu acontecer aqui. Queiramos voltar para casa vivendo a alegria de ter experimentado a graça de santificar um pouco a vida do outro.

O missionário e o apóstolo precisam rezar o seu ministério. Quando acordamos, precisamos decidir levar a certeza de Deus a todos que encontrarmos durante o dia. E isso é uma coisa simples que começa com um alegre cumprimento. Deus gosta e quer Se utilizar de nós para isso. O nosso discurso precisa ser sobre aquilo que o Senhor tem feito em nosso coração, de modo que o outro possa entender a presença d'Ele no nosso meio.


Padre Silvio César, sdb


sacerdote da ordem dos Salesianos de Dom Bosco e Diretor do Instituto do Coração Eucarístico Salesiano na cidade de Pindamonhangaba – SP

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