Acolhimento para os doentes

Dom Antônio Augusto
Foto: Maria Andrea/Cancaonova.com

Bom dia a todos! Hoje temos a oportunidade de refletir a respeito da Campanha da Fraternidade de 2012. O tema que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) nos propõe: Fraternidade e Saúde Pública, é um convite à conversão pessoal, e de alguma forma social.

Quero começar contando uma história que ocorreu em um hospital de câncer no Brasil. Havia uma criança com 5 anos de idade, internada já em estado terminal, ela era portadora de leucemia, e os médicos já haviam feito tudo, mas a doença avançava cada vez mais. Eles decidiram, então, informar aos pais da gravidade, e que certamente a criança teria poucos dias de vida. Imediatamente os pais se empenharam em fazer dos últimos dias do menino momentos de felicidade, e perguntaram a ele o que ele queria ser quando crescesse. Aparentemente essa pergunta a alguém que certamente não vai gozar da vida adulta pode parecer absurda, mas os pais queriam proporcionar a alegria a ele e realizar os seus sonhos.

A criança respondeu: "Quero ser bombeiro", pois desejava salvar vidas. Os pais decidiram que, nesses últimos dias, o menino seria bombeiro, foram até um quartel dos bombeiros para solicitar ao comandante que a criança fosse pelo menos um dia da sua vida bombeiro. O comandante concordou e fez ainda mais: mandou confeccionar uma farda para o garoto, e combinou com os pais e a direção do hospital que todo o batalhão iria se dirigir ao hospital para fazer uma grande surpresa para a criança.

No dia combinado todos os bombeiros foram até o hospital e fizeram aquela festa, o menino naquele dia foi bombeiro. Participou das atividades militares, reuniões, resgate de pessoas, enfim, foi uma festa, a alegria do menino foi tamanha que prolongou seus dias de vida. Quando a criança voltou para o Pai, morreu com um sorriso nos lábios, feliz. Para nós fica a lição de que todos podemos fazer mais do que está ao nosso alcance para que as pessoas sintam o amor, o carinho necessário no momento de dor, assim como os bombeiros e os pais desse menino fizeram de tudo para que ele morresse feliz.

Vocês sabem que Jesus se comovia com a situação dos doentes. Temos que ter, nesta Campanha da Fraternidade, duas atitudes semelhantes a dos pais desse menino. A primeira é o amor incondicional, e a segunda é não ficarmos apenas naquilo que está ao nosso alcance, precisamos ir além, se for preciso até às autoridades. Para isso devemos conhecer mais quais são os nossos direitos em relação à saúde. Estou aqui com o texto-base da Campanha da Fraternidade deste ano; ele contém uma Carta do Ministério da Saúde, chamada "Carta do Direito dos Usuários da Saúde". O texto-base, fazendo referência ao artigo 4º e parágrafo único desta carta, afirma que:

“Toda pessoa tem direito ao atendimento humanizado e acolhedor, realizado por profissionais qualificados, em ambiente limpo confortável e acessível a todos. Parágrafo único: É direito da pessoa, na rede de serviços de saúde, ter atendimento humanizado, acolhedor, livre de qualquer discriminação, restrição ou negação em virtude de idade, raça, cor, etnia, religião, orientação sexual, identidade de gênero, condições econômicas ou sociais, estado de saúde, de anomalia, patologia ou de deficiência, garantindo-lhe: III – nas consultas, nos procedimentos diagnósticos, preventivos, cirúrgicos, terapêuticos e internações, o seguinte: (…); d) aos seus valores éticos, culturais e religiosos; (…); g) o bem-estar psíquico e emocional; X – a escolha do local de morte; (…) XIX – o recebimento de visita de religiosos de qualquer credo, sem que isso acarrete mudança na rotina de tratamento e do estabelecimento e ameaça à segurança ou perturbações a si ou aos outros”.

Portanto, todos nós temos inúmeros direitos, alguns abordados nestes documentos, precisamos nos tornar, conforme nos ensinou o Papa Bento XVI, discípulos e missionários, principalmente quando se refere à Saúde Pública, devemos ser colaboradores, coautores das leis que regem nossa sociedade. Assim, neste ano, a partir da Campanha da Fraternidade, conhecendo nossos direitos, nos empenhemos em colaborar com os governantes.

"Precisamos ter as mesmas atitudes do bom samaritano", afirma Dom Antônio
Foto: Maria Andrea/Cancaonova.com

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Vou contar outra história: fui celebrar a Santa Missa no presídio de Bangu, especificamente no hospital psiquiátrico existente dentro do complexo penitenciário. Quando cheguei para celebrar havia ao meu lado uma senhora muito idosa, e os presos, ao chegarem para a Celebração Eucarística, logo se dirigiam a ela e a cumprimentavam carinhosamente; fiquei impressionado. Finalizada a Santa Missa perguntei para essa senhora a sua idade e desde quando ela trabalhava nesta pastoral. Ela me disse que tinha 84 anos e que desde dos 75 anos trabalhava na Pastoral Carcerária. Relatou-me que um dia o padre de sua paróquia fez um convite aos paroquianos para ajudarem na pastoral, ela sentiu-se comovida e se colocou à disposição do sacerdote, escolhendo trabalhar no hospital psiquiátrico. Essa senhora está dando um belo testemunho como cristã e cidadã, isso é discipulado e missionariedade.

A Campanha da Fraternidade nos leva, portanto, à conversão, temos medo de visitar os doentes, de comprometer-nos com um trabalho que possua comoção social. Devemos ser como o comandante [dos bombeiros] que foi além daquilo que ele poderia fazer, e aprender também com essa senhora, que, já idosa, se gasta em amor pelos doentes mentais.

Vocês conhecem a Parábola do Bom Samaritano e sabem que o sacerdote e o levita olharam o homem caído a beira da estrada, e nada fizeram, pois tinham medo de se comprometer. Já o samaritano teve a atitude de Jesus, comoveu-se e se comprometeu. O texto-base da Campanha da Fraternidade comenta as atitudes que precisamos ter como os doentes, a exemplo do bom samaritano.

A primeira atitude é enxergar a realidade. O samaritano não ignorou o homem caído. Assim todo homem que se detêm diante do sofrimento do outro homem, olhando os sofrimentos alheios, é um bom samaritano. Ensina-nos o documento. E a próxima atitude é a compaixão: o bom samaritano se deixou afetar por aquele que estava quase morto, assim a compaixão desencadeou nele uma série de boas ações. Compadecer-se quer disser sentir com o outro.

A outra atitude é reconhecer o próximo. O bom samaritano reconheceu que aquele homem caído era uma pessoa. Nosso próximo é uma pessoa concreta, com uma história, é alguém que Deus colocou em nosso lado para que o amássemos. A aproximação e a compaixão não são apenas sentimentos, elas se transformam em obra. Quando nos colocamos no lugar do bom samaritano percebemos quanto nos falta a espiritualidade. Por isso é necessário perguntarmos o que estamos fazendo pelos doentes mais próximos, principalmente os da nossa família.

Outra atitude do bom samaritano foi colocar seus próprios bens à disposição do outro. Colocar os bens à disposição não é apenas oferecer dinheiro, mas o bem principal é nosso tempo.

Por fim, precisamos ter a coragem de mudar nosso itinerário como o bom samaritano, que mudou o curso de sua viagem para cuidar do outro. O texto-base da Campanha da Fraternidade é finalizado ao citar a importância do sacramento da unção dos enfermos. Neste ponto chamo a atenção para esse sacramento, pois ele precisa ser ministrado aos doentes, por isso, os agentes pastorais precisam se mobilizar a fim de que os enfermos tenham acesso a essa graça.

Quero finalizar com as palavras do Papa Bento XVI, encontradas na Carta dirigida ao presidente da CNBB, Cardeal Dom Damasceno, por ocasião do início da Campanha da Fraternidade deste ano, que afirmou: Possa esta Campanha inspirar no coração dos fiéis e das pessoas de boa vontade uma solidariedade cada vez mais profunda para com os enfermos, tantas vezes sofrendo mais pela solidão e abandono do que pela doença, lembrando que o próprio Jesus quis Se identificar com eles: «pois Eu estava doente e cuidastes de Mim» (Mt 25,36)

Que sejamos coloradores para que "a saúde se difunda sobre a terra" (cf. Eclo 38,8).

Rezemos um Pai- Nosso e uma Ave-Maria por todos os doentes.

Deus  os abençoe!

Transcrição e adaptação: Ricardo Gaiotti


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Dom Antônio Augusto Dias Duarte


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