Administrar as nossas diferenças nos faz crescer

Pe. Fabrício
Foto: Wesley Almeida/CN

Hoje recebemos do apóstolo Paulo uma lição para os dias atuais. A 1ª leitura vai contar uma situação de perseguição. Eram dois grupos: os fariseus e os saduceus. O apóstolo dos gentios soube usar a esperteza para a missão. A esperteza não é contrária à evangelização. Paulo, quando percebeu que estava sendo perseguido, dividiu os grupos  [fariseus e os saduceus], porque apesar de terem o mesmo Deus, tinham divergências na doutrina. Paulo sabia que um reino dividido não poderia subsistir. Quando o apóstolo disse que era filho de fariseus, os fariseus se puseram com atenção ao que ele falava, mas quando ele falou da ressurreição, aí levantou a ira dos saduceus, que não acreditavam na mesma doutrina dos fariseus.

O texto fala que “apenas falou isso [ressurreição], dividiu-se a assembleia”. Você já viveu isso, de tocar naquele determinado assunto e causar um tumulto, uma divisão?

Muitas vezes, na divisão saem até gritos, porque isso acontece quando estamos longe um do outro, ainda que estejamos perto fisicamente. Quando estamos próximos no coração há calma e há harmonia. Aqui a confusão foi sobre o assunto da ressurreição, e na sua casa, quais são as causas dos gritos e da confusão?

Paulo conseguiu ver as divergências daquele grupo que o perseguia e, espertamente e de forma positiva, os dividiu. É fácil encontrar quem nos divida quando não há unidade nas nossas casas. Quantas pessoas de fora chegam à nossa casa e têm a capacidade de dividir-nos, porque, na verdade, já estávamos interiormente divididos.

É claro que nós temos diferenças, pois, onde existe ser humano existe diferença. Existem pessoas que pedem um namorado e um marido que sejam iguais a elas. A mulher que gostaria de um marido que adorasse ir ao shopping com ela, fazer compras, ir ao salão de beleza… não vai achar nunca!

A saúde de uma família e de um grupo está na capacidade de administrar as diferenças. As pessoas se separam hoje por “incompatibilidade de gênios”, mas é justamente a diferença que nos faz crescer.

Onde existe ser humano existe diferença
Foto: Wesley Almeida/CN

Nesta semana nós estamos celebrando a "Semana da Unidade dos Cristãos", mas eu queria ir mais além. Porque nós temos, sim, de rezar pela unidade dos cristãos, mas eu queria falar da unidade dos cristãos que estão dentro da nossa casa. Eu estou pesquisando, por exemplo, como um marido e uma mulher conseguem dormir na mesma cama sem conversar e sem olhar um para outro. Sabe como você vai encontrar uma pessoa igual a você para casar? Quando você casar com você mesmo!

Existir diferença é saudável, mas a divergência é doença. A diferença não precisa ter divisão, porque, como ser humano somos diferentes, é impossível encontrar alguém com os mesmos gostos, com os mesmos gestos, etc., que nós. Que coisa mais feia quando nós não somos nós mesmos, pois cada vez mais existem homens e mulheres que não suportam as diferenças! E aí os mais fracos sofrem… Porque tem muitas pessoas descontando nos filhos, por exemplo, o que não conseguem suportar no esposo ou na esposa, aí se vingam nos filhos, ou seja, nos mais fracos. Nos jornais nós vemos quantos pais que estão matando os filhos para atingir o cônjuge.

Na oração que Jesus está fazendo, nesta semana no Evangelho, Ele reza pela unidade dos discípulos. Cristo reza pelos Doze, mas dá um passo a mais dizendo: “Pai Santo, eu não te rogo somente por estes, mas também por aqueles que vão crer em Mim pela sua palavra”. Quem são estes que vão crer? Eu e você!

Jesus, no momento da oração com o Pai, já rezou por mim e por você para que vivêssemos na unidade. O Senhor rezou pela sua família.

Não é verdade que na nossa casa todos têm a sua televisão, o seu quarto, o seu carro? Bom, era quando só podíamos comprar uma televisão que todos se reuniam na sala. Hoje já existem pais e mães que se relacionam com os filhos só pela internet.

As nossas diferenças nos desafiam a irmos para o céu. Não queremos ter os mesmos direitos, as mesmas medidas. Há mães que querem ter os mesmos direitos dos pais e a casa fica sem mãe, e existem pais que querem fazer a vez da mãe e a casa fica sem pai. Nós precisamos assumir nossos lugares e nossas diferenças, porque Jesus rezou por estas diferenças.

Padre Fabrício da Comunidade Canção Nova
Foto: Wesley Almeida

Nós começamos falando sobre aquilo que nos divide nas nossas casas, e Jesus nos diz que o que nos une é maior do o que nos divide, mas, infelizmente, nossos olhos buscam aquilo que nos divide, nós valorizamos o que é negativo e não o que nos une.

Vocês já viram aquelas colchas de retalhos? A beleza dela está na paciência de ir unindo as partes diferentes. Seria horrível uma colcha de retalhos toda azul, por exemplo. O seu filho é diferente de você pai e vive em tempo diferente, ele tem experiências hoje que você não teve; da mesma forma, você tem experiências que ele não tem. É preciso, então, saber como costurar essas diferenças.

Cuidado pai e mãe que ficam colocando a culpa um no outro, ou então os filhos que "se acham" e colocam a culpa nos pais, pois a família precisa ter a paciência de costurar esta linda colcha de retalhos.

Nesta semana, antes de rezar pela unidade dos cristãos, vamos rezar pela unidade de nossas casas, pois aí na sua família começa a unidade, que é a capacidade de costurar as diferenças, pois elas são a medida certa pata transformar você e sua casa numa família feliz. Onde está escrito que para sermos felizes precisamos ser iguais? Mas a toda hora a gente fica querendo se relacionar com os que são iguais a nós, quando, na verdade, Jesus escolheu as pessoas mais diferentes para transmitir a Sua mensagem ao mundo.

Transcrição e adaptação: Daniel Machado


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Padre Fabrício Andrade


Sacerdote da Comunidade Canção Nova

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