Amar a minha pequenez e a minha pobreza

Deus age na nossa pequenez

“Ave Maria, cheia de graça”, foi assim que o anjo chamou Maria, chamou-A pelo nome. Mesmo em Sua pequenez, Deus a reconheceu grande e pelo nome. Em Gênesis, Deus falou à serpente que colocaria inimizade entre ela e a Mulher, entre a descendência da serpente e a da Mulher. O anjo disse a Maria: “Para Deus nada é impossível”. E Maria deu o Seu sim.

Ela ainda era uma menina, Imaculada, pura e por isso pôde dizer : “Eis aqui a escrava do Senhor”. Ela esperava um Salvador como todos esperavam, mas nunca imaginara que Ele viesse d’Ela. Era grande demais para Ela, porque olhava para a Sua pequenez, mas Deus a escolheu.
Como isso aconteceu? Já que era tão pequena? Porque para Deus nada é impossível. Deus faz as grandes coisas através dos pequenos. É do pequeno e do humilde que Ele manifesta a sua glória.

“Que eu ame a minha pequenez e minha pobreza”

Há uma frase de Santa Terezinha que nos diz assim: “O que agrada a Deus em minha pequena alma, é que eu ame a minha pequenez e minha pobreza. É a esperança cega que tenho em sua misericórdia”.

Mas, para os orgulhosos é difícil acolher sua pequenez e assumir que é pequeno. E quanto a nós, que somos de Cristo, é necessário nos assumir nos amar. E, o que agrada a Deus, o que dá liberdade para Ele agir é ser pequeno, pobre e humilde. Depois, aceitar e assumir que sou pequeno.

Sou uma “poeirinha”, mas Deus olha para mim e coloca os olhos sobre mim. Isso acontece porque sou pequeno. Aceito, assumo e amo a minha pequenez. Vejamos o exemplo de Maria, Ela nunca quis ser grande, por isso o Senhor olhou para Ela.

Meus irmãos, é daí que vêm as grandes datas. Quem era João XXIII? Ele que só queria ser um pároco de Igreja, viver uma vida de simplicidade, pois sabia que era pequeno. Mas, Deus pôs Seus olhos nele e ele foi eleito Papa. Assim como Maria, ele deu o seu sim.

E quantas maravilhas Deus fez por meio dele. Ele foi chamado de “Papa bom”, porque sabia que era pequeno e, também, sabia que na sua pequenez era inspiração de Deus.

Deus pode fazer coisas grandiosas nas pessoas que assumem seu nada

Lembro que no início de meu sacerdócio, no começo de janeiro, Dom Antônio Miranda me chamou e disse: “Esse documento [Evangelli Nuntiandi] é muito sério, precisamos colocar em ação, comece com os jovens”. Eu vi nas palavras de Dom Antônio inspiração, mas ele não parou por aí. Ele foi me falando que “os batizados não são evangelizados. Faça alguma coisa!”.

Senti-me pequeno diante de algo tão grande. Comecei com os jovens. Começamos os encontros com os Catecumenatos e depois desafiei os jovens a darem um ano de sua vida a Deus. Doze jovens começaram comigo a experiência de largar tudo para ser só de Deus e evangelizar. Mas, alguém que estava sentada em sua cadeira disse que era muito sério, pois não seria só um ano, mas daria sua vida toda a Deus.

A única dos doze que começaram comigo e ficou até hoje foi a Luzia. É uma história de dois que tiveram a graça de, assim como Maria, assumir o seu nada. Lembro-me quando a Luzia se confessou comigo pela primeira vez, ela chorava mais do que confessava. E, naquele momento, assumia sua pequenez.

Faz 30 anos que o Papa Paulo VI assinou o documento que gerou a Canção Nova. E digo aos meus filhos de comunidade que o segredo para nos mantermos firmes é assumirmos a nossa pequenez. Se nós amássemos ainda mais o nosso nada, Deus faria muito mais. Deus fez e faz em nós maravilhas; é por isso que a Canção Nova existe.

Para Deus nada é impossível! Ele nos faz grandes, mesmo diante da nossa pequenez e, em qualquer movimento, pastoral, ação da Igreja é necessário aceitar e assumir a nossa pequenez e pobreza. Louvemos a Deus que faz o impossível naqueles que reconhecem a sua pequenez.

Transcrição: Manoela Almeida

 

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