Amor livre, total, fiel e fecundo

Padre Paulo Ricardo
Foto: Carlos Eduardo

São Paulo está diante de um caso de imoralidade, de uma união irregular. O Papa Bento XVI, em uma de suas intervenções, fala do divórcio e diz que este é contagioso e está se alastrando pelo mundo inteiro, ele usou a palavra "praga", como uma "pandemia",  e a mídia já começou a gritar que o Papa é preconceituoso.

E muitos dizem que os tempos mudaram e temos de nos adaptar às culturas que são diferentes. Esta conversa sempre se repete: que a Igreja Católica tem de se adaptar aos novos tempos e costumes. Só que o ensinamento da Igreja não é aceito no tempo de hoje e também não o era no tempo de Jesus; em Mateus, 19, vemos isso: "O que Deus uniu o homem não separe", e por causa dessa resposta de Jesus as pessoas ficaram escandalizadas, e a reação delas foi dizer que, dessa forma, seria melhor nem se casar. E as pessoas foram se afastando de Cristo. É exatamente o que a nossa sociedade faz nos dias de hoje.

O índice de matrimônios realizados mudou muito; e com o divórcio pela internet o casamento se tornou uma comédia. Mas nós que acreditamos em Jesus Cristo acreditamos que isso [divórcio] não está conforme a vontade de Deus. Isso é sinal de que a Igreja Católica e nós continuamos fiéis a Jesus Cristo. E muitas denominações que se dizem cristãs e puras e concedem o divórcio com a maior facilidade? Onde fica "o que Deus uniu o homem não separe"? E você pode dizer: mas a Igreja Católica também o concede! A Igreja não concede divórcio; ela analisa o caso para averiguar se o casamento aconteceu de verdade ou se nunca aconteceu. Exemplo: na hora do casamento o padre pergunta se o casal tem as quatro características do amor de Jesus pela Igreja, amor livre total e fiel. E "se é de livre e espontânea vontade que o fazeis?" E o casal diz "sim", no entanto, se um dos dois estiver sendo obrigado a casar, esse casamento será nulo. E a Igreja vai dizer a essa pessoa: "Você nunca se casou, porque o casamento tem de ser livre": primeira característica do amor de Jesus pela Igreja. Jesus amou e se entregou à Igreja, morreu na cruz por Sua Esposa, portanto, a Igreja é livre! Por isso o amor do homem e da mulher tem de ser livre também. Podemos enganar o padre dizendo "sim" com a boca, mas se no coração for "não" você nunca se casou. Os tribunais eclesiásticos existem para descobrir um fato ou mais, o tribunal não cria o fato, ele descobre os fatos [para declarar nulo o matrimônio].

Segunda característica do amor de Cristo pela Igreja: O amor de Jesus Cristo à Sua Igreja é total, tendo amado os Seus amou até o fim, Ele deu tudo, assim também o esposo e a esposa devem se entregar totalmente um ao outro. O casamento é uma partilha da vida completa, não existe esse negócio de dizer: "Isso é meu" e "Isso é seu". Não existe isso, casamento é união profunda, total. Isso não quer dizer que todos têm de casar com comunhão total de bens.

Matrimônio é um amor livre e total. Cristo é fiel e não pode se contradizer, Ele é fiel à Sua Igreja, que é santa, nós os seus membros é que somos pecadores.
 Essa é a terceira característica do amor de Cristo pela Igreja.

 

Quarta característica do amor de Cristo pela Igreja é fecundo. Isso quer dizer que o casal deve estar aberto para ter filhos. Sexo é uma realidade muito séria e o casamento deve estar aberto à procriação. Se você não aceita ter filhos e está fechada à possibilidade de ter filhos, porque vai deformar o corpo, esse casamento também nunca aconteceu, pois o amor de Cristo pela Igreja é fecundo. "Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância".

As característica do amor de Cristo pela Igreja é livre, total, fiel e fecundo
Foto: Carlos Eduardo

Essas são as quatro características do amor de Cristo que deve moldar o casamento. Se você quer viver o sexo, mas não quer viver essa realidade [as quatro características do amor de Cristo] de alguma forma, você está pecando.

Por isso a Igreja nos fala do pecado da imoralidade, como, por exemplo, a masturbação, quando a pessoa está fazendo isso ela está vivendo o amor fiel, total, completo e fecundo? Não! Assim como o sexo homossexual, grupal, e todas as formas de sexo que faltem essas quatro característica, este amor não é o de Cristo, e de alguma forma o pecado está aí.

Nós deveríamos reagir contra essa imoralidade assim diz São Paulo: A excomunhão é chegar e dizer você é cristão, mas pelo jeito se comportar você rompeu a comunhão conosco. Hoje ainda existe na Igreja a excomunhão e o aborto é um exemplo dela, porque precisamos entender a gravidade dessa prática, que afeta a nossa vida grandemente. A sociedade que admite o aborto vê a vida como um nada. Quando você tira a vida humana por causa de um tênis velho, é sinal de que ela não está valendo nada. E se nós cristãos ficamos diante disso sem dizer nada?! E quando é a própria mãe que tira a vida do filho? A Bíblia não fala nada de aborto, porque isso era algo impensado. E por isso, na Palavra, no profeta Isaías diz: "Pode a mãe esquecer o filho? […]".

 

Santa Isabel, que não podia ter filhos, fica feliz da vida quando fica grávida, porque Deus resolveu tirá-la da humilhação de não ter filhos, porque para a Bíblia o filho é bênção. Por que a Igreja pune como crime de excomunhão o aborto? Porque ela ama essas pessoas, é como o pai que vê o filho indo colocar o dedo na tomada e vai morrer eletrocutado e o pai o chama e o castiga para que o filho acorde e veja o que está fazendo.

Por que as pessoas querem essa firmeza? Eu vou responder com a pergunta de um jornalista no velório de João Paulo II. Pois bem um jornalista viu um grupo de jovens e perguntou por que eles seguiam aquele Papa que não permitia clonagem, fecundação em vitro, como seguiam um cara quadrado como ele. E eles responderam que o seguiam porque os ensinamentos dele os desafiava e porque ele os amava.

A Igreja Católica não vai negociar o aborto
Foto: Carlos Eduardo

Existe verdadeiro amor em permitir que o filho fique contrariado e com raiva. Existe um verdadeiro amor quando você diz um "não" e fica com muita raiva. A assim devemos agir com os nossos filhos e dentro da nossa Igreja.

A Igreja nos ama e por isso coloca muitas vezes uma penalidade dura. Mas é porque é dura. Então pense bem antes de cometer um aborto. Se você já o fez, para você existe a confissão e a penitência.

As mulheres que fazem isso cometem um crime terrível contra seu filho e contra si mesmas. Ninguém tem o direito de se autodestruir. Ninguém tem esse direito. Que Deus afaste o nosso Brasil desse fantasma!

Existe um projeto de lei no país de legalização de aborto, e você que é cristão veja bem na hora de votar se o deputado é contra o aborto, e saiba que quem é a favor esconde, mente. Vote para um deputado que você tenha certeza de que ele vai votar contra esse projeto de lei. "Ah! Mas eu vou votar nele porque ele me dá uma bolsa, uma bicicleta". Não, não vote nessa pessoa, não suje as suas mãos com sangue de criança inocente! A Igreja Católica não vai negociar o aborto.

 

Se o aborto é crime neste país é dever do governo fechar esses hospitais e esse bando de médicos assassinos! Mas você pode falar: "Mas são clínicas clandestinas…Como o governo vai descobrir?" Se a mulher as descobre a polícia vai descobri-las também.

As pessoas que se divorciam não são excomungadas, e as que se divorciaram e se casaram novamente também não o são [excomungadas], mas não podem receber a comunhão. Se esse for seu caso, procure um tribunal eclesial que julgue o seu caso, descubra se você ainda é solteiro ou não. Se você não tem condições de provar que o seu casamento foi nulo, então você vai unir o seu sofrimento ao de Cristo na Cruz.

Porque no mundo só existe uma Instituição que acredita no casamento: a Igreja Católica. Existem casos trágicos, porque, muitas vezes, a mulher está sofrendo risco de vida, mas nós temos de viver numa sociedade que promova a união, o perdão ou não vamos ter família. E por isso a Igreja tem certa severidade, mas é caridade.

 

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