As dores de Maria nas dores da Igreja

Dom Orani
Foto: Wesley Almeida

A Celebração Eucarística desta manhã, neste dia de Nossa Senhora das Dores, uma das várias invocações que Nossa Senhora tem, representa uma realidade que deve ser sempre transformada: a realidade da dor. A celebração de Nossa Senhora das Dores, logo no dia após a Exaltação da Santa Cruz, tem a ligação de nos fazer ver que as cruzes existentes em nossa vida têm causado sofrimento na vida das pessoas. Por mais que lutemos por um mundo mais justo, experimentamos situações que machucam nossa vida; e se olharmos nossa vida pessoal, comunitária, social, nacional veremos que existem muitas situações dolorosas.

Ouça a pregação

A Virgem Maria nos dá o grande sinal: sinal de Deus, que enviou Seu Filho ao mundo, o qual deu a vida por nós na Cruz. Maria, com todas as dores de Mãe, ao lado do Filho, recebendo a humanidade na pessoa de João, justamente está em pé. E é tão marcante esse “estar em pé” da Santíssima Virgem Maria, que nos recorda que em meio a nossos sofrimentos, dores, cruzes da nossa vida, ela, como sinal da Igreja, está junto à Cruz de Cristo, mas em pé, sabendo passar por esses momentos de forma confiante, e ao mesmo tempo, aguardando a ressurreição. Muitas vezes, ficamos apenas no ato do sofrimento, da dor, e não nos recordamos de que o Calvário nos remete à ressurreição.

Numa sociedade na qual o prazer é colocado como “o tudo”, nós logo queremos evitar a dificuldade, queremos evitar os espinhos de nossa vida matrimonial ou comunitária. Hoje, nós somos doutrinados pela sociedade a não aceitar as dificuldades e a rejeitar as cruzes. Maria Santíssima nos mostra a posição de quem está em pé, pois a Igreja é chamada a viver esses momentos de dor, os quais nos ajudarão no momento de conversão e a ver na Cruz a salvação.

Vista do altar durante a Santa Missa presidida por Dom Orani na Canção Nova
Foto: Wesley Almeida

Há muita divulgação da “teologia da prosperidade” na qual não entra a cruz; pelo contrário, esta é rejeitada e até, em lugares públicos, tentam retirá-la por incomodar tanto. Vemos esse incômodo para tantos, porque uma sociedade que perde esse sentido, perde seus valores e a razão de convivermos com os outros. Neste tempo, somos levados a estar com nossos próximos pela própria circunstância do mundo; mas, por outro lado, fazemos de tudo para evitar estar uns com os outros.

A Cruz e Maria, aos pés da Cruz, nos momentos de dor, nos mostram que o sofrimento não deve ser rejeitado, mas sim, assumido, pois ele não nos mata, mas nos faz progredir na vida humana, de tal maneira que possamos ser sinais aos demais e chegar à ressurreição.

Nós, representantes das TVs católicas, reunidos hoje aqui para um momento de reflexão, que vivemos essa imagem pública da Igreja, somos chamados a nos perguntar como passamos a essa mesma sociedade o sentido da Cruz neste mundo que a rejeita. Também somos chamados a ser sinais num mundo no qual o sofrimento das mães é enorme por conta da dor lancinante de ver os filhos perdidos. Somos chamados a lhes mostrar Maria, a Mãe que tem a esperança e a confiança, com a ajuda da qual as coisas são transformadas, da qual da morte brota a ressurreição.

Assim como somos chamados a passar pela experiência, a ver essa realidade própria da vida e, ao mesmo tempo, a ser Igreja anunciadora da vida. Sabemos que a Cruz é uma realidade, e sem o sentido desta é impossível ter a convivência no casamento, na comunidade, na sociedade.

Que por meio da Celebração Mariana, da qual hoje participamos, possamos descobrir os sinais que recebemos de nossos antepassados, para que possamos demonstrar a realidade de sofrimento de nosso povo, mas, ao mesmo tempo, com Cristo, que morreu e ressuscitou, a esperança da vida nova desde já. Assim, começamos a sair do pecado para uma vida nova na construção de um mundo mais justo, até quando este seja perfeito junto à Santíssima Trindade.

Nossa Senhora das Dores, intercedei por nós!

Transcrição e adaptação: Regiane Calixto

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Cardeal Dom Orani João Tempesta


Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

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