Caminhar... mesmo na ausência de suas respostas

Padre Adriano Zandoná
Foto: Maria Andrea/Cancaonova.com

Hoje desejo falar sobre um dos aspectos da fé, que é muito interessante para cada um de nós!

Quando se fala da dinâmica da fé, um dos argumentos que se levanta contra quem crê, como diz o Catecismo da Igreja Católica sobre o mistério do mal, é o mistério da iniquidade.

Uma das coisas que nós cristãos, devemos ter consciência é que o mal existe e é verdadeiro, que o mistério do mal é um argumentos para combater a nossa fé cristã, basta assistir um telejornal, por exemplo, que lá estará relatado os acontecimentos de nossa sociedade.

É importante que você saiba que Deus não é está distante, pelo contrário, Ele é um Deus bem próximo de cada um de nós. Ele poderia ter vindo de tantas maneiras para salvar este mundo, mas, Ele escolheu se encarnar no seio da Virgem Maria, para se fazer um conosco, para sentir aquilo que eu e você sente, para se fazer um conosco, exceto no pecado. Jesus está encarnado nos problemas da história.

São tantas perguntas sem respostas, são tantos os desafios que se levantam contra a nossa fé.

Para isso, precisamos precisamos dar uma resposta! De fato o mal e o sofrimento são inerentes a vida humana, todos em algum momento de sua história deverão enfrentar algumas realidades de sofrimento, como afirma o Catecismo da Igreja Católica ( CIC385):

“Deus é infinitamente bom e todas as suas obras são boas. No entanto, ninguém escapa à experiência do sofrimento, dos males da natureza – que aparecem como ligados aos limites próprios das criaturas –, e sobretudo à questão do mal moral. Donde vem o mal? «Quaerebam unde malum et non erat exitus – Procurava a origem do mal e não encontrava solução», diz Santo Agostinho (258). A sua própria busca dolorosa só encontrará saída na conversão ao Deus vivo. Porque «o mistério da iniquidade» (2 Ts 2, 7) só se esclarece à luz do «mistério da piedade» (259). A revelação do amor divino em Cristo manifestou, ao mesmo tempo, a extensão do mal e a superabundância da graça (260). Devemos, portanto, abordar a questão da origem do mal, fixando o olhar da nossa fé n'Aquele que é o seu único vencedor (261).”

Nós precisaremos aprender a conviver com o mal e vencê-lo com o bem e pela fé. Assim, como relata aquela passagem do evangelho do trigo e do joio, que na verdade o bem e o mal está dentro do nosso coração e ao nosso redor. Porém, precisamos aprender a cultivar o bem em nosso interior para que ele cresça e tome o lugar do mal, que está em nós e ao nosso redor.

A vida é uma aventura que se faz confiando na aventura da fé! Padre Adriano Zandoná
Foto: Maria Andrea/Cancaonova.com

 

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Nós somos finitos e o que causa muito sofrimento neste mundo atual é aceitar sua finitude. Nunca na história da humanidade se gastou tanto dinheiro com cosméticos, plásticas e estética. Realmente precisamos nos cuidar mas precisamos aprender a lidar com a realidade do tempo, e que existe um limite no qual precisamos amadurecer e aprender a conviver.

A vida não é uma contínua aventura, é uma aventura que se faz confiando na aventura da fé!

O Papa Bento XVI em sua Carta apostólica PORTA FIDEI, parágrafo 15 nos ensina a respeito do sofrimento humano: 

"Possa este Ano da Fé tornar cada vez mais firme a relação com Cristo Senhor, dado que só n’Ele temos a certeza para olhar o futuro e a garantia de um amor autêntico e duradouro. As seguintes palavras do apóstolo Pedro lançam um último jorro de luz sobre a fé: «É por isso que exultais de alegria, se bem que, por algum tempo, tenhais de andar aflitos por diversas provações; deste modo, a qualidade genuína da vossa fé – muito mais preciosa do que o ouro perecível, por certo também provado pelo fogo – será achada digna de louvor, de glória e de honra, na altura da manifestação de Jesus Cristo. Sem O terdes visto, vós O amais; sem O ver ainda, credes n’Ele e vos alegrais com uma alegria indescritível e irradiante, alcançando assim a meta da vossa fé: a salvação das almas» (1 Ped 1, 6-9). A vida dos cristãos conhece a experiência da alegria e a do sofrimento. Quantos Santos viveram na solidão! Quantos crentes, mesmo em nossos dias, provados pelo silêncio de Deus, cuja voz consoladora queriam ouvir! As provas da vida, ao mesmo tempo que permitem compreender o mistério da Cruz e participar nos sofrimentos de Cristo (cf. Cl 1, 24), são prelúdio da alegria e da esperança a que a fé conduz: «Quando sou fraco, então é que sou forte» (2 Cor 12, 10). Com firme certeza, acreditamos que o Senhor Jesus derrotou o mal e a morte. Com esta confiança segura, confiamo-nos a Ele: Ele, presente no meio de nós, vence o poder do maligno (cf. Lc 11, 20); e a Igreja, comunidade visível da sua misericórdia, permanece n’Ele como sinal da reconciliação definitiva com o Pai.

E São Pedro nos diz em sua primeira carta (I Pedro 1,6-9):

"Isso é motivo de alegria para vós, embora seja necessário que no momento estejais por algum tempo aflitos, por causa de várias provações. Deste modo, o quilate de vossa fé, que tem mais valor que o ouro testado no fogo, alcançará louvor, honra e glória, no dia da revelação de Jesus Cristo. Sem terdes visto o Senhor, vós o amais. Sem que agora o estejais vendo, credes nele. Isto será para vós fonte de alegria inefável e gloriosa, pois obtereis aquilo em que acreditais: a vossa salvação. "

A resposta diante dos sofrimentos é a fé e tudo aquilo que ela comporta!

Porque para se acreditar é preciso conviver com o mistério. A fé é uma experiência com uma pessoa Jesus Cristo. Eu não seio porque o mal acontece, mas eu sei que Deus pode retirar um bem maior dele, assim como afirma São Paulo em sua carta aos Romanos 8,28: “Tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus”

Precisamos ter paciência, o imediatismo aniquila a fé. Temos que aprender a conviver com o mistério, com a ausência de respostas, porem não podemos parar, precisamos caminhar mesmo sem respostas, que no caminha estas nos serão revelada.

Você não tem que perguntar o porquê, mas você precisa acreditar! E Saiba: “não existe respostas fácil para problemas difíceis.”

Deus não quer te agradar, Ele quer te salvar, e Ele vai fazer o que for preciso, mesmo que seja morrer no alto da cruz.

O amor que existe dentro de nós, nos revela que nós nascemos para as coisas do alto e por isso quem existe perguntas que só a eternidade poderão responder, e a fé é infinita e contem a eternidade! A fé a esperança e o amor nos faz eterno antecipar o que viveremos na eternidade.

Quero concluir esta reflexão com o parágrafo 309 do Catecismo da Igreja Católica que afirma: ”Se Deus Pai Todo-Poderoso, Criador do mundo ordenado e bom, cuida de todas as suas criaturas, por que então o mal existe? Para esta pergunta tão premente quão inevitável, tão dolorosa quanto misteriosa, não há uma resposta rápida. É o conjunto da fé cristã que constitui a resposta a esta pergunta: a bondade da criação, o drama do pecado, o amor paciente de Deus que se antecipa ao homem por suas Alianças, pela Encarnação redentora de seu Filho, pelo dom do Espírito, pelo congraçamento da Igreja, pela força dos sacramentos, pelo chamado a uma vida bem-aventurada à qual as criaturas livres são convidadas antecipadamente a assentir, mas da qual podem, por um terrível mistério, abrir mão também antecipadamente. Não há nenhum elemento da mensagem cristã que não seja, por uma parte, uma resposta à questão do mal.”

Transcrição e Adaptação: Mariana Lazarin Gabriel (@marilg)
 
Assista um trecho desta pregação:

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