Convivemos com homens de barro

Padre Alir
Foto: Flávio Pinheiro/CN

Todos nós sempre temos algum problema de relacionamento com alguém. Pedro e Paulo brigaram. Durante o caminho os apóstolos discutiam quem seria o maior.

“Chegada que foi a hora, Jesus pôs-se à mesa, e com ele os apóstolos. Disse-lhes: Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de sofrer. Pois vos digo: não tornarei a comê-la, até que ela se cumpra no Reino de Deus. Pegando o cálice, deu graças e disse: Tomai este cálice e distribuí-o entre vós. Pois vos digo: já não tornarei a beber do fruto da videira, até que venha o Reino de Deus. Tomou em seguida o pão e depois de ter dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Do mesmo modo tomou também o cálice, depois de cear, dizendo: Este cálice é a Nova Aliança em meu sangue, que é derramado por vós” (Lucas 22, 14-20).

Jesus é o Mestre dos relacionamentos. Às vezes temos a imagem errada da pessoa que está ao nosso lado, por isso os desentendimentos. Talvez Jesus esteja dizendo para você hoje: “Eu desejo ardentemente que você também receba do meu alimento”.

“Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como o trigo; 32.mas eu roguei por ti, para que a tua confiança não desfaleça; e tu, por tua vez, confirma os teus irmãos. 33.Pedro disse-lhe: Senhor, estou pronto a ir contigo tanto para a prisão como para a morte” (Lucas 22, 31-33).

Jesus havia alimentado os seus discípulos e eles disseram: “estamos prontos para seguir-te”. “Estou pronto a ir Contigo tanto para a prisão como para a morte”, disse Pedro. Esta é a promessa que todo cônjuge faz, se for necessário morrer contigo não te abandonarei.

“Prenderam-no então e conduziram-no à casa do príncipe dos sacerdotes. Pedro seguia-o de longe. Acenderam um fogo no meio do pátio, e sentaram-se em redor. Pedro veio sentar-se com eles. Uma criada percebeu-o sentado junto ao fogo, encarou-o de perto e disse: Também este homem estava com ele. Mas ele negou-o: Mulher, não o conheço. Pouco depois, viu-o outro e disse-lhe: Também tu és um deles. Pedro respondeu: Não, eu não o sou. Passada quase uma hora, afirmava um outro: Certamente também este homem estava com ele, pois também é galileu. Mas Pedro disse: Meu amigo, não sei o que queres dizer. E no mesmo instante, quando ainda falava, cantou o galo” (Lucas 22, 54-60).

"Como é seu olhar para aquele que te traiu? É olhar de condenação? Ou olhar de acolhimento?"
Foto: Flávio Pinheiro/CN

Pedro não foi desonesto, foi verdadeiro quando disse que morreria por Jesus. E aquela pessoa que casou com você, também fez juras de amor e não estava mentindo. Mas você pode até dizer: “Cadê a sua palavra? Você é homem ou não?” Talvez você viu aquele sacerdote ardoroso abandonando o sacerdócio e muitos dizem: “eu não acredito mais em padre”. Por que isso acontece? Porque somos de barro, essa é a realidade.

São Paulo diz: “Quem julga que está de pé cuidado para não cair”.

Jesus escolheu Pedro para ficar no seu lugar, para dizer: “Vocês que caminham atrás dele são como ele”. Somos de barro, por isso que Jesus não se apavora.

Que maravilhava se o casal dissesse diante da traição: “Assim como você caiu eu posso cair”. Mas dizem: “eu nunca te trair”. Pode até ser que o homem não tenha arrumado outra mulher, ou a mulher outro homem, mas e nos outros sentidos da vida?

“Voltando-se o Senhor, olhou para Pedro. Então Pedro se lembrou da palavra do Senhor: Hoje, antes que o galo cante, negar-me-ás três vezes. Saiu dali e chorou amargamente” (Lucas 22, 61-62).

Jesus olhou para Pedro e graças a esse olhar, Pedro chorou amargamente. Esse olhar salvou Pedro. Como é seu olhar para aquele que te traiu? É olhar de condenação? Ou olhar de acolhimento? Jesus diz que com a mesma medida que medirmos os outros, seremos medidos. Por isso precisamos exercer essa misericórdia. Jesus disse através do seu olhar para Pedro: “Eu sei quem tu és”.

Na vida de casado, o ato sexual é o fechamento do amor total. O amor começa em nível espiritual, dentro da pessoa, na sua interioridade e se expande para o psiquismo, onde entra o esforço de ir ao encontro do outro sem cobrar. O que mais se vê entre os casais é cobrança, já casa cobrando do outro. Atitude de amor é atitude de querer o bem do outro. Não é só querer o bem ao outro, mas do outro. Se eu amo, eu tenho força interior para querer o bem do outro, no momento em que entra a cobrança não é amor.

O amor começa em nível espiritual. O homem começa sentir atração por uma mulher, eles começam a sentir o impulso na mente de ir ao encontro do outro para querer o bem. O namoro é a etapa em que o casal começa a ter comunhão de pessoa. Um olhando para o outro começam a perceber o que está no interior do outro, é uma fase de conhecimento. “Como você viveu?” “Quais os traumas você teve?” “Como é sua família?” Vão se conhecendo e vai havendo a comunhão entre eles. Depois dessa comunhão eles vão co-habitar juntos, e se tornam uma só carne.

"Se eu amo, eu tenho força interior para querer o bem do outro", ensina padre Alir
Foto: Flávio Pinheiro/CN

Quanto mais amor, menos cobrança. Quanto mais cobrança, menos amor. Se você que é casado decide viver essa realidade, seu casamento vai dar certo.

Nenhum casal deve tirar a aliança para que sempre se lembre que fez uma aliança não para cobrar, mas para se doar. Como viver isso? Vejam como vocês cuidam dos filhos, tudo é de graça, vocês não exigem nada, só se consomem pelo filho. Amor total, cobrança zero.

Por que muitas mulheres amam mais os filhos que o marido? Por que os ama gratuitamente. Você mulher, você homem, pense nisso: “vou fazer para meu cônjuge o que faço para meu filho”. E você vai ver como o relacionamento vai mudar.

Aqui está a cura dos relacionamentos: “Por isso o homem deixa o seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher; e já não são mais que uma só carne” (Gênesis 2, 24); e no Evangelho de São Marcos, Jesus completa: “Por isso, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher” (Marcos 10,7).

Deixar não é só sair de casa, é ir deixando para trás as marcas, as feridas que cada um recebeu de sua casa. Muitas mulheres não se dão bem no casamento porque tiveram um pai alcoólatra, mulherengo, por isso a receita é “deixará”, para que você vá se curando das feridas que você trouxe de sua casa.

O amor que vocês sentiram não é uma farsa, mas algo que Deus lhes deu. É deixar tudo que recebeu de negativo, é todo um caminho, um processo, para que dia após dia você procure recordar as feridas que recebeu de casa e deixe para trás.

Destrua as provas que você tem contra seu pai, sua mãe e seu marido. Tome essa decisão hoje.


Transcrição: Willieny Isaias


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Padre Alir Sanagiotto, scj


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