Dá-me deste Pão

Padre Wagner Ferreira
Foto: Maria Andrea/cancaonova.com
É uma grande alegria celebrar a solenidade de Corpus Christi no 'Ano da Fé', quando a Igreja vive, intensamente, um ano de graça.

Hoje, o convite que a Igreja nos faz é que comamos do Pão Eucarístico, que bebamos do Cálice da Salvação, porque, como nos prometeu Jesus, quem comer deste pão não terá fome e quem beber desta fonte não terá sede.

O Papa emérito Bento XVI escreveu-nos em sua Carta Apostólica Porta Fidei:

“ (…) Devemos readquirir o gosto de nos alimentarmos da Palavra de Deus, transmitida fielmente pela Igreja, e do Pão da vida, oferecidos como sustento de quantos são seus discípulos (cf. Jo 6, 51). De facto, em nossos dias ressoa ainda, com a mesma força, este ensinamento de Jesus: «Trabalhai, não pelo alimento que desaparece, mas pelo alimento que perdura e dá a vida eterna» (Jo 6, 27). E a questão, então posta por aqueles que O escutavam, é a mesma que colocamos nós também hoje: «Que havemos nós de fazer para realizar as obras de Deus?» (Jo 6, 28). Conhecemos a resposta de Jesus: «A obra de Deus é esta: crer n’Aquele que Ele enviou» (Jo 6, 29). Por isso, crer em Jesus Cristo é o caminho para se poder chegar definitivamente à salvação.”

Para esse processo de conversão a Jesus Cristo Salvador, a Igreja nos pede que nos tornemos homens e mulheres assíduos à Palavra de Deus e à comunhão com Jesus Eucarístico. Papa Bento XVI, neste trecho do seu documento, cita um texto bíblico que iremos refletir nessa pregação, e que está em Jo 6,22-34.52-58.

"A Eucaristia não pode nos unir a Cristo sem nos purificar dos pecados", ensinou padre Wagner.
Foto: Maria Andrea/cancaonova.com

Realizar a obra de Deus é ter fé em Jesus. Não é à toa que o Papa emérito levou a Igreja a renovar sua fé n'Aquele que o Pai nos enviou, renovar sua fé no Messias Salvador, n'Aquele que tem o Nome acima de todo nome: Jesus Cristo. Porém, Ele quis dar-se a nós, quis entregar-se a nós no mistério do sacramento da Eucaristia.

Como todos nós sabemos, pelas Sagradas Escrituras, antes de viver o mistério de Sua Paixão, Morte e Ressurreição, Jesus instituiu, na Última Ceia, o sacramento da Eucaristia, a fim de que permanecesse, ali, no Pão e no Vinho consagrados, o mistério de Sua Páscoa. Na realidade, a Última Ceia está profundamente ligada ao mistério pascal de Jesus. Ali, ao tomar o pão e passá-lo aos Seus discípulos, o próprio Jesus lhes disse: “Tomais todos e comei, isto é o meu Corpo que será entregue por vós”. Depois, ao fim da ceia, tomou o cálice com vinho e, passando-o para seus discípulos, disse: “Tomais todos e bebei, isto é o meu Sangue que será derramado por vós. No final, ele disse: “Fazei isso em memória de mim”. Peço, agora, a nosso Senhor, que renove, em nossos corações, a fé n'Ele. “Senhor, eu creio, mas aumentai a minha fé na Vossa Santíssima Pessoa, na Vossa Santíssima Palavra, no Vosso Mistério Pascal, na Vossa Paixão, Morte e Ressurreição. Senhor, eu creio, mas aumentai a minha fé na Vossa cruz, no Vosso Corpo e no Vosso Sangue. Amém”.

O pão de Deus é aquele que desceu do Céu e dá a vida ao mundo. “Eu sou o pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo.”

A Igreja, hoje, motiva-nos, impulsiona-nos a clamarmos: “Senhor, dá-nos sempre deste Pão”. Ela nos convida a trabalhar, a buscar o Pão que não perece, o Pão da graça, da vida, da misericórdia.

"Tornemo- homens e mulheres assíduos à Palavra de Deus e à comunhão com Jesus E"
Foto: Maria Andrea/cancaonova.com

Hoje, eu assumo com você o compromisso de nos tornarmos discípulos de Jesus, comprometidos em trabalhar não pelo pão que perece, mas pelo pão da vida eterna que é Jesus na Eucaristia. Uma das graças que a comunhão eucarística nos favorece é a comunhão de amor com Jesus. Como nós nos alimentamos d'Ele, do Seu Corpo e Sangue, da graça redentora que Cristo nos concedeu pelo mistério de Sua Paixão, Morte e Ressurreição, isso nos garante uma transformação, de modo que nos tornemos Sua imagem e semelhança. Não uma semelhança física, mas semelhantes no modo como Jesus viveu o amor a Deus e o amor à humanidade.

A Eucaristia não pode nos unir a Cristo sem nos purificar dos pecados cometidos e sem nos preservar dos pecados futuros. Ela nos fortalece para vivermos o PHN, para dizermos “não” ao pecado. A Eucaristia nos preserva de pecados futuros e fortalece a caridade.

Muitas pessoas reclamam que se sentem só. É duro experimentar o peso da solidão! Mas se a sua fé no corpo de Cristo for verdadeira, você não terá sede de um amor qualquer.

Irmãos, façamos valer a nossa comunhão no mistério da presença real de Cristo na Eucaristia. Permitamos que a nossa fé em Jesus Eucarístico nos dê a graça de experimentarmos a presença de Jesus que se deu a nós pela nossa salvação.

Trancrição e adaptação: Michelle Mimoso

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