Deus age nas mãos do oleiro

Padre Gilson
Foto: Wesley Almeida/ Foto CN
Meus irmãos e irmãs, vejamos o Evangelho de hoje, que se encontra em São Mateus (13, 47-53):

“Naquele tempo, disse Jesus à multidão: "O Reino dos Céus é ainda como uma rede lançada ao mar e que apanha peixes de todo tipo. Quando está cheia, os pescadores puxam a rede para a praia, sentam-se e recolhem os peixes bons em cestos e jogam fora os que não prestam. Assim acontecerá no fim dos tempos: os anjos virão para separar os homens maus dos que são justos, e lançarão os maus na fornalha de fogo. E aí, haverá choro e ranger de dentes. Compreendestes tudo isso?" Eles responderam: "Sim". Então Jesus acrescentou: "Assim, pois, todo mestre da Lei, que se torna discípulo do Reino dos Céus, é como um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas". Quando Jesus terminou de contar essas parábolas, partiu dali”.

Esta Palavra de São Mateus é de consolação. E como precisamos disso hoje, meus irmãos e irmãs! Mas não a consolação que nos tira da realidade, e sim aquela que nos leva a acreditar que podemos mudar as coisas. Como diz o saudodo Papa João Paulo II, o homem contemporâneo precisa de esperança. Somos inseguros, por isso precisamos da Palavra de Deus.

Esse Evangelho nos fala de uma rede lançada ao mar, isso significa que a Boa Nova – ou seja, a promessa que o Senhor nos fez: “Eu vim para que todos tenham vida” – é para todos nós. Não é à toa que a nossa Igreja não tem fiscal na porta. Entra quem quer. O Reino é para todos, mas, lembre-se: Deus é bom, porém, é justo. E é aí que "a onça desce para beber água". Uma vez que você entra no Reino dos Céus é preciso tomar uma atitude, uma postura. Essa atitude que eu digo não é a de se sentar no primeiro banco da igreja ou carregar a Bíblia debaixo dos braços; precisamos tomar uma atitude interior, e isso acontece no seu coração, ele é a chave. Deus se manifesta em nós no cotidiano. Nós que não percebemos isso. Lembrem-se, meus irmãos e irmãs: não são ritos vazios que vão fazer você experimentar Deus, mas sim, coisas bem mais profundas. E é no dia-a-dia que está isso. Deus quer ser como um oleiro em sua vida, que faz um vaso e o desmancha para fazer um bem mais fino e bonito. O Senhor quer fazer uma atitude nova em você. Nós estamos em plena construção, meus filhos. Eu conheço um oleiro em Minas Gerais que tem uma história que vai simplificar bem o que Deus quer de nós. O nome dele é Zama, é um artesão negro. A maioria de suas esculturas são religiosas e de santos brancos, mas possuem uma particularidade interessante: todos têm traços negros. Um dia eu lhe perguntei o motivo disso e ele me disse: “É minha filha, precisa se parecer comigo”.

É isso que Deus faz conosco. Quando Ele foi nos formar Ele disse, meus caros: “Façamos o homem nossa imagem e semelhança”. Observe bem, quem é que está nos fazendo? Deus lançou a rede e com a graça fomos apanhados, mas ainda não estamos salvos. O Senhor está nos modelando. Se o justo for bom a vida inteira, mas na hora da morte decepcionar o Senhor, ele não irá para o Reino dos Céus. Mas, se alguém errar a vida toda e no último instante se converter, este vai para o Reino dos Céus. Você pode pensar: então vou curtir a vida inteira e na última hora eu me converto. Mas você sabe quando vai morrer? O tempo de amar a Deus é agora. Não adianta dizer: “Quando chegar em casa eu vou ser diferente”; “Amanhã eu faço regime”; “Depois eu rezo o terço”. Você sabe se vai chegar o amanhã? Não deixe para depois, tem que ser agora, meus irmãos!

"O tempo de amar a Deus é agora!"
Foto: Wesley Almeida/ Foto CN

Precisamos nos converter para ajudar nossos irmãos a enxergar que também são obras de Deus. O Senhor conta com a nossa colaboração para levar o Evangelho. Precisamos orar uns pelos outros. Deus precisa de oleiros. Mas para ser oleiro do Senhor você precisa abrir mão de algumas coisas pelo Reino dos Céus. Até hoje você está sentado no banco da sua igreja sem se envolver em nenhum pastoral ou já está mudando? Vamos começar esse trabalho de reconstrução em nós para transformar a humanidade?

Você é para Deus como barro nas mãos do oleiro. Lance-se nas mãos do Senhor. Coloque-se na palma da mão de Deus. O Senhor não quer ser padrinho das nossas ações, Ele quer ser o Pai delas. Às vezes o bem que eu quero praticar não é o bem que Deus precisa. Por isso, é preciso abrir mão de nossos valores. Entregue-se e entenda que o projeto não é seu, é d'Ele. Abandone-se nas mãos de Deus, entregue-se sem resistência. Amém.

Transcrição e adaptação: Ariane Fonseca


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Padre Gilson de Oliveira Filho


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