Entregar-se às asas da fé

Padre Adriano Zandoná
Foto: Maria Andrea/Cancaonova.com
Hoje, vamos refletir sobre a confiança, pois pessoas já não conseguem confiar em Deus nem em ninguém. Para entender a virtude da confiança, precisamos entender várias vertentes: a confiança em Deus, em nós mesmos e no outro.

Nós que somos cristãos não podemos deixar de confiar nas pessoas devido a alguma circunstância na qual fomos traídos. Não podemos permitir que a confiança seja sepultada dentro de nós, mesmo depois de uma situação em que a perdemos.

Quem sabe que possui as asas da fé não se desespera diante das situações que perpetuam o seu coração. Todos nós tempos problemas, mas não podemos deixar que eles tomem conta da nossa vida. Precisamos viver com as asas da fé e da confiança em Deus.

Nós somos especialistas em culpar os outros pelas nossas falhas, mas é preciso que tenhamos confiança para enfrentar os problemas.

Reflita sobre o livro II Reis 18,19-20 que fala sobre confiança: "E Rabsaqué lhes disse: Ora, dizei a Ezequias: Assim diz o grande rei, o rei da Assíria: Que confiança é esta em que te estribas? Dizes tu (porém são palavras só de lábios): Há conselho e poder para a guerra. Em quem, pois, agora confias, que contra mim te rebelas?".

Quantas vezes, nós escutamos as vozes de derrota que estão dentro de nós? Estas nos desanimam e acabam nos desmotivando; são como os jugos que recebemos ao longo da vida.

Durante nossa vida, escutamos palavras negativas que, inconscientemente, ficam vivas dentro nós. Quantas vozes, dentro de nós, nos nivelam por baixo. Encontro pessoas com muitos dons, mas não deixam florescer por conta dessas vozes.

Existem muito talentos escondidos dentro do nosso coração, que ficam ocultos devido à falta de confiança que temos em nós mesmos. Mas com a presença de Deus somos capazes de tudo! Não podemos nos deixar dominar pelo ceticismo, mas aprender a confiança nas pessoas boas, porque precisamos ter companheiros de verdade.

 
Deixemos Deus agir em nós e curar essa desconfiança que há em nós, porque devemos apender a confiar em Deus e nas pessoas especiais que o Senhor colocou na nossa vida. É muito bom ter boas amizades, porque, quando dividimos o que somos com o outro,  tornamo-nos pessoas mais felizes.

Não podemos fazer grades em nossos corações, deixando de confiar nas pessoas e não nos relacionarmos com elas. Deus quer restaurar, em nosso coração, esta confiança de crer n'Ele e nas pessoas que estão ao nosso lado.

'Precisamos viver com as asas da fé e da confiança em Deus', aconselha o padre
Foto: Maria Andrea/Cancaonova.com
Papa Francisco, em sua primeira Exortação Apostólica 'Evangelii Gaudium' (Alegria do Evangelho), parágrafo 3, reflete sobre o confiar:

"Convido todo o cristão, em qualquer lugar e situação que se encontre, a renovar hoje mesmo o seu encontro pessoal com Jesus Cristo ou, pelo menos, a tomar a decisão de se deixar encontrar por Ele, de O procurar dia a dia sem cessar. Não há motivo para alguém poder pensar que este convite não lhe diz respeito, já que «da alegria trazida pelo Senhor ninguém é excluído». Quem arrisca, o Senhor não o desilude; e, quando alguém dá um pequeno passo em direção a Jesus, descobre que Ele já aguardava de braços abertos a sua chegada. Este é o momento para dizer a Jesus Cristo: 'Senhor, deixei-me enganar, de mil maneiras fugi do vosso amor, mas aqui estou novamente para renovar a minha aliança convosco. Preciso de Vós. Resgatai-me de novo, Senhor; aceitai-me mais uma vez nos vossos braços redentores'. Como nos faz bem voltar para Ele, quando nos perdemos! Insisto uma vez mais: Deus nunca se cansa de perdoar, somos nós que nos cansamos de pedir a sua misericórdia. Aquele que nos convidou a perdoar 'setenta vezes sete' (Mt 18,22) dá-nos o exemplo: Ele perdoa setenta vezes sete. Volta uma vez e outra a carregar-nos aos seus ombros. Ninguém nos pode tirar a dignidade que este amor infinito e inabalável nos confere. Ele permite-nos levantar a cabeça e recomeçar, com uma ternura que nunca nos defrauda e sempre nos pode restituir a alegria. Não fujamos da ressurreição de Jesus; nunca nos demos por mortos, suceda o que suceder. Que nada possa mais do que a sua vida que nos impele para diante!'

Quem começa uma batalha diante da vida perdendo a confiança, já perdeu grande parte da batalha. É a voz do Ressuscitado que sempre deverá nos impulsionar para seguir em frente; portanto, precisamos no abandonar e confiar em Cristo, porque Ele irá providenciar o melhor para nós.

Existem obstáculos que nos impedem de viver em Cristo:

1º Ansiedade – ela não nos permite confiar, acaba nos impedindo de esperar o tempo de Deus. Para vencer esses obstáculos, é preciso assumir a ansiedade e batalhar para vencê-la na oração.

2º Pessimismo – gera uma amargura em nós e no ambiente em que vivemos. A murmuração contamina as pessoas e cria um clima de amargura entre elas; portanto, precisamos vencer esses obstáculos. Não devemos assumir uma postura negativa, porque isso mina as portas que Deus vai abrindo para nós. Pessoas assim não conseguem ver Deus agindo na vida delas, por isso não podemos ser pessimistas. Se as coisas não acontecem da maneira como queremos, não nos deixemos contaminar por esse mal.

No parágrafo 6, do documento do Papa Francisco, o Pontífice reflete sobre isso: 'Há cristãos que parecem ter escolhido viver uma Quaresma sem Páscoa. Reconheço, porém, que a alegria não se vive da mesma maneira em todas as etapas e circunstâncias da vida, por vezes muito duras. Adapta-se e transforma-se, mas sempre permanece, pelo menos, como um feixe de luz que nasce da certeza pessoal de que, não obstante o contrário, sermos infinitamente amados. Compreendo as pessoas que se vergam à tristeza por causa das graves dificuldades que têm de suportar, mas, aos poucos, é preciso permitir que a alegria da fé comece a despertar, como uma secreta, mas firme confiança, mesmo no meio das piores angústias: «A paz foi desterrada da minha alma, já nem sei o que é a felicidade (…). Isto, porém, guardo no meu coração; por isso, mantenho a esperança. É que a misericórdia do Senhor não acaba, não se esgota a sua compaixão. Cada manhã ela se renova; é grande a tua fidelidade. (…) Bom é esperar em silêncio a salvação do Senhor» (Lm 3, 17.21-23.26)'

Abra seu coração para confiar em Deus!

Transcrição e Adaptação: Alessandra Borges


Padre Adriano Zandoná


Sacerdote da Comunidade Canção Nova

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