Esperamos novos céus e uma nova terra

Padre Fernando Santa Maria
Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com

“Caríssimos, para o Senhor, um dia é como mil anos e mil anos são como um dia” (cf. 2 Pedro 3,8). O jeito de o Senhor lidar com o tempo é diferente do nosso; por isso, a saudação inicial do Apocalipse 1,8 demostra o senhorio de Deus sobre o tempo. Aquele que era passado, é presente e será futuro. Ele é o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim.

Reze comigo: “Eu creio, Jesus, que Tu és o Alfa e Ômega, o princípio e o fim. Creio que Tu és Aquele que era, é e que há de vir. Tu és o meu Senhor. O Deus da minha vida, da minha história e da minha Igreja. Tu és o Senhor do mundo”.

Neste tempo de Copa do Mundo, percebemos que, quando um jogo já está no fim, ambos os times têm o mesmo tempo, mas o time que está ganhando quer que o tempo termine logo; porém, este não passa. No entanto, o time adversário não quer que o tempo acabe, mas este voa para ele. Deus pertence ao time de vitoriosos. Ele quer terminar a partida, mas sabe que não pode ainda.

“O Senhor não retarda o cumprimento de sua promessa, como alguns pensam, mas usa da paciência para convosco. Não quer que alguém pereça; ao contrário, quer que todos se arrependam. Entretanto, virá o dia do Senhor como ladrão. Naquele dia os céus passarão com ruído, os elementos abrasados se dissolverão, e será consumida a terra com todas as obras que ela contém. Uma vez que todas estas coisas se hão de desagregar, considerai qual deve ser a santidade de vossa vida e de vossa piedade, enquanto esperais e apressais o dia de Deus, esse dia em que se hão de dissolver os céus inflamados e se hão de fundir os elementos abrasados! Nós, porém, segundo sua promessa, esperamos novos céus e uma nova terra, nos quais habitará a justiça.” (2 Pedro 3,9-13)

Jesus já não venceu? Não é Ele o Senhor do tempo? Então, por que não termina, de uma vez, o "jogo"? Porque Ele não é impaciente. Em Deus não há desequilíbrio. Ele quer que um maior número de pessoas se convertam. Deus não tardará, Ele virá, mas ainda não voltou por sua causa. Ele está dando um tempo para a sua conversão, porque Ele ama você. Não desconfie d'Ele; pelo contrário, acredite no Pai, porque Ele é o Senhor da paciência.

"Converte-se não é viver um tempo de tristeza e angústia, mas é saber que o Senhor nos olha com paciência", disse o sacerdote.
Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com


“Depois que João foi preso, Jesus dirigiu-se para a Galileia. Pregava o Evangelho de Deus, e dizia: 'Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo; fazei penitência e crede no Evangelho'."
(Mc 1, 14-15) O juízo final está próximo. Mas esse “próximo” de Marcos também quer dizer acessível. O Senhor está no nosso meio, Seu amor é acessível a nós. Ele veio estabelecer esse Kairos constante.

Converte-se não é viver um tempo de tristeza e angústia, mas é saber que o Senhor nos olha com paciência e espera a nossa resposta. Se tudo dependesse d'Ele, todos nós já seríamos santos, mas isso não depende só d'Ele. O Senhor precisa da nossa resposta, da nossa conversão.

A Igreja precisa de renovação, mas a partir de corações que sirvam o Senhor, que sirvam a Sua Palavra e o olhar que Ele tem para a humildade. O Senhor do tempo, da paciência é aquele que nos olha com compaixão.

Estabeleça, para sua vida, algumas horas de oração por você e por aqueles que você ama. Interceda por aqueles que são chamados a uma nova esperança, a céus novos e uma nova terra.

O demônio quer fazer arruaça na nossa vida à medida que vamos dando espaço para o pecado. Ele tem uma insistência constante. “Água mole em pedra dura tanto bate até que peca”. Então, temos de nos converter e crer na Boa Nova, que é Jesus Cristo. N'Ele somos mais que vencedores.

“Entretanto, virá o dia do Senhor como ladrão. Naquele dia os céus passarão com ruído, os elementos abrasados se dissolverão, e será consumida a terra com todas as obras que ela contém” (2 Pedro 3,10). Será que a Palavra de Deus quer colocar medo em nós? Não! Ela diz que, misteriosamente, vai acontecer. Como? Deus virá como o Senhor da história. A nossa vitória já é certa, é real.

"Não podemos deixar de seguir o Senhor, porque Ele é a nossa esperança", explica padre Fernando.
Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com


“Demais, para que a grandeza das revelações não me levasse ao orgulho, foi-me dado um espinho na carne, um anjo de Satanás para me esbofetear e me livrar do perigo da vaidade. Três vezes roguei ao Senhor que o apartasse de mim. Mas ele me disse: Basta-te minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força. Portanto, prefiro gloriar-me das minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo”
(2 Cor 12, 7-9).

Essa é a força da graça! Muitas vezes, invejamos os outros: “Ah, se eu não tivesse tal desafio, seria um santo”. “Ah, se eu fosse aquela pessoa, não teria esses problemas”. Todos nós temos uma fraqueza maior. Não adianta brigarmos contra nós mesmos nem sermos nosso maior inimigo. Não podemos deixar de seguir o Senhor, porque Ele é a nossa esperança, Ele tem o poder de transformar os nossos relacionamentos. “Basta-te a minha graça.”

Seguir Jesus é passar pela porta estreita. Deus ama e acolhe a todos, chama-os a reconhecerem o Seu espinho na carne. Tenhamos a certeza de que Ele é o Senhor da nossa vida, da nossa história. Sem Ele não chegaremos a céus novos e uma nova terra.

“Vem, Espírito Santo de Deus, com Teus dons, ajuda-me a aceitar a não obediência ao pecado. Vem, Espírito, porque quero experimentar a força da misericórdia. Basta-me a Tua graça. Vem, Espírito de Deus com o Teu amor. Senhor, eu espero céus novos e uma terra nova.”


Padre Fernando Santamaria


Sacerdote da Comunidade Canção Nova

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