Esperança do Tabor à Ressurreição

Padre Roger Luis
Foto: Maria Andrea/Cancaonova

Meus queridos irmãos e irmãs, é muito oportuno para nós, no encerramento deste acampamento, percebermos a dinâmica que a Igreja coloca para nós através da liturgia. Observe bem que, neste segundo domingo da Quaresma, ouvimos o Evangelho da Transfiguração, a Teofania – manifestação de Deus, diante deste tempo de penitência, silêncio e oração e nos deparamos com o Evangelho da glória. Isso tudo para nos dizer que a grande esperança que deve sustentar o nosso coração é a ressurreição.

Observe o caminho que o Senhor realizou com os discípulos um pouco antes da Transfiguração. Jesus perguntou a eles quem diziam que Ele era. Pedro se manifestou dizendo que Ele era o Cristo, o Filho do Deus vivo, e professa a sua fé, porém, o Senhor imediatamente revela para eles o caminho da cruz, de Sua Paixão e Morte. E por querer aceitar a dor, o apóstolo repreende Cristo, e o Senhor diz a Pedro que se afaste d'Ele, pois seus pensamentos eram segundo os homens e não conforme os projetos de Deus. Logo após, Jesus conduz Pedro, Tiago e João para o monte e se revela a eles, manifesta-lhes a Sua glória a fim de deixar claro que a nossa esperança é a ressurreição d'Ele, mesmo que venham as dores, a ressurreição é a meta.

Hoje o Senhor deixa claro que, se temos esperança na ressurreição, não precisamos temer nada, Ele queria que os discípulos entendessem que todo o sacrifício, todo esforço valeria a pena. Meus irmãos, se em nossa vida houver desespero não chegaremos a lugar nenhum, porém, se a alimentarmos com esperança na ressurreição conseguiremos vencer o mal pelo poder da esperança. Nossa vida passa pela esperança no Ressuscitado, ela nos leva a sermos melhores para Deus e para os irmãos. Portanto, coloque a sua esperança em Nosso Senhor Jesus Cristo, e assim você vai experimentar todo o dia a alegria, pois a esperança não decepciona.

Agora é o momento de você assumir a esperança que não decepciona, mesmo que venham a cruz, as batalhas espirituais e as dores, tudo tem sentido se você tiver esperança na ressurreição, pois ela nos dá a garantia da glória final. A transfiguração na Quaresma nos ensina que há momentos em que precisamos subir ao monte para ouvirmos a voz do Senhor, recuperarmos as nossas forças e vencermos todo desânimo. O Papa Bento XVI, refletindo sobre a transfiguração, nos ensina que a vida de Jesus sempre foi marcada pela experiência da subida ao monte, a fim de ter comunhão com o Pai. Ele cita o monte da tentação, da agonia, do gólgota, de Sua grande pregação, mas principalmente o monte da ressurreição. Por trás da experiência dos montes que Jesus subiu, há também os montes onde o Senhor revelou ao homem, monte, portanto, é o lugar da revelação, da obediência, do amor ao Senhor. O Senhor deu a Jesus todo o poder no céu e na terra, por isso não podemos buscar fora d'Ele este poder, precisamos subir o monte para renovar nossa esperança.

Na primeira leitura vimos Abraão no monte oferecendo seu filho em sacrifício por amor ao Senhor, ele obedece radicalmente a Deus, e o Senhor livrou Isaac, mas não poupou Jesus por amor a mim e a você. Deus nos ama, com amor de cruz, de sacrifício, de abandono, de vida e vida eterna. Por isso, precisamos fazer a experiência de subirmos ao monte com Jesus, e vislumbrarmos todo o amor do Senhor para conosco, o monte é o lugar do ar puro da criação, o lugar que nos dá a oportunidade de contemplarmos a beleza da criação. Principalmente, o lugar para percebermos a presença de Deus ao nosso lado.


A glória de Deus é uma realidade, e isso é o que o Senhor quis revelar a Pedro, Tiago e João, e quer dizer a todos nós. Ele se transfigura hoje diante de nós para que saibamos que, quando vier a tribulação, jamais seremos abandonados. Jesus nos dá a garantia da ressurreição, pois está do nosso lado.

 "Sinto que começou um novo tempo na Igreja Católica, especialmente no Brasil", afirma padre Roger
Foto: Maria Andrea/Cancaonova

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Hoje você está voltando transfigurado para a sua casa, pois você subiu ao monte com Jesus e foi alcançado por Ele, houve uma transformação em sua vida. A transfiguração parte do próprio Senhor, do Seu interior, parte da certeza que mesmo na dor Ele é o Messias, Ele queria assim ensinar Seus discípulos que, de fato, Ele era o Servo sofredor do Pai, o cumprimento de todas as profecias. A transfiguração na Quaresma tem o significado de iluminar nossa vida para que continuemos na busca pela santidade com esperança na ressurreição, mesmo diante de todos os sofrimentos.

 

Em minha vida, quando o inimigo tenta me acusar de alguma coisa, eu me seguro na segunda leitura proclamada hoje em Romanos 8,33: “Quem acusará os escolhidos de Deus? Deus, que os declara justos?” Quando estou passando por alguma tribulação socorro-me na Palavra de Deus, que afirma em Romanos 8,18: “Os sofrimentos do tempo presente não são comparáveis com a glória futura.”

 

Meus irmãos, tenham a coragem de viver na fidelidade à Palavra de Deus, segurem-se nela para vencer o inimigo de Deus, como vimos hoje no Evangelho, as vestes do Senhor estavam brancas de tal forma que nenhuma lavadeira poderia deixar. As roupas de Jesus estavam translúcidas, pois a Palavra de Deus é luminosa, afirmou São Máximo, o confessor. Hoje você está sendo iluminado pela Palavra de Deus. Sinto que começou um novo tempo na Igreja Católica, especialmente no Brasil. O Senhor tem nos iluminado, tem preparado um povo novo, povo forte, que não desiste por qualquer coisa, e você, meu irmão, conseguirá continuar firme se mantiver um relacionamento com Deus e com Igreja por intermédio dos sacramentos, se você cultivar um amor sincero a Virgem Maria e uma vida no Espírito.

Agora precisamos descer do monte, como nos ensinou Santo Agostinho, Jesus não aprovou que os discípulos fizessem três tendas, porque Ele é a única tenda. Meus irmãos, precisamos descer o monte, pois Jesus está em nossas realidades, na sua paróquia, no seu local de trabalho, na sua família. Por isso temos que sempre fazer a experiência de subir ao monte na Quaresma para termos a certeza de que vamos enfrentar os sofrimentos, mas também seremos transfigurados com Cristo em Sua Ressurreição. Deus nos dá "montes tabores" para nos preparar para os calvários que virão em nossa vida.


Meus irmãos, aguentem firmes, pois vale a pena seguir os Mandamentos de Deus, seguir a direção que Cristo nos indicar e fazer tudo o que Ele nos disser; na ressurreição final vamos experimentar que valeu a pena.
Vamos experimentar o que está escrito na Palavra em Ap 7, 9-14: “Depois disso, vi uma grande multidão que ninguém podia contar, de toda nação, tribo, povo e língua: conservavam-se em pé diante do trono e diante do Cordeiro, de vestes brancas e palmas na mão, e bradavam em alta voz: A salvação é obra de nosso Deus, que está assentado no trono, e do Cordeiro. E todos os Anjos estavam ao redor do trono, dos Anciãos e dos quatro Animais; prostravam-se de face em terra diante do trono e adoravam a Deus, dizendo: Amém, louvor, glória, sabedoria, ação de graças, honra, poder e força ao nosso Deus pelos séculos dos séculos! Amém. Então um dos Anciãos falou comigo e perguntou-me: Esses, que estão revestidos de vestes brancas, quem são e de onde vêm? Respondi-lhe: Meu Senhor, tu o sabes. E ele me disse: Esses são os sobreviventes da grande tribulação; lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro.”

Pois, como afirmou São Marcos em seu Evangelho 13,13 “aquele que preservara até o fim será salvo.” Irmãos, vamos descer a montanha na certeza de que Jesus está conosco, que Ele está ao nosso lado, e nossa esperança é a Sua ressurreição. Rezemos pedindo ao Espírito Santo que nos dê a força de não desistirmos.


Assuma que você faz parte do povo eleito que teve as vestes alvejadas no Sangue do Cordeiro. Assuma a vida nova no Senhor, hoje Ele nos transfigura para continuarmos o nosso caminho, na fidelidade a Ele até o fim, rumo à esperança na ressurreição.

Aguente firme, porque Deus caminha conosco e jamais vai nos abandonar. Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!


Confira trecho da homilia do padre Roger Luís na Santa Missa de encerramento do Acampamento "Livrai-nos do Mal":


Transcrição e adaptação: Ricardo Gaiotti


 

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