Espiritualidade e sobriedade

Dom Irineu Danelon
Foto: Carlos Eduardo

Eu penso que somente esta introdução que o Dunga fez, rezando antes desta pregação, já valeu por todo o Acampamento. De fato, foi um momento maravilhoso!

O Senhor nos disse em Sua Palavra: “Eis que estou convosco todos os dias”. E isso inclui o dia de hoje.

Neste momento, convido a você a fazer uma “viagem” para o seu interior. Contemple em seu interior a presença de Deus. Monte agora dentro de você uma “grande tela” e projete nela a imagem que você tem de Jesus Cristo.

Este Jesus tem um recado para você neste dia: “Tem uma só coisa que Eu e meu Pai não conseguimos fazer: deixar de amar você todos os dias”.

Como é grande o amor de Deus por nós. Somos uma Pastoral e não um grupo social. Por isso, como Pastoral, trazemos uma espiritualidade. Precisamos ser pessoas entusiasmadas. Pior do que uma igreja vazia é um coração vazio! Portanto, precisamos tomar consciência de que Deus é capaz de transformar “leprosos” em pessoas sadias. Hoje o Senhor quer nos libertar de todas as correntes que nos prendem. Que nossa história seja agradável a Deus.

Neste momento, eu quero lembrar que o nosso Deus é um Deus de comunhão. É um Deus “família”. Somos fortes quando estamos unidos. Renegar alguém é o mesmo que “decepar” esta pessoa. Somos membros do mesmo corpo místico, do corpo de Nosso Senhor.

E Jesus jamais está separado de Nossa Senhora. Se o Senhor está no meio de nós, Nossa Senhora também se faz presente aqui. E Maria, virgem, não sofreu as dores do parto na Gruta de Belém, mas sim no Calvário, onde ela deu à luz a nova humanidade.

Não é muito difícil falar sobre a espiritualidade da Pastoral da Sobriedade. É importante dizer que o amor de Deus na Pastoral da Sobriedade é personalizado. Não é algo abstrato.

Crer em Deus não é crer que Deus existe. Mas sim acreditar que Ele é amor. O amor é exigente. Deus exige que amemos com inteligência, com sabedoria. Saiba que não é um ato de submissão fazer aquilo que Deus pede. Antes, esse é um ato de sabedoria. Assim como o pedreiro precisa ouvir o engenheiro sobre aquela obra, do contrário ela desaba, assim precisamos dar ouvidos a Deus. Ele sabe das coisas.

O Senhor nos deu a liberdade de escolher aquilo que convém. No entanto, nem sempre escolhemos aquilo que é certo. Mas mesmo escolhendo errado muitas vezes, Deus continua a nos amar.

"O amor maior de Deus chama-se misericórdia"
Foto: Carlos Eduardo

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O amor de Deus é revelado através da natureza, das pessoas. O computador não sente saudade, nós sentimos. A máquina não tem sentimentos como nós. Somos únicos. Não somos “máquinas”. Não podemos ser imitados.

Qual foi a primeira atitude que Jesus tomou e que revela o seu amor maior por nós? A primeira atitude foi a de Jesus, em toda Sua grandeza, caber dentro de um óvulo. Do óvulo da Virgem Maria. E qual foi a Sua última atitude? Foi a de não pensar em Si ao estar pregado na Cruz, mas sim o de pensar em Sua mãe e entregá-la aos cuidados de João.

A nossa espiritualidade está baseada no amor de Jesus para com os pecadores. Qual é vontade do Pai? A vontade d'Ele é que ninguém se perca.

Jesus viveu sua vida aqui na terra praticando o amor. E amou até o fim. E qual foi esse fim? Foi quando Ele teve o Seu lado transpassado pela lança e dali jorrou sangue e água. O amor maior de Deus chama-se misericórdia.

Muitas vezes a gente ama com um amor restritivo, ou seja, eu te amo enquanto você corresponde ao meu amor. E dizemos: “Cansei de ser 'besta'! Por que vou amar essa pessoa se ela só me dá 'coice'?”

A pessoa até não “merece” esse amor, mas ela precisa dele. Necessita desse amor. Na Pastoral da Sobriedade, nós não apenas desejamos bem às pessoas. Mas desejamos o bem a elas. Amamos com um amor incondicional, ou seja, sem condições.

A conversão é um processo dinâmico. Costumo dizer que quando eu sei “de cor” as respostas da vida, ela então muda as perguntas. É preciso ser fiel a Deus neste processo de conversão a cada dia.

Temos como base da nossa espiritualidade a Eucaristia. A Pastoral da Sobriedade é a pastoral da esperança. Não tenha medo, meu irmão, de dar a vida por amor! Porque a ressurreição existe. Se durante a semana você não “deu sua vida” por amor, você acaba não vivendo bem a Eucaristia. E por quê? Porque a Santa Missa une o nosso sacrifício de cada dia ao Santo Sacrifício de Cristo sobre o altar.

Perguntaram certa vez a Madre Teresa de Calcutá: “Madre, como que a senhora conseguiu recolher mais de 40 mil mendigos pelas ruas de Calcutá?” E ela respondeu: “Vocês estão enganados. Eu não recolhi 40 mil, mas sim um de cada vez!” Só por hoje. Um dia após outro fazendo o bem. E a cada dia somos chamados a ver, naquela pessoa caída na rua por causa das drogas, a presença do Cristo que sofre.

Se você salvar um dependente químico saiba: você está cuidando da sua própria salvação.

 

Transcrição e adaptação: Alexandre de Oliveira


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Dom Irineu Danelon


Bispo da Diocese de Lins – SP

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