Família nas Novas Comunidades

Italo Juliani
Foto: Célia Grego

São Paulo diz na Carta aos Efésios que dobra os joelhos ao Pai por toda a família que deve sua existência ao Pai. Nós que somos Novas Comunidades precisamos dobrar os joelhos pela causa das famílias.

A família precisa valorizar a vida humana, Bento XVI na carta enviada ao Brasil por ocasião da Campanha da Fraternidade disse: "Toda ameaça contra a vida e contra a família precisa ser combatida".

Na contemplação do ícone da Sagrada Família de Nazaré percebemos uma família espiritual e plenamente humana, com toda a necessidade do toque; José que abraça Maria, e tocam em Jesus, uma família plenamente humana. Todas as vezes que você contemplar a Sagrada Família lembre que ela é humana.

Imagine José e Maria batendo nas portas de nossa comunidade dizendo que queriam fazer um caminho com a nossa comunidade. Onde nós os encaixaríamos? Eles seriam uma comunidade de aliança, o homem que trabalha e com o suor de seu rosto leva o pão para a família.

Muitos pensam que para se entregarem a Deus precisam ir para a comunidade de vida. Olhem para a Sagrada Família, eles foram plenamente consagrados a Deus, isso é possível, ser família plenamente consagrada a Deus.

O sacramento do matrimônio é nosso modo específico de viver a santidade. Aquele que é casado já é como consagrado. Quando somos casados e consagramos a uma comunidade, a consagração na comunidade não está acima do matrimônio que busca também a santidade e o céu.

Italo Juliani, sua esposa Rosana e seus filhos
Foto: Célia Grego

O carisma de fundação não pode estar acima do sacramento do matrimônio, precisamos ter a consciência da importância e da finalidade do matrimônio. Talvez inconscientes, por causa da missão que a Comunidade tem, nós corremos o risco de não valorizarmos devidamente a família, o casal, a vida conjugal, o sacramento do matrimônio. Há um medo nos casais de terem filhos, nós precisamos gerar filhos de Deus. Tenho percebido que muitos casais dentro das Comunidades têm medo de gerarem filhos e atrapalhar a missão, pelo contrário, nós precisamos estar abertos a vida. Precisamos ter bom senso, amor e caridade para com a mulher grávida, para a mãe que tem filhos pequenos, e não exigir dessa mãe, aquilo que podemos e devemos exigir de um jovem, de um solteiro em nossas Comunidades.

Os casais precisam ser acolhidos e valorizados para que a vida de família seja sustentada e sustentável dentro da nossa comunidade.

Jean Vanier diz em seu livro "Comunidade: lugar do perdão e da festa", "antes porém de se comprometer seria útil que examinassem as motivações, o que te motiva a pertencer a Comunidade. É um trabalho desumano que você quer deixar, você já não agüenta mais o seu trabalho, então talvez,vai lagar tudo e ir para uma Comunidade. É uma vida familiar mais calorosa que vocês desejam ou é realmente uma vida comunitária com todas as sua exigências, que as pessoas casadas procuram".

Como casais não podemos esquecer, há toda uma questão de valorizar a família, valorizar o sacramento do matrimônio, a vivência conjugal, mas nós casais das Novas Comunidades não podemos esquecer que a vida comunitária tem as suas exigências. Temos que ter a consciência das renúncias e sacrifícios para não entrarmos iludidos na Comunidade.

Continua Jean Vanier, "todos os pais que querem seguir Jesus e viverem em Comunidade, um dos maiores sacrifícios é aceitar um salário mais baixo, uma renda mais baixa, ou até mesmo nenhuma renda, do que não poderiam receber se não tivessem em Comunidade. Isso significa impossibilidade de darem a seus filhos as mesmas condições financeiras e as mesmas possibilidades que eles próprios tiveram quando eram jovens, mas não podemos ter tudo. Se seguimos Jesus devemos aceitar as conseqüências da nossa escolha. Talvez as crianças dessas famílias não tenham vantagens materiais, mas terão descobertos a Comunidade que é um magnífico dom".

Comunidades, aceitem as famílias como comunidades dentro de vossas comunidades, nós só temos a ganhar. Temos a obrigação de santificar nossas famílias, nossa esposa e nossos filhos. Eu tenho que chegar no céu e apresentar a santidade de minha esposa e ela a minha santidade, e juntos a santidade de nossos filhos e depois a nossa Comunidade.

A família de Nazaré precisa ser o espelho da minha família.

Transcrição: Willieny Isaias

 


 

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Italo J. Passanezi Fasanella


Comunidade Sagrada Família

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