Família, olhai para o alto

Dom AlbertoTaveira
Foto: Elcka Torres

Precisamos enxergar a família como transmissora de valores, como incubadora de valores, em que esses são cultivados na família e transmitidos. O problema é que nem sempre as famílias são capazes de transmitir estes valores para as novas gerações, filhos e filhas, pois temos muitas outras influências que vem sobre nossas famílias.

Será que você pode colocar numa balança o que pesa mais? O que você ensina dentro de casa ou o que os filhos aprendem fora dela? Existe um processo normal, quando os filhos estão na barra da saia da mãe, eles acolhem muitas coisas dos pais. Depois quando chega a adolescência, vem o desejo de ser contra, por exemplo um time que pai torcia quando criança, ela torce para o mesmo time, mas quando chega a adolescência só para ser contra, o filho torce para outro time.

Só que este processo as vezes é muito complicado, há uma concorrência desleal, já percebeu com que naturalidade, uma família se ajeita, quando os filhos começam a conviver, o rapaz com sua namorada ou a moça com o namorado, sem ter tido o sacramento do matrimônio; ficamos relaxados, achamos tudo muito normal, porque todos estão vivendo assim.

“Como o Pai me ama, assim também eu vos amo. Perseverai no meu amor.” Jo 15,9

Se fizermos uma escala, o que é mais, o que é menos, o que é mais ou menos, excelente, ótimo, bom, ruim, péssimo; é necessário na vida apontar para o máximo, se você não aponta para o ótimo, não conseguimos nem chegar no bom, temos que ter coragem de apontar para o ótimo, para o céu, olhar para o céu.

A medida da terra não pode estar no rodapé, a medida do amor é que você precisa ter dentro da sua família. Se você quer ajudar o mundo e as famílias a sair deste marasmos, transmita valores, deve apontar para esse alto, por isso, guardem uma coisa que quero lhes dizer hoje, a origem da família está no céu.

Acampamento para as famílias
Foto: Elcka Torres

A pessoa está doida para arrumar um namorado, namorada, para se casar; Porque você quer se casar? “Porque todo mundo casa, não quero ficar para titia, solteirona.” Mulheres, deixa eu te dizer uma coisa, tem mulher entrando em uma fria, porque a sociedade colocou na cabeças das mulheres que elas tem que se casar, e o primeiro que aparece elas se casam, somente para não ficar solteirona. Estão brincando com sua própria vida, porque não nivelou sua vida no alto. Casar-se somente por causa disto, você fica no nível do rodapé, quem casa somente no nível da natureza, dificilmente, transmitirá os níveis para mais nessa escala.

Uma casal que tenha se convencido que filho não é trabalho. Que filho é benção. Já está transmitindo valores altos. Que não tem o medo de ter mais de um filho. Uma sociedade baseada no egoísmo, “eu quero ter um filho só”, quase com certeza, aquele um só, você vai sobrecarregá-lo, e ele nunca vai aprender a partilhar, é muito difícil, existir uma vocação à consagração onde se ensinou ao filho o egoísmo.

Tem casais que casam pensando em que irão ficar juntos até um não atrapalhar o outro.Os valores que estou falando enquanto um não atrapalhar o outro não é o nível do céu, é o nível do rodapé. Quando você vai a igreja pra se casar, você está tomando como medida, a medida do amor no matrimonio, não é a medida da carne. Qual é a medida do amor? A medida do amor é amar sem medida. Essa é a medida do céu, o casamento não se realiza com a medida do rodapé.

O casamento começa no céu, existe um plano de Deus a respeito do matrimônio, um projeto a respeito do ser humano, Deus tem um plano a se realizar, ora se Deus me fez para o alto para a plenitude e eu não vivo esses valores, eu serei uma pessoa infeliz, no plano de Deus o casamento é para durar para sempre.

Dom Alberto Taveira
Foto: Elcka Torres

A igreja quer apontar para o céu, apontar para o alto, “ Por isso o homem deixa o seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher” Gênesis 2,25

Tem gente que fala: "como eu vou deixar meu filho na mão de uma mulher", você esqueceu que também se casou e deixou seu pais. Quando é para entregar para igreja, piorou, ai que é mais difícil, quando é para uma vida de consagração.

Como ser fiel ao matrimônio, como não nivelar a vida no rodapé? Nosso Senhor diz, que quem quiser segui-Lo, tem que deixar tudo, pegar sua cruz e ir atrás d’Ele. Você só vai ser feliz no seu matrimônio se o seu marido, sua esposa for uma cruz para você.

Cruz não é em primeiro lugar sofrimento, é em primeiro lugar via de amor, quem quiser seguir a Jesus, não tem que querer ganhar sua vida e sim perdê-la.

As famílias de vocês vivem em paz? Estão bem? Você poderia apresentar uma ladainha de problemas, falta de emprego, namoro, brigas; você pode fazer a ladainha que quiser, mas uma família pode viver em paz, pode ter o gosto de dizer como eu amo a minha família.

Você precisa ser realista, enfrentar os problemas, precisamos aprender a ficar em pé, não perder a paz diante das situações.

A paz tem uma referência, uma medida, quero pedir a vocês o que peço no retiro popular deste ano, a paz. A paz na família não é uma mágica, é uma escolha, só Ele pode trazer a paz. Peço a você que adquiram o retiro popular, que ele vai nos ensinar como viver a paz nas famílias.

Quem é nossa paz? É Jesus Cristo, Ele é a paz das famílias, ressuscitado mas com os buracos abertos, chagas de amor, de misericórdia.

O que é o retiro popular? É o roteiro para você viver a quaresma toda. Mas não é somente para a quaresma, tem gente que utiliza as formas de oração para o ano inteiro, modelos de rosário, de exame de consciência, uma série de proposta, que poderá nos ajudar o ano todo.

Transcrição e adaptação:Regiane Calixto


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Dom Alberto Taveira Corrêa


Arcebispo de Belém – PA

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